Marco Silva aborda série de maus resultados das águias no Estádio da Luz, após empate com o Académico de Viseu

«Tristes, frustrados, mas sem meios caminhos»: tudo o que disse Marco Silva

Dois golos sofridos contra o Académico de Viseu tiraram treinador do Benfica do sério. Da resposta contundente sobre a rotação de guarda-redes à solução para os pontos perdidos

Marco Silva não escondeu a frustração pelo empate do Benfica diante do Académico de Viseu (2-2), na primeira jornada da Liga, na sala de imprensa do Estádio da Luz.

-O Benfica sai para o intervalo com 15 remates e um golo marcado. As oportunidades que não conseguiu concretizar foram decisivas para o resultado? De que forma é que a ausência dos adeptos teve impacto nas oportunidades que o Benfica não concretizou?

-A ausência dos adeptos teve grande impacto no jogo, não há que escondê-lo, mas não adianta falar sobre isso, vai soar a desculpa. Temos de olhar para aquilo que poderíamos e deveríamos ter feito de forma diferente para ganhar o jogo, mesmo sem adeptos. Mas também sou daqueles que acredita que marcando dois golos em casa, se não sofrermos, vai ser suficiente para ganhar. Tivemos muitas oportunidades, com uma eficácia normal seria um jogo para estar resolvido ao intervalo. Não o fizemos. Conversámos ao intervalo para ajustar algumas coisas, principalmente na nossa primeira pressão quando o adversário começou a baixar o médio para construir a três. Em organização ofensiva não nos criou praticamente problema nenhum. Os momentos que tiveram foram momentos de transição, algumas bolas longas ou alguns momentos de transição em que nós perdemos alguns duelos individuais que não podemos perder. Essa é que é a realidade. A forma como começa o canto que dá o primeiro golo, é um momento em que temos de ser agressivos. Temos de ganhar aquela bola e depois acompanhar os jogadores, é um momento de transição, não estamos em organização. Este tipo de coisas é que temos de melhorar rapidamente porque da forma como criámos e o número de oportunidades de golo que criámos iremos marcar. Hoje a ineficácia foi muito grande, mas é importante continuar a dar confiança aos jogadores, acertámos três bolas nos ferros. O que temos de corrigir muito e rapidamente é a forma como sofremos os golos e uma ou outra transição. Na maioria dos momentos até estamos em superioridade numérica, nem sequer estamos em igualdadade. Quando isso acontece temos de ser agressivos na forma como vamos disputar os lances e ganhá-los que é isso que temos que fazer quando estamos expostos em organização ofensiva e perdemos uma ou outra bola. Acima de tudo isso, sofremos dois golos que não deveríamos ter sofrido da forma como foram. O primeiro num canto e o segundo após um lançamento lateral. Temos de ter contacto com os avançados e com os jogadores que estão naquele momento na área, é assim que se deve defender. Vamos claramente melhorar nesse momento porque não há outra forma porque são momentos muito normais para nós concedermos como concedermos. Criámos muitas oportunidades, um caudal ofensivo muito grande, a equipa a ser dominante como tinha que ser, como queríamos ser também e depois fizemos um golo cedo que nos poderia ter dado ainda mais tranquilidade para procurar o segundo e depois tentar matar o jogo. Foi isso que continuámos a fazer mas infelizmente não marcámos. Tivemos uma boa reação ao empate, marcámos rapidamente o 2-1 e mesmo assim não foi suficiente para não sofrermos mais golos. Um resultado muito mau para nós, não há que escondê-lo. Agora é preparar o jogo de quinta-feira e depois virá o próximo do campeonato.

-O Benfica joga normalmente apenas com um avançado posicional, mais posicional. Hoje excecionalmente acabou por colocar dois [Pavlidis e Durán]. O seu rumo enquanto treinador aponta para apenas um elemento mais posicional à frente?

-Não vou dizer que será sempre, mas acima de 90% será o ponto de partida será com um avançado posicional e depois com os posicionamentos que criamos quer pelos alas quer pelos jogadores mais interiores, será por aí. Terminámos com dois. Houve um momento em que sentimos o Prestianni já um pouco mais desgastado, estava a ser claramente o homem do jogo pela forma como estava a ser desequilibrador,, como conseguiu construir praticamente em todas as zonas do terreno, à esquerda onde começou, bem aberto, construiu muito o nosso caudal ofensivo na primeira parte e como faz o golo também. Quando retirámos o Rafa da área, colocámo-lo um pouco mais por dentro junto ao Andreas [Schjelderup] para termos o Prestianni mais por dentro com o Andras por fora. Fomos tentando de várias formas. Depois já muito desgastados, acabámos por partir para a situação com dois avançados, ser o Pavlidis partir daquela zona para chegar mais perto do Durán. Tentámos dar largura total também no corredor direito sem o Rafa, já com o Lukebakio. Continuámos a criar oportunidades, a realidade é que não conseguimos colocar a bola dentro da baliza e fomos penalizados com um resultado muito negativo para nós.

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-Samuel Soares voltou a ser titular. Está convicto de que é o seu guarda-redes para atacar o título?

-O Samuel, o Trubin e o Diogo [Ferreira] são os guarda-redes do Benfica, fazem parte do plantel e é com eles que contamos.

