Gilistas começaram desafinados e acabaram a cantar de galo (crónica)
Com duas novidades nos onzes, Gil Vicente e Rio Ave entraram na Liga 2026/27 desenhados de forma idêntica (4x2x3x1), construindo um jogo intenso, atípico na primeira metade, com muitos erros, nomeadamente do lado dos gilistas e que deu origem aos únicos momentos complicados para as balizas nesse período, porém não aproveitados pelos vilacondenses. E lesões que obrigaram a substituições precoces. Depois o jogo mudou com a expulsão de Ntoi, deixando o galo confortável para afinar na frente e cantar no final.
Para os equívocos dos minhotos muito contribuiu a equipa de Sotiris Silaidopoulos, que pressionou alto e incomodou a primeira fase de construção, originando passes errados que deram origem a situações de perigo para o inseguro Lucão. O primeiro momento erróneo foi duplo: Bezerra aproveitou a passividade e hesitação de Elimbi e o seu guarda-redes para se isolar, mas falhou o chapéu, e na sequência uma perda de bola de Cáseres deixou Galcik em posição de remate, que saiu rente ao poste esquerdo. Poucos minutos depois Elimbi foi providencial num corte a impedir que Bezerra finalizasse à boca da baliza, na sequência de má reposição de Lucão.
Na peculiar primeira metade também houve lugar a duas substituições precoces, uma para cada lado, devido a lesões. Weverson (16’) aleijou-se no ombro esquerdo e foi substituído por David Moreira – que também se lesionou perto de descanso, e acabou por ser substituído na segunda parte – e aos 24’ Ryan Guilherme, com queixas no pé esquerdo, deu o lugar a Tamble Monteiro.
Na questão dos percalços e desacertos, inverteram-se os papéis na segunda metade, com uma entrada imprudente de Ntoi a mudar o jogo. Gustavo Correia considerou que o médio dos vilacondenses entrou de sola sobre Santi Garcia e expulsou-o, deixando o Rio Ave reduzido a dez aos 47 minutos e a ter de sofrer até final.
Esse momento foi como um tónico para o galo crescer, dominar e chegar ao triunfo. Contudo, só cantou perto do final, e com alguma felicidade. Até lá, Van der Gouw foi enorme a impedir que Carlos Eduardo marcasse e Tidjany Touré acertou nos ferros no minuto seguinte após ser lançado por Luís Pinto.
O golo surgiu de grande penalidade a castigar mão na bola de Nelson Abbey e foi apontada por Héctor Hernández, com muita sorte: atirou para a direita de Van der Gouw, que adivinhou o lado e tocou na bola, mas esta acabou por escapar por debaixo do corpo do guardião, para entrar lentamente. Nos descontos o guardião impediu, por duas vezes, que o canto do galo fosse mais intenso.
O médio espanhol de 24 anos esteve na origem da mudança do jogo e que levou ao domínio do Gil Vicente para chegar ao triunfo. Sofreu a falta de Ntoi aos 47 minutos, que deixou os vilacondenses reduzidos a 10 jogadores, e pegou na batuta para comandar o assalto da sua equipa à baliza de Van der Gouw. Sempre com precisão no passe, visão e clarividência, descobrindo linhas de passe para tentar ultrapassar a muralha adversária.
As notas dos jogadores do Gil Vicente (4x2x3x1): Lucão (5), Ricardo Esgaio (6), Elimbi (5), Buatu (5), Weverson (5), Cáseres (5), Andreas Lausen (5), Gil Martins (6), Santi Garcia (6), Joelson (6), Carlos Eduardo (5), David Moreira (5), José Silva (5), Zé Carlos (5), Tidjany Touré (6) e Héctor Hernández (6).
O guarda-redes neerlandês só não impediu o golo… mas por muito pouco. Para felicidade de Héctor Hernández (e azar seu) a bola batida pelo avançado espanhol na grande penalidade que decidiu o vencedor, resvalou no seu corpo para entrar a travar. De resto, o guarda-redes travou o Carlos Eduardo (55’) e nos descontos foi monumental a evitar o segundo de Héctor (90+4’) e num remate em jeito de Tidjany Touré (90+8’).
As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Van der Gouw (6), Liavas (5), Petrasso (6), Gustavo Mancha (5), Nelson Abbey (5), Diogo Nascimento (5), Ntoi (4), Galcik (5), Ryan Guilherme (5), Diogo Bezerra (6), Blesa (5), Tamble Monteiro (5), Nikitscher (5), Spikic (-), Vrousai (-) e Brabec (-)
Luís Pinto, treinador do Gil Vicente
«Para primeiro jogo faço uma avaliação muito positiva. Obviamente que o resultado era o que pretendíamos e é sempre bom começar a ganhar, temos uma 1.ª parte bastante interessante e as situações que o Rio Ave tem são de duas desconcentrações nossas no mês o lance, mas conseguimos ter personalidade e capacidade para contrariar o excelente jogo ofensivo do Rio Ave. Na 2.ª o jogo mudou quando ficámos a jogar com mais um, mas ficamos um pouco impacientes para desmontar o adversário.»
Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave
«Sinto muito orgulho na minha equipa e do que os rapazes fizeram. Na primeira metade, fomos muito melhores, tivemos uma grande oportunidade para marcar, e se marcássemos, seria totalmente diferente. Sobre a segunda metade, não quero fazer comentários. O cartão vermelho foi decisivo? Sim, claro.»