Bednarek festeja efusivamente o golo de Fofana (Foto Catarina Morais/Kapta+)
Bednarek festeja efusivamente o golo de Fofana (Foto Catarina Morais/Kapta+)

Bednarek é um xerife à antiga, Mora um talento do mais moderno (as notas do FC Porto)

Polaco é ouro comprado a preço de saldos e o prodígio português não rende juros no banco mas tem muitos créditos dentro de campo. Caprichos da bola impediram Diogo Costa de ser herói. Grande estreia de Fofana
Melhor em campo: Bednarek (8)
Em tempo de crise, o valor do ouro costuma ser um bom investimento pois não desvaloriza. Em sentido inverso, não se consegue comprar a preço de saldo. Isto é no mercado financeiro, porque no futebol, para bem do FC Porto, não é assim, tendo em conta que os dragões conseguiram comprar o passe de Bednarek por um valor bem acessível — €7M — comparativamente aquilo que se pratica hoje em dia e o polaco vale ouro, sobretudo em termos defensivos. Descrever todos os cortes efetuados pelo ex-Southampton daria para encher muitas páginas e aqui o espaço é limitado, mas o que não é limitada é a preponderância do central, um daqueles centrais à antiga que comanda toda a equipa. E se o leão não feriu muito o dragão muito se deveu ao camisola 5. Quem diria que o Xerife de Slupca já vai nos 29 anos...

Diogo Costa (7) — Jogo perfeitamente descansado até aqueles momentos após o golo portista em que o Sporting começou a apertar. Podia ter sido herói incontestável ao defender o penálti de Luis Suárez e foi o que fez, mas a bola tem caprichos insondáveis e ficou ali à mercê do colombiano, para que este fizesse a recarga sem grande dificuldade.

Alberto (7) — Em termos defensivos teve muito pouco trabalho porque os homens da sua área de jurisdição não estavam inspirados por aí além e aproveitou para na segunda parte subir e dar amplitude ao jogo portista. No lance do golo, incorporou-se no ataque e ainda fez um dos remates que esbarrou no primeiro muro levantado pelo setor mais recuado do Sporting que só ruiu ao segundo remate de Fofana.

Kiwior (6) — Não se mostrou numa bitola tão elevada como o companheiro do lado, o que também seria complicado, mas tem uma característica que o faz ganhar muitos pontos: a qualidade de passe, o que faz com a equipa salte muitas linhas de pressão. Saiu lesionado e deixa a nação portista em alerta.

Martim Fernandes (6) — O início da partida foi complicado, pois Geny Catamo estava em alta rotação mas a partir do momento em que começou a ter maior ajuda de Borja Sainz encontrou-se e a segunda parte foi tranquila. Entre o deve e o haver, sem deslumbrar, fez uma exibição agradável.

Froholdt (6) — Já não tem a intensidade do início da temporada mas, diga-se, já está melhor do que em algumas partidas recentes. Começou mais descaído para a direita, mas como é impossível domar um Mustang, andou também pelo meio e pela esquerda. A defender, ajudou a segurar Luis Suárez. Não foi um regalo para os olhos mas não foi mau. Longe disso.

Alan Varela (7) — Jogou na posição central do meio-campo e muitas vezes encaixou nos defesas centrais para formar uma linha de cinco. E já na compensação poderia ter saído incólume da lava que brotava do ataque leonino, impedindo o golo de Hjulmand (90+7), algo que festejou como se de um golo se tratasse. Só não contava que, depois disso, Francisco Moura errasse, mas na nação portista também já ninguém contava…

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Gabri Veiga (4) — Entre um holograma e um fantasma o espanhol que se apresentou no Dragão, tendo em conta que não se deu bem com o futebol muito amarrado durante o tempo em que esteve em campo. Quando teve oportunidade de mostrar a qualidade de colocação de bola, num  livre lateral (45+5), meteu o esférico no terceiro poste… Como este não existe…está tudo dito.

Pepê (6) — Foi dos primeiros dar chama ao dragão com investidas pela direita e manteve sempre um nível bem razoável, apesar de, a certa altura, se ter envolvido em discussões estéreis com Maxi Araújo. Nenhum deles ganhou a contenda, perdeu o espetáculo.

 Samu (6) — Melhorou substancialmente num aspeto em em relação ao jogo do com o Casa Pia: o receber a bola de costas para a baliza adversária e ser o pivô ofensivo a servir os companheiros para desenharem esquemas. Começou por queixar-se por volta dos 40 minutos e só aguentou até ao intervalo. Mas cumpriu enquanto esteve em campo.

Borja Sainz (5) — Em boa verdade, não se mostrou em termos ofensivos e, portanto, não conferiu profundidade ao flanco esquerdo. Passa no limite na avaliação porque a partir dos 25 minutos começou a ajudar mais no terço defensivo Martim Fernandes a travar Geny Catamo. Porém, esteve longuíssimo do brilhantismo.

 Deniz Gul (5) — Muito mais posicional do que Samu mas teve o mérito de ganhar a bola a Hjulmand no lance que resultou no golo portista. Ajudou a desgastar a defesa leonina.

Rodrigo Mora (7) — Disse recentemente que está muito mais jogador porque perceciona melhor as movimentações coletivas mas, acima de tudo e qualquer coisa, está o talento do mais moderno que há. Aquela dança a desconjuntar Fresneda na jogada do golo portista é soberba, como soberba foi o corte que efetuou pouco depois e que festejou como se de um golo se tratasse. No banco não rende juros e no terreno de jogo tem muitos créditos. Uma questão para Farioli repensar.

Fofana (7) — Se calhar ainda não sabe o nome de todos os companheiros de equipa pois chegou há muito pouco tempo ao dragão, tendo-se estreado, mas de certo sabe os caminhos da baliza adversária, não só pelo golo que marcou mas também como pela forma como insistiu até que este aparecesse. Tem um raio de ação muito abrangente, capacidade física invejável e qualidade técnica.

Thiago Silva (5) — Na fase final em que o leão carregou não se entendeu muito bem com as trocas posicionais contrárias.

Francisco Moura (3) — Quem mesmo que inadvertidamente comete um erro que custa pontos que poderiam colocar a equipa numa posição muito confortável na luta pelo título tem de ter uma avaliação baixinha…