Rui Borges e Luis Suárez - Foto Miguel Nunes
Rui Borges e Luis Suárez - Foto Miguel Nunes

Rui Borges: «Estrelinha é o meu avô, fomos melhores em tudo!»

Técnico do Sporting queria vencer e entende que os leões tiveram mais chegadas à área portista. Revelou que Suárez jogou em sacrifício na 2.ª parte

Mais uma vez o Sporting acredita até ao fim. Parece-lhe que com a posse de bola maior a sua equipa podia ter arriscado mais cedo?

— No cômputo geral, e olhando para os 90 minutos, fomos uma equipa mais equilibrada e senhora do jogo. Faltou-nos em alguns momentos sermos um pouco mais agressivos na procura da baliza do FC Porto, mas tivemos sempre o jogo bem controlado. Foi um jogo expectante de um lado e outro em alguns momentos. Nos primeiros minutos entrámos muito bem, com bola, a tentar empurrar o FC Porto, conseguimos claramente saltar a pressão do adversário. Depois, por volta dos 15 minutos, o FC Porto cresceu, foi equilibrando. Melhorámos outra vez na parte final da 1.ª parte e, na 2.ª, entrámos melhor, com personalidade, a querer jogar.... Faltou-nos a agressividade no último terço. O último lance que o FC Porto tem junto da nossa baliza acaba em golo. Depois foi correr atrás do prejuízo. A equipa sempre a acreditar, dinâmica, os jogadores que entraram também estiveram muito bem a acrescentar intensidade e agressividade. Acho que o empate acaba por ser pouco, apesar de não termos criado grandes oportunidades. Estivemos mais perto da baliza do FC Porto do que o contrário. Estou muito orgulhoso por aquilo que a equipa foi capaz de fazer.

Na flash falou de um Sporting personalizado. As equipas respeitaram-se demasiado?

— É natural que exista esse respeito, porque são duas grandes equipas. Sabíamos que em pormenores, se em algum momento houvesse 10 segundos de desconcentração, qualquer uma das equipas podia resolver o jogo. Dentro da estratégia, a equipa esteve mesmo muito bem nos processos defensivo e ofensivo. Fomos perdendo alguns momentos de pressão porque o Luis [Suárez] não estava a 100 por cento: jogou a 2.ª parte toda com problemas físicos. Mas quis dar o contributo, quis continuar e ainda bem, porque acabou por ser ele a fazer o golo. Mas a sua lesão tirou-nos capacidade de pressão que tínhamos definido. Ainda assim, ficámos bem organizados.

Olhando para a história do clássico, não acha que faltou mais atrevimento do banco?

— Mexi quando tinha de mexer, o atrevimento estava lá. Faltou-nos em alguns momentos ligar da melhor forma. O que disse do Luis [Suárez] não serve de desculpa, mas perdemos muitas ligações por ele não estar bem. E nota-se, por tudo o que dá à equipa. Sabíamos que, mesmo assim, era um jogador importante. Aqui ou ali faltou-nos capacidade de ligação no último terço. Ao longo do tempo criámos algumas situações, na 2.ª parte até tivemos mais aproximações do que na primeira metade. Tivemos uma grande personalidade ao longo da 2.ª parte, na 1.ª houve mais equilíbrio. A única aproximação com perigo do FC Porto é o golo, mérito deles também. Defrontámos uma equipa fortíssima defensivamente e os números falam por si, temos de dar mérito ao adversário por conseguir anular-nos no último terço.

Que significado tem este ponto?

— É mais um na nossa caminhada. Seguimos, faltam 13 jogos, não é? Vão ser 13 jogos difíceis para todos, não tenho nenhuma dúvida disso. Vamos à procura de uma 2.ª volta extraordinária. Temos de fazer uma 2.ª melhor do que a 1.ª, porque a 1.ª foi boa, mas não chegou. Vamos à procura de olhar para cada dificuldade do jogo que vem, que neste caso é o Famalicão, uma equipa que está a fazer um belíssimo campeonato.

