JO: coreógrafo de 16 patinadores revela ter recebido «muitas ameaças de morte»
Benoît Richaud, que se tornou uma das estrelas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina ao trabalhar com 16 atletas de 13 países, denunciou o lado negro da sua profissão, revelando ter sido alvo de ameaças por parte de adeptos.
O coreógrafo francês, destacou-se nas provas de patinagem artística pelas suas constantes trocas de casaco entre as atuações dos seus atletas - num momento, está ao lado do americano Maxim Naumov. No seguinte, está com o francês Adam Siao Him Fa. Depois, com o canadiano Stephen Gogolev. A seguir, com o mexicano Donovan Carrillo. E tudo isto com casacos de diferentes seleções nacionais.
Richaud explicou que a sua vasta carteira de clientes lhe trouxe, no entanto, consequências graves.
13 countries, 16 skaters, one choreographer. When you work at this level, your wardrobe has to keep up. Benoit Richaud: globalization on ice.
— Ramin Nasibov (@RaminNasibov) February 15, 2026
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«Houve muitas vezes mensagens de ameaças de morte, muitas vezes», afirmou, detalhando a origem das mesmas. «Da Coreia do Sul, do Japão, de adeptos da China, de americanos. Como tenho muitos patinadores... Dizem-me: 'este ano, fizeste um programa...', não vou dizer as palavras», detalhou à France Télévisions.
Richaud explicou como a rivalidade entre adeptos afeta os atletas, dando o exemplo do prodígio americano Ilia Malinin. «Basta que tenhas adeptos do japonês [Yuma Kagiyama] um pouco histéricos, que não gostem do Ilia e que lhe escrevam mensagens más», acrescentou.
Recorde-se que Malinin, que liderava a competição após o programa curto, sofreu duas quedas durante o programa livre, o que o fez cair para o oitavo lugar e desfez as suas esperanças de uma medalha olímpica. Na terça-feira, o patinador americano recorreu às redes sociais para denunciar o ciberassédio de que foi vítima, apontando-o como a causa do seu colapso.
«No maior palco do mundo, até os que parecem mais fortes travam batalhas interiores invisíveis. O ódio online, vil e virulento, ataca o espírito e o medo arrasta-o para as trevas, apesar de todos os esforços para manter a cabeça fria perante esta pressão insustentável. Tudo se acumula, essas imagens passam diante dos teus olhos, até ao colapso inevitável», escreveu Malinin.
Benoît Richaud, confirmou ter notado o mal-estar do atleta desde o início dos Jogos. «Concretamente, sim, isso afetou muito a sua saúde mental. Víamos bem que não era ele. Normalmente, o Ilia é um lutador, um tipo que adora a competição e, ali, vias, desde o início e na prova por equipas, que ele não estava presente», concluiu.