Mike Vrabel lidera a equipa de New England

Patriots lutam por novo baile inolvidável à boleia de novos protagonistas

Cultura vencedora em New England foi renovada, após cinco temporadas de desconhecido insucesso. Quatro meses bastaram para revolucionar uma equipa habituada ao brilho da ribalta e dos anéis de campeão

«Em New England só contam Super Bowls». A frase proferida pelo antigo jogador dos Patriots Devin McCourty nos primeiros meses da presente temporada sobre o potencial do quarterback Drake Maye demonstra a exigência de uma equipa habituada ao doce sabor do triunfo no século XXI.

Entre 2002 e 2019, os Patriots conquistaram seis títulos em nove participações no Super Bowl. O sucesso arrebatador de New England é indissociável de Tom Brady e Bill Belichick, sérios candidatos ao rótulo de melhor quarterback e melhor treinador, respetivamente, da história da NFL.

Tom Brady e Bill Belichick, em 2019 - Foto: IMAGO

A saída de Brady, em 2019, e o fim de ciclo da constelação de estrelas que abrilhantou a cidade de Foxborough durante duas décadas de triunfos em massa precipitaram a queda de uma dinastia. Os Patriots terminaram apenas uma das últimas cinco temporadas com mais triunfos que derrotas e bateram no fundo em 2023/24, com quatro vitórias somadas em 17 jogos.

Ao impacto do pior registo da equipa desde 1992, acresceu o da saída de Bill Belichick, ao fim de 22 temporadas no clube. A época desastrosa, ainda assim, deu o primeiro fruto da nova colheita de excelência em Boston: o quarterback Drake Maye foi a terceira escolha do draft de um franchise desesperado por um novo salvador.

O início de Maye em New England - Foto: IMAGO

A temporada de estreia, sob o comando do novo treinador Jerod Mayo, não foi impressionante e os Patriots terminaram 2024/25 com apenas quatro triunfos, pela segunda temporada consecutiva.

Reviravolta total em menos de seis meses

O caminho de regresso ao topo parecia demorado e sinuoso, mas quem está habituado a vencer conhece atalhos. Os Patriots começaram a trilhar a rota do sucesso quando efetuaram mudanças na equipa técnica em janeiro: saiu Jerod Mayo, entrou Mike Vrabel.

O antigo comandante dos Tennessee Titans tinha créditos em New England antes sequer do pontapé de saída do primeiro jogo da pré-época. Vrabel conquistou três títulos em oito temporadas como um dos esteios da defesa dos Patriots, entre 2001 e 2008.

O regresso a New England de um dos melhores treinadores disponíveis deu o pontapé de saída a uma lição de reconstrução do plantel comandada pela direção do franchise. Os Patriots recrutaram unidades experientes livres no mercado ou que precisavam de um novo rumo na carreira..

Os veteranos Stefon Diggs Mack Hollins e Morgan Moses elevaram o nível do ataque, enquanto Harold Landry III, Robert Spillane e Carlton Davis III, transformaram uma defesa promissora encabeçada por Christian Barmore e Christian Gonzalez numa força da natureza, liderada por um homem resiliente. Terrell Williams seguiu Vrabel até New England para ser coordenador defensivo pela primeira vez na carreira.

A oportunidade da carreira do treinador de 51 anos foi interrompida, contudo, pelo diagnóstico de cancro na próstata, na sequência da primeira jornada da fase regular. Williams ausentou-se para tratar um obstáculo que não evitou que continuasse em contacto permanente com os jogadores e com a equipa técnica.

A homensagem de New England a Terrell Williams - Foto: imago

Cinco meses depois, os Patriots anunciaram a recuperação de Terrrel Williams, que rumou com a equipa para a Califórnia, onde será disputado o jogo decisivo. Mesmo sem o treinador de 51 anos a tempo inteiro, a turma de New England terminou a fase regular no top-5 em todas as categorias defensivas e concedeu apenas 26 pontos nos três jogos já disputados nos play-offs.

Drake Maye e mais dez

O trabalho de reconstrução dos Patriots culminou nas escolhas de, entre outros estreantes com impacto significativo na época, de Will Campbell e TreVeyon Henderson no draft, em abril de 2025. As apostas num dos melhores projetos para a linha ofensiva e num running back com mãos de receiver permitiram reforçar a proteção e o lote de armas para Drake Maye.

Bem protegido e com opções de elite para atirar, o quarterback de 23 anos explodiu em 2025. Eficaz, atrevido e competente na corrida, Maye registou mais de 4.300 jardas de lançamento, foi o terceiro jogador com mais touchdowns lançados (31) e liderou os Patriots até 14 vitórias e três derrotas na fase regular.

A temporada inacreditável rubricada conquistou os adeptos dos Patriots e quase lhe rendeu o MVP, no segundo ano na liga. Maye recebeu apenas menos um voto do que o vencedor Matthew Stafford, de 37 anos.

Ao contrário do quarterback dos Rams, Maye tem a hipótese de conquistar o título e de desafiar o legado do Deus que um dia governou Foxborough. Já, Mike Vrabel, eleito treinador do ano a três dias do Super Bowl, procura também distinguir-se do antigo comandante da dinastia e tornar-se no primeiro a conquistar o campeonato como jogador e técnico, ao serviço do mesmo clube.

Resta saber se Malcom Butler, jogador praticamente desconhecido que deu o campeonato aos Patriots nos últimos minutos da única final disputada contra Seattle, a 1 de fevereiro de 2015, terá substituto com igual dramatismo.