Do hálito a vodca no banco do Arsenal, à guerra que o «prendeu» no Sporting
Emiliano Viviano é uma daquelas personagens do futebol que se adivinham que têm muitas histórias para contar.
O excêntrico ex-guarda-redes internacional italiano nunca fugiu a uma polémica, mas isso não o impediu de trilhar uma carreira de respeito com passagens em clubes italianos importantes, além de ter representado o Arsenal, clube pelo qual não chegou a estrear-se.
Aliás, apesar da carreira que fez, há um registo que o persegue e que foi agora tema numa extensa entrevista da Gazzetta dello Sport, que inclui também a passagem pelo Sporting.
É que nos leões, nos gunners e no Inter Milão, Viviano não somou qualquer minuto.
Com 40 anos e depois de ter terminado a carreira no Ascoli, Viviano explicou as três situações, revelando que no Sporting se viu envolvido numa «guerra» e foi prejudicado pela direção de Frederico Varandas por ter sido uma escolha de Bruno de Carvalho.
«No Arsenal, estava o Wenger: esperava um revolucionário, mas era apenas um treinador normal. Só que não joguei porque Szczesny teve um ano fantástico e Fabianski também estava lá», começou por dizer, antes de abordar o que o impediu de se estrear de leão ao peito e que só lhe foi explicado por Keizer.
«No Sporting, foi uma questão política: o presidente Bruno de Carvalho queria-me, e aqueles que o substituíram declararam-me guerra. Uma transferência de 3 milhões de euros e nem um particular [na verdade, Viviano jogou ], nem sequer uma vez no banco. O [treinador Sinisa] Mihajlovic nem sequer se estreou, os outros treinadores vinham perguntar-me: 'Porque é que não jogas?' 'Como é que eu vou saber?' O quarto treinador, Marcel Keizer, explicou-me: 'Há uma ordem para não te convocar'», revelou.
Já no que diz respeito ao Inter, a culpa, garante, foi a falta de paciência que teve, por ter à frente na hierarquia pela baliza um ex-Benfica.
«Na minha carreira, tomei várias decisões precipitadas, e esse é o meu único verdadeiro arrependimento. Nunca joguei porque fiz tudo o que podia para sair, contra a vontade do clube: o Júlio César estava no último ano de contrato, e o clube estava a pensar em algo novo e até me disseram isso, mas eu não acreditei. Uma asneira», resume.
Viviano recorda ainda um episódio que envolve José Mourinho, então treinador do Inter, quando o passe do guarda-redes era copropriedade do clube de Milão e do Bolonha, e Mourinho fez questão de lhe mostrar que estava de olho nele.
«Jogámos uma vez contra o Inter e ele fez isso à maneira dele: ficou atrás da minha baliza durante todo o aquecimento. Era a forma de ele dizer ‘estou de olho em ti’ para perceber de que forma eu reagia à pressão. E foi uma forma inteligente de me pressionar naquele jogo, claro», lembra.
Ainda assim, a confissão mais polémica feita por Viviano diz respeito à época em que representou o Arsenal, e diz respeito à véspera de um jogo com o Everton, em Liverpool.
«Não fui convocado e fui sair para me divertir. Por volta das duas da manhã, saí para fumar um cigarro e li uma mensagem de texto: ‘O Fabianski está doente: um carro vai buscar-te às 6h30.' Eu tinha bebido meia garrafa de vodca. Entrei, fui ter com o meu amigo, dono do bar, e pedi para ele ler a mensagem. Ele olhou para mim e perguntou: 'E agora?'. 'Agora? Traz-me mais vodca!'», introduziu.
O pior, como seria de esperar, veio depois, já no estádio do Everton, depois de uma noite que se prolongou até altas horas.
«Entrei no balneário e o grande Santi Carzola diz-me: ‘tresandas a álcool’, que vergonha! Foi a única vez na minha vida em que quase tive um ataque de pânico, estava cego e repetia para mim mesmo: 'Se tiver de entrar em campo, a minha carreira acabou’», revelou.