Nos últimos cinco de seis jogos o Sporting marcou nos instantes finais. Sente que este Sporting tem estrelinha de campeão? O Rui Borges ainda não venceu ao FC Porto, o que falta fazer?

— Por norma são sempre jogos divididos. Em relação à estrelinha, só se for o meu avô, graças a Deus. De resto, somos nesta fase a equipa com mais ataques, mais golos marcados e mais ações na área adversária. É natural que, a qualquer momento, façamos um golo. Seja no primeiro ou no último minuto. É muito por aí. Fazemos golos porque criamos e andamos nas áreas adversárias mais do que os outros.

— Sente que manteve viva as aspirações do Sporting de ser campeão nacional? Esteve a um minuto de ficar a sete pontos do FC Porto...

— Não saio satisfeito, porque queria ganhar. O jogo foi mais expectante de parte a parte, mas fomos melhores em tudo. O empate, para mim, é pouco, quanto mais a derrota. É mérito da equipa, está mais próxima de fazer golo porque está mais vezes por cima do adversário e é isso que queremos. Umas vezes vamos conseguir, outras não. Volto a dizer: melhor ataque, equipa com mais ações na área do adversário, com mais finalizações... Estamos mais perto de fazer golos.

Vimos Trincão e Pote em trocas constantes no ataque. Como vai gerir esta aptidão para serem referências atacantes em várias posições?

— Os grandes jogadores jogam em qualquer lado. Deram uma resposta fantástica. Eles têm essa liberdade. Depois, dentro dos jogos, do adversário, da estratégia, vamos alterando. Jogadores específicos e diferenciados que são capazes de dar resposta em qualquer parte do campo.

— Por que motivo utilizou Trincão na esquerda e Pedro Gonçalves no meio?

— O 4x4x2 é a nossa imagem, só que desta vez estava o Trincão à esquerda. Ganhámos em Bilbau com o Trincão à esquerda e o Pote no centro. Mas é natural, por aquilo que é a estratégia, pelo adversário e o momento dos jogadores. O Pote vem de uma lesão, sabíamos que quem tivesse por fora tinha de ter um compromisso talvez mais forte em termos defensivos. O Pote caiu a meio da 1.ª parte um bocadinho e notou-se, mas na 2.ª foi melhorando. E acho que conseguimos sempre sair, seja pelo corredor, pela zona central. Faltou melhor definição em algumas jogadas, mas jogámos contra uma equipa defensivamente muito forte, competente e competitiva, que nos dificultou as ligações.

Famalicão em casa, Estoril e depois novamente o FC Porto para a Taça de Portugal. O que leva no bloco de notas?

— Ainda falta muito, o meu bloco de notas está no Famalicão. Não vou sequer pensar nesse jogo com o FC Porto, são jogos diferentes. Vamos perceber o que temos e o que não temos quando lá chegarmos.

— Falou sobre os problemas físicos de Suárez. Pode especificar a lesão do jogador?

— Foi um desconforto em termos musculares. Mais do que a parte ofensiva, essa lesão até nos condicionou a parte defensiva, a capacidade de sermos mais pressionantes.

— As lesões que o Sporting tem tido explicam as oscilações ao nível das exibições?

— O Quenda está de fora há algum tempo e a equipa sempre fez grandes exibições. O Sporting teve uma personalidade enorme, bastante qualidade com bola em alguns momentos, não tem a ver com as ausências. Claro que são jogadores importantes e que dão mais soluções e queremos sempre ter toda a gente, mas não é possível. Acontece connosco e com os outros todos. As exibições da equipa têm sido muito boas. Aqui ou ali, não tão intensas. Nem sempre conseguimos fazer três ou quatro golos. A qualidade, a ideia, o comportamento de cada um no coletivo está lá sempre. E estou muito feliz por aquilo que a equipa tem dado e produzido. Um agradecimento também aos nossos adeptos, muito obrigado pelo apoio ao longo de todo o jogo. Acreditam muito, tanto como nós.