Nuno Santos jogou  43 minutos o regresso à competição pela equipa principal - Foto: Miguel Nunes
Nuno Santos jogou 43 minutos o regresso à competição pela equipa principal - Foto: Miguel Nunes

Sporting: Nuno Santos será poupado no Dragão

Sujeito a tempo extra na Taça de Portugal é preciso dosear nova utilização. Psicóloga Liliana Pitacho fala em cuidados

Brilho nos olhos, cabeça bem erguida, um beijo na camisola 11 cuidadosamente colocada nas costas da cadeira onde se sentou no banco de suplentes e um sorriso do tamanho do Mundo quando, aos 77 minutos, rendeu Trincão no jogo dos quartos de final da Taça de Portugal, diante do Aves SAD. Entrou com o pé direito, benzeu-se e respondeu aos adeptos que o aplaudiam de pé nas bancadas de Alvalade com a mão direita a bater no símbolo do leão, envergado mesmo por cima do coração, visivelmente emocionado, naquele que foi o regresso à equipa principal.

Nuno Santos rendeu Trincão - Foto: Miguel Nunes

Foram 15 longos meses de paragem, devido a intervenção cirúrgica ao joelho direito, na sequência de rotura total do tendão rotuliano, naquela que foi a terceira lesão do género na carreira (a primeira ao serviço do Benfica, em 2015, a segunda com a camisola do Rio Ave, em 2018).

E o regresso aos relvados, sem limitações, conheceu alguns recuos. Em primeira instância, Nuno Santos quis regressar na final da Taça de Portugal da época passada (em finais de maio), depois o prazo foi adiado para a Supertaça Cândido de Oliveira (final de julho), até que a Unidade de Performance decidiu que o retorno apenas aconteceria quando não houvesse o mínimo risco de recidiva.

Regressado à ação em Alvalade, Nuno Santos acabou por ser posto à prova mais tempo do que aquilo que estava programado. Lançado aos 77 minutos, numa altura em que o Sporting vencia por 2-1 e tinha o jogo dos quartos de final da Taça de Portugal (aparentemente) controlado, o Aves SAD fez o empate através de uma grande penalidade, levando o encontro para prolongamento (somando 10 minutos de compensação além dos 90), ou seja, mais meia-hora para o ala.

No final, com o polegar para cima dava indicações de que não sentia dor. Contudo, segundo A BOLA apurou, o esquerdino segue com a comitiva para o Norte do País, mas não está nos planos somar minutos no Dragão, em clara proteção de excesso de carga em competição e, como diz o ditado, «mais vale prevenir do que remediar».

«Há medos e hesitações»

A BOLA falou com a psicóloga Liliana Pitacho que explicou que além do trabalho física, nesta fase, o psicológico é fundamental.

«Quando há lesões recorrentes e paragens muito prolongadas, é normal que o regresso à competição seja acompanhado de muitos medos e hesitações. A adaptação à nova fase de competição pode ser sempre mais limitada devido a esses receios, do contacto, de determinados movimentos, a estar mais atento à parte física e a qualquer dor que possa surgir do que necessariamente a alguns lances de jogo e isso pode-se ressentir na fase inicial. Mas, com certeza, tendo em conta todo o dispositivo da área clínica que o clube tem, acredito que o atleta esteja a ser acompanhado e a preparação deste regresso tenha sido feita também do ponto de vista mental», sublinhou.

Liliana Pitacho é psicóloga e colunista de A BOLA

O facto de ter sido muito aplaudido quando entrou no campo em Alvalade, sentido o carinho dos sportinguista, é, na opinião da psicóloga, cronista de A BOLA e também docente Instituto Politécnico de Setúbal, diz ser também importante: «O jogador sempre sentiu que o seu regresso era desejado, acho que isso ficava patente muitas vezes, quer junto dos adeptos, quer mesmo junto da equipa técnica e isso, obviamente, é uma motivação, mas também é uma pressão suplementar.»

«A questão de estar de volta, a pressão do peso do regresso e o receio de uma futura lesão pode colocar o atleta sobre pressão extra. Cria uma ansiedade maior para quem entra em competição, porque existe exatamente esse lado, o facto de perceber que o seu regresso é muito desejado com o receio da lesão vai aumentar estes níveis de ansiedade e estes níveis de ansiedade podem não ser só prejudiciais na questão do desempenho em si, mas também podem ser prejudiciais na própria lesão, ou seja, na propensão para a lesão. Sabemos que quanto maior os níveis de ansiedade, maior a propensão de lesão nos atletas, porque o foco está mais disperso e, portanto, pode acontecer com maior probabilidade. Mas, acredito que a preparação para o regresso também tenha sido feita a nível mental», concluiu.