Benoit Richaud com Maxim Naumov
Benoit Richaud com Maxim Naumov

JO: coreógrafo de 16 patinadores revela ter recebido «muitas ameaças de morte»

Benoit Richaud é um dos homens mais atarefados em Milão-Cortina

Benoît Richaud, que se tornou uma das estrelas dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina ao trabalhar com 16 atletas de 13 países, denunciou o lado negro da sua profissão, revelando ter sido alvo de ameaças por parte de adeptos.

O coreógrafo francês, destacou-se nas provas de patinagem artística pelas suas constantes trocas de casaco entre as atuações dos seus atletas - num momento, está ao lado do americano Maxim Naumov. No seguinte, está com o francês Adam Siao Him Fa. Depois, com o canadiano Stephen Gogolev. A seguir, com o mexicano Donovan Carrillo. E tudo isto com casacos de diferentes seleções nacionais.

Richaud explicou que a sua vasta carteira de clientes lhe trouxe, no entanto, consequências graves.

«Houve muitas vezes mensagens de ameaças de morte, muitas vezes», afirmou, detalhando a origem das mesmas. «Da Coreia do Sul, do Japão, de adeptos da China, de americanos. Como tenho muitos patinadores... Dizem-me: 'este ano, fizeste um programa...', não vou dizer as palavras», detalhou à France Télévisions.

Richaud explicou como a rivalidade entre adeptos afeta os atletas, dando o exemplo do prodígio americano Ilia Malinin. «Basta que tenhas adeptos do japonês [Yuma Kagiyama] um pouco histéricos, que não gostem do Ilia e que lhe escrevam mensagens más», acrescentou.

Recorde-se que Malinin, que liderava a competição após o programa curto, sofreu duas quedas durante o programa livre, o que o fez cair para o oitavo lugar e desfez as suas esperanças de uma medalha olímpica. Na terça-feira, o patinador americano recorreu às redes sociais para denunciar o ciberassédio de que foi vítima, apontando-o como a causa do seu colapso.

«No maior palco do mundo, até os que parecem mais fortes travam batalhas interiores invisíveis. O ódio online, vil e virulento, ataca o espírito e o medo arrasta-o para as trevas, apesar de todos os esforços para manter a cabeça fria perante esta pressão insustentável. Tudo se acumula, essas imagens passam diante dos teus olhos, até ao colapso inevitável», escreveu Malinin.

Benoît Richaud, confirmou ter notado o mal-estar do atleta desde o início dos Jogos. «Concretamente, sim, isso afetou muito a sua saúde mental. Víamos bem que não era ele. Normalmente, o Ilia é um lutador, um tipo que adora a competição e, ali, vias, desde o início e na prova por equipas, que ele não estava presente», concluiu.