Carrick recuperou Mainoo como aposta inicial - Foto: IMAGO
Carrick recuperou Mainoo como aposta inicial - Foto: IMAGO

Manchester United: duvidem sempre do chicote

Michael Carrick simplificou, ganhou e fez o Manchester United subir. Rúben Amorim saiu e ficou com o rótulo fácil do fracasso — típico de um clube que confunde alívio com cura

Michael Carrick passou a ser a última bolacha do pacote no que diz respeito a treinadores pós-Ferguson. Em quatro jogos soma outras tantas vitórias, o que catapulta o Manchester United até um lugar de Liga dos Campeões, algo que ameaçou apenas com Rúben Amorim ao leme. Ao mesmo tempo, ao português fica colado um pesado rótulo de fracasso, dado que, com a mesma massa crítica, não conseguiu entregar, pelo menos, uma ideia de evolução semelhante. Além das perspetivas arruinadas a um jovem adepto dado a promessas estranhas de um bom corte de cabelo. Pior, assim que se aproximavam dos quatro primeiros, os red devils fraquejavam, falhando a ultrapassagem. Algo que parece um pouco incapacidade do técnico em passar a mensagem. O que não faz sentido.

O rótulo, mesmo com esta resposta após a sua saída, é exagerado. O processo de reabilitação de um gigante envolve muitas decisões difíceis, alguma casmurrice e, sobretudo, ser capaz de dizer muitas vezes «não» para obter um «sim» coletivo aos seus interlocutores. Não funcionou, porém não estou tão certo que, com mais tempo, não fossem dados ainda mais passos firmes no sentido da recuperação total da equipa e do próprio clube, em termos de cultura de vitória. No relvado e também nos vários departamentos. Mas só se a falha geológica não tivesse sido aberta pelo diretor para o futebol Jason Wilcox, quando se meteu onde não nunca foi chamado.

O que Carrick fez foi descomplicar. Porque era visto como a causa de todos os problemas, o 3x4x3 foi para a gaveta. O que aliviou os jogadores, mentalmente e taticamente. O que era de Amorim passou a estar obsoleto, como outras medidas que o ex-técnico do Sporting colocara em ação. As portas reabriram-se para Rashford, tal como estariam reabertas para Garnacho, se ainda fosse possível o regresso do internacional argentino. Até talvez para Ronaldo. O United passou a sentir-se bem com os pressupostos que existiam quando o clube estava mal e, paradoxalmente, os resultados apareceram. Os jogadores sentiram-se livres. Uma vitória levou a outra. Carrick aponta a ficar em definitivo e a nova época trará mais ambição, sobretudo se a atual acabar em bom plano. Sobretudo se os rivais continuarem a vacilar como até aqui.

O antiinflamatório tira apenas a dor, não vai à raiz dos problemas. O curto prazo pode estar garantido, mas há muita pedra ainda por partir no caminho. É por isso que o chicote falha tantas vezes.