Mourinho: «Época no Benfica foi muito boa, conta como o meu nono título»
José Mourinho voltou a abrir o livro sobre alguns dos momentos mais marcantes da carreira, numa entrevista ao podcast Beast Mode On, de Adebayo Akinfenwa. Entre recordações da época no Benfica, da conquista da Liga dos Campeões pelo FC Porto, do Mundial 2026 e do futuro no Real Madrid, o treinador português deixou várias revelações sobre o percurso que construiu ao mais alto nível.
Um dos temas abordados foi a temporada que agora finda, em que o Benfica conseguiu a proeza e terminar o campeonato invicto, mas sem conquistar o título, terminando na terceira posição, atrás de FC Porto e Sporting. Mourinho respondeu com o seu habitual humor: «Se queres uma resposta engraçada e ao mesmo tempo arrogante... ganhei oito campeonatos, mas nunca invicto. Por isso, este agora conta como o nono! [risos] Não é um título, mas é um bom sentimento. Ajuda a arrefecer a má sensação de não ganhar o troféu.»
«Sabes como são os adeptos em Portugal, Espanha, Itália... somos latinos, muito emocionais. Ao não perder jogos e ao marcarmos golos no último minuto, mostramos respeito por eles. Não comecei essa época, cheguei a meio, e até fizemos uma boa época, mas o FC Porto ganhava, ganhava e ganhava. No momento em que empatas um jogo, a distância aumenta e não conseguimos apanhá-los. Mas o sentimento de ser imbatível é bom.»
Quando o assunto passou para a final da Liga dos Campeões de 2004, conquistada pelo FC Porto frente ao Mónaco, Mourinho não escondeu o orgulho. «A memória é que fizemos algo incrível. O facto é que, desde então, nenhum clube português voltou a ganhar, nem a jogar uma final, nem sequer uma meia-final. Isso dá-te a dimensão do que fizemos. Foi como tocar o céu», disse, revelando também que já tinha tudo acertado com o Chelsea antes dessa final e explicando como geriu a situação: «Tive de acumular muita coisa nas semanas antes da final. O trabalho, a pressão do cargo, o facto de não dizer que ia sair, porque não queria que os jogadores soubessem, tentar esconder as coisas que só eu, o presidente do FC Porto e as pessoas do Chelsea sabíamos. No fim do jogo, pensei: ‘Trabalho feito, trabalho incrível, agora é tempo de respirar e seguir em frente’.»
«Portugal devia ganhar o Mundial, mas... »
Questionado sobre o Mundial 2026, Mourinho mostrou confiança em Portugal, mas sem esquecer a concorrência. «Deviam [ganhar]. Mas não estão sozinhos.» Sobre um possível adversário na final, voltou a apontar à Inglaterra. «Eu digo sempre Inglaterra. Os melhores jogadores do mundo estão na Premier League.»
Ainda sobre seleções, admitiu que um dia gostaria de assumir esse desafio: «O meu habitat natural é o futebol de clubes, mas quando vejo o Mundial ou o Euro, é algo que gostava de fazer. Um dia fá-lo-ei.»
«Espero que os jogadores do Real Madrid sejam eliminados»
Já a pensar no Real Madrid, clube que irá orientar a partir da próxima temporada, Mourinho deixou uma frase que rapidamente se tornou viral, quando questionado sobre o que espera do Mundial 2026. «Espero que os jogadores do Real Madrid percam cedo e vão de férias, porque os quero de volta para a pré-época», brincou.
«Lembro-me de ler que eu ia chegar ao Real Madrid e ia cortar as pernas aos jogadores de topo que tinham tido problemas na época anterior. Mentira! Eu quero esses jogadores. Agora, tenho é de encontrar maneira de ter uma equipa e não ter os problemas que eles tinham. Ter problemas com jogadores que não são muito bons, isso sim é um grande problema! Com os grandes jogadores, é fácil.»
Sobre a conquista de que mais se orgulha, surpreendeu ao não escolher uma Liga dos Campeões. A resposta foi clara: «Quando ganhámos a Liga Conferência em Roma. Aquela cidade ficou louca. O que fizemos por aquela cidade é algo que nem os vencedores da Champions conseguem fazer noutras cidades. O que fizemos em Roma foi inesquecível»
Por fim, quando lhe perguntaram qual o jogo que repetiria na carreira, Mourinho respondeu sem hesitar: «A final da Liga Europa, Roma contra Sevilha. Com um árbitro diferente.» Uma referência à polémica derrota dos italianos frente aos espanhóis, em 2023, que continua a marcar o técnico português.