-O que é que aconteceu neste jogo que não aconteceu diante do Hearts [6-1], em termos de falta de eficácia?

-Não é assim tão fácil arranjar soluções já para a falta de eficácia. Por vezes, há jogos assim, em que criamos muito e não conseguimos fazer o número de golos coincidente com as oportunidades que criámos. Esta noite é claramente um desses exemplos. Não há explicação para numa quinta-feira sermos eficazes, e também tivemos muitas oportunidades para fazer mais golos, e depois no domingo seguinte já não sermos tão eficazes. Não há explicação clara que possa dar sobre porque é que aconteceu de uma forma ou outra. São situações que aconteceram. Não entrando só por essa parte de eficácia, quando sofremos dois golos da forma como sofremos normaçmente vamos ter dissabores e foi o que aconteceu. Se tivéssemos feito mais dois ou três golos como deveríamos ter feito iríamos acabar por ganhar o jogo, mas, na mesma, sofrendo golos assim não estaríamos contentes. Seriam pontos importantes para nós, mas não poderíamos estar contentes pela forma como sofremos os golos. Falta de concentração? É óbvio que na fase final há ali alguma ansiedade de tentarmos fazer o golo e isso parece-me claro, é uma situação natural, mas não me parece falta de concentração. Podemos falar de concentração noutros momentos mais importantes do que propriamente em momentos de finalização em que não conseguimos colocar a bola dentro da baliza.

- O Benfica viu um dos rivais ontem deslizar, sabe que outro [FC Porto] venceu. Que impacto é que esta entrada em falso no campeonato poderá ter para uma equipa que ainda ainda está a tentar reagir a tudo o que aconteceu na época passada?

-O impacto é a frustração que está dentro de nós e que temos de levar para o caminho certo. Arustração naturalmente que está nos nossos adeptos neste momento também. Era um jogo para ganharmos, teríamos de ganhar e não conseguimos. Tristes, frustrados, mas sem arranjar meios caminhos por onde ir. É seguir em frente, esta é que é a realidade. Perdemos dois pontos que não deveríamos ter perdido, temos de ir buscá-los noutro campo e noutro tipo de jogos. Esta é a única forma que tenho de encarar este momento. Falou da época passada e de muitas coisas que não importam trazer para aqui. Neste momento acreditamos naquilo que estamos a fazer, temos um caminho a percorrer, há algumas situações ainda que temos de continuar a retificar o na composição da nossa equipa e tentarmos tornar o Benfica cada vez mais forte. Esse é o nosso objetivo. Perdemos dois pontos, é uma realidade. Para a semana mais um jogo muito importante para nós ganharmos.

-Na época passada o Benfica teve 11 empates no campeonato. Esta temporada arranca com um novo empate no Estádio da Luz. Os adeptos já se começam a habituar a estes maus resultados, principalmente no Estádio da Luz, queria perguntar o que é que é preciso fazer para o Benfica mudar nestas situações?

-O que há para mudar já expliquei em duas ou três questões que me foram colocadas. Em relação aos adeptos habituarem-se a isso, tenho a certeza que não se habituam de maneira nenhuma. Adepto deste clube não se habitua a empates em casa. Percebo que foi uma realidade aconteceu no ano passado e começámos claramente em falso com este empate. Uma coisa é o resultado que tivemos e alguns do ano passado, outra coisa é os nossos adeptos habituarem-se a isso, está longe de acontecer. Se estivessem dentro do estádio iríamos sentir a frustração, portanto se há coisa a que eles não se vão habituar nunca é a empates em casa. Em relação à explicação para este empate podemos ir por dois caminhos. O caminho por onde quero ir mais é pela forma como sofremos golos que não podemos sofrer a este nível. Ontem, na antevisão, falei de sermos sólidos, compactos. Uma coisa é termos mentalidade ofensiva, uma ideia clara de jogo, uma identidade como equipa em que queremos ser dominantes, jogar para ganhar claramente e há várias formas de o fazer. Outra questão que nos pode levar a um caminho que são ganhar títulos é a solidez, nos momentos certos estarmos concentrados, agressivos e termos contacto com adversário nos momentos que temos que ter contacto com o adversário para não acontecerem as oportunidades ou os golos que o adversário marcou hoje.

-Quando coloca Schjelderup em campo passa Prestianni para a direito. Essa mudança acabou por prejudicar o jogador e tirou alguma acutilância ao ataque do Benfica quando estava a tentar voltar à vantagem?

-O Benfica estava em vantagem quando o Andreas entrou no jogo. O Prestianni fez um excelente jogo, mais um grandíssimo jogo a criar de variadíssimas formas sobre o corredor e em cima doo adversário. A combinar bem. a esperar pelos momentos certos para o Dahl chegar. Naquele momento queríamos ainda dar mais acutilância ao nosso lado esquerdo e acima de tudo mexer na posição 10, esse foi o nosso objetivo, tirar o Rafa do corredor direito. Teríamos algumas soluções, quisemos manter aquilo que era a nossa estratégia desde o começo do jogo e que ofensivamente sinceramente estava a funcionar. Estávamos a criar oportunidades, mais com o ala mais por dentro e o lateral mais por fora, foi dessa forma que planeámos o jogo. O Prestianni nunca deixou de criar, mesmo na direita e quando passou para dentro.

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