Um diabo que traz golos e demónios que reaparecem (crónica)

Águia devia ter resolvido jogo antes do intervalo, mas desperdiçou várias ocasiões. Prestianni trouxe rapidez e perigo, mas desatenções deixaram equipa em maus lençóis. Empate histórico do