«Benfica? Ainda tenho a esperança de jogar num dos 'grandes'»
— No início de 2025 apontou um hat trick, que fez manchete em Portugal. Qual foi a sensação, ainda por cima como lateral-direito, o que não é muito comum?
— Foi um momento marcante na minha carreira. Como disse, não é fácil um lateral-direito fazer um hat trick. Foi aquele jogo em que tudo saía bem. Foi um momento muito feliz e posso dizer que foi, até ao dia de hoje, o jogo mais marcante que tive, sem dúvida.
— Recuando ainda mais para os tempos do Boavista... Que memórias guarda das panteras e que maturidade ganhou nesse ano de afirmação na Liga?
— Foi o clube que apostou em mim. Se hoje estou aqui, devo-o também ao Boavista. Afirmei-me no Boavista, foi o meu primeiro passo, e depois as coisas começaram a sair naturalmente. Comecei a jogar, a afirmar-me, a ser falado e daí o passo para o Trabzonspor. Foi tudo a acontecer naturalmente, nunca forcei nada. Vivi o dia a dia tranquilo, focado no treino e no trabalho.
— Como produto da formação do Boavista, onde chegou com 16 anos, como olha para o estado atual do clube?
— Com muita pena. Primeiro, porque foi o clube onde me estreei profissionalmente e que me ajudou a dar o salto. Toda a gente conhece o mítico Estádio do Bessa; quem lá vai sabe a força que se sente, é um clube diferente. Estão a passar por um momento difícil. Tento saber sempre da situação do clube, porque tenho bastante carinho. Desejo que consigam recuperar o mais rápido possível e que voltem ao grande escalão do futebol profissional, que é o mais importante para a história do futebol português também.
— No verão de 2024, o nome de Pedro Malheiro foi bastante falado, nomeadamente para o Benfica. Essa possibilidade foi real?
— Foi real. Na altura, o interesse do Benfica surgiu muito rápido. Acabou por não acontecer. Obviamente tinha o sonho de jogar num dos três grandes e ainda mantenho essa esperança viva, porque no futebol tudo é possível. Mas foi real. Falei, tínhamos quase tudo em cima da mesa, quase tudo tratado. À última hora, o presidente do Boavista e as pessoas envolvidas não me deixaram sair, acabaram por abortar o negócio. Foi difícil mentalmente para mim, porque era um clube grande, um tubarão, para o qual eu gostava de ter ido, um clube muito grande em Portugal e a nível europeu.
— Esse sonho de representar um dos grandes ainda está vivo. Pensa num regresso a Portugal num futuro próximo?
— Sim, nunca fecho portas. Como costumo dizer, não vim para cá [Emirados] de férias, só porque estou longe ou noutro campeonato. A ambição que tenho mantém-se. Obviamente, se for para um dos três ou quatro grandes, nunca fecho a porta. É o meu objetivo, um dia, poder voltar à Europa.
— Voltando ao Al-Wasl, quais são os objetivos que traçou a nível pessoal e quais são as metas do coletivo para esta temporada?
— A nível pessoal, é tentar fazer sempre melhor do que no ano passado. Se for analisar o momento da época atual com o ano passado, já estou com mais números [golos/assistências]. É fazer o meu melhor e, no final da época, somar tudo e fazer uma retrospetiva. Coletivamente, o nosso objetivo é o campeonato. Estamos a cinco pontos do primeiro classificado. Temos agora quatro jogos importantes com os da frente e é fazer o máximo de pontos possíveis, não podemos perder mais pontos, para no final da época sermos campeões.
Os treinadores marcantes e um sonho...
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— Há outro português no plantel, Serginho Andrade...
— Damo-nos super bem. Falamos quase sempre português entre todos, há muitos brasileiros. O ambiente é bom, respeitamo-nos e tentamos ajudar-nos na adaptação. Conhecemo-nos aqui, nunca me tinha cruzado com ele [Serginho], mas tentamos ajudar-nos. O Dubai também é um país fácil para qualquer pessoa se adaptar.
— Como foi trabalhar com Luís Castro?
— Apesar de ter sido curto, foi muito positivo. Gostei muito de estar com ele. É um ser humano fantástico, uma pessoa muito boa, além do bom treinador que é. É uma amizade que levo para o resto da vida, porque foi uma pessoa importante aqui para mim.
— Que aspetos considera mais importantes para um lateral?
— Tento sempre aprimorar a chegada ao último terço, a decisão final. No fim de contas, isso é que conta: fazer uma assistência ou chegar à beira do golo e marcar. Não descurando a parte defensiva, porque primeiramente somos laterais e temos de estar atentos a isso. Faz-se a diferença por defender bem e chegar com critério ao último terço. Os números valem muito no futebol.
— Que treinadores o marcaram mais ao longo da carreira?
— Além do Luís Castro, cruzei-me com alguns... João Pedro Sousa foi o treinador que me lançou como profissional no Boavista, quando vim do Vilaverdense e ninguém me conhecia. Com Petit, não comecei logo a jogar, mas no ano seguinte afirmei-me. Ricardo Paiva, que apanhei na formação e na equipa principal, também foi muito importante para mim. A relação com os treinadores é um reflexo do trabalho em campo. Nunca tive problemas com nenhum treinador, porque sou profissional, dou o meu máximo e respeito as decisões.
— Acredita que é possível chegar à Seleção Nacional em breve?
— É o meu país, sempre sonhei ir à Seleção. Sei que neste momento é difícil. Se estivesse num dos grandes ou num clube europeu, se calhar poderia ser mais fácil. Mas faço o meu trabalho. Sou profissional aqui, não vim de férias. Se surgir a oportunidade, obviamente fico muito feliz. Vou continuar a fazer o meu máximo e a trabalhar da melhor maneira para, se um dia essa oportunidade surgir, a agarrar.