Deniz Gul tem 4 golos em 26 jogos esta época, todos como suplente utilizado. Foto Catarina Morais/Kapta+
Deniz Gul tem 4 golos em 26 jogos esta época, todos como suplente utilizado. Foto Catarina Morais/Kapta+

O bloqueio que Deniz Gul tem de ultrapassar quando é titular

Somou jogo 50 na Madeira e quer aproveitar o vazio deixado por Samu para se afirmar em definitivo, mas a realidade é que todos os golos que marcou no FC Porto foram como suplente utilizado. Moffi já apareceu na Choupana, confiante e a querer minutos...

A tarde na Choupana marcou um pequeno-grande marco na carreira azul e branca de Deniz Gul. O internacional turco foi titular pela primeira vez nesta edição do campeonato, coincidindo com o seu 50.º jogo pelo FC Porto — ainda que apenas o 12.º de início. Nunca tinha marcado partindo do onze inicial, e também frente ao Nacional acabou por sair discreto de uma partida onde os dragões mostraram menos do seu habitual jogo interior, precisamente a zona onde Gul mais brilha no apoio aos médios e extremos.

Esta época, os quatro golos apontados pelo atacante foram todos como suplente utilizado: Arouca (4-0), Moreirense (2-1), Sintrense (3-0) e Viktoria Plzen (1-1). Na temporada passada terminou com apenas duas finalizações, também a sair do banco, numa matriz teimosa que se prolongou por 2025/26, sempre na sombra de Samu.

Na Madeira, Farioli apostou num ataque mais aberto, pelos corredores, e menos de toque curto entre linhas — uma tendência que limitou o raio de ação de Gul frente a um Nacional que o anulou muito bem. O resultado foi uma vitória muito importante para os dragões na corrida para o título, mas também um FC Porto com uma das mais baixas percentagens de expectativa de golo da Liga, num jogo de fraca inspiração ofensiva e em que o turco acabou substituído aos 73 minutos por Moffi.

Moffi já espreita

Manterá Deniz Gul a tão desejada sequência de titularidades frente ao Rio Ave? É tudo o que pedia quando chegou ao FC Porto ainda sem a marca profunda de goleador, mas com algum estatuto consolidado nos sub-21 da Suécia que fazia os adeptos portistas sonhar - e até uma música que cai fácil no ouvido lhe dedicaram.

Tudo dependerá da forma de Terem Moffi, cuja entrada na Madeira foi um primeiro sinal de vida. Em estreia, o nigeriano mostrou ter recuperado algum fulgor físico e a confiança. Moffi tem contas próprias a saldar — tanto com o futebol como consigo mesmo — depois do conturbado final de ciclo no Nice, onde foi um dos alvos de um violento protesto de adeptos em novembro que acelerou a saída do emblema francês.

No Dragão, reencontrou Francesco Farioli, o treinador que o conhece melhor do que ninguém, e que se esforçou para convencer a SAD trazer o atacante por empréstimo. A lesão grave de Samu sinalizou a pertinência desse movimento no mercado de inverno.

No entanto, as circunstâncias empurram Deniz Gul para o centro das decisões. A ausência de Samu — o melhor marcador portista, com 20 golos, 13 dos quais na Liga — abriu uma ferida profunda no ataque azul e branco, deixando Farioli sem o seu avançado mais letal. Com Luuk de Jong ausente há largos meses, o técnico italiano precisa de um novo ponto de referência, alguém que alie inteligência na área a instinto de finalização.

É aí que Gul pode tentar renascer, agarrando finalmente o protagonismo que tanto esperava desde que chegou do Hammarby IF, no verão de 2024, por 4,5 milhões de euros. A temporada ainda reserva campeonato, Taça e Liga Europa — três palcos onde o turco pode reconstruir a sua história no Dragão.

Nesse labirinto competitivo, Gul sabe que já não basta saber ligar jogo: tem de transformar boas intenções em números, sob pena de ver Moffi ocupar em definitivo o espaço que ambiciona. A receção ao Rio Ave pode ser o ponto de viragem para um avançado que fez da paciência uma arma silenciosa, mas que agora precisa de dar um murro na mesa. O momento pede mais instinto — porque, num FC Porto órfão de Samu, cada oportunidade perdida aproxima Gul do lado errado da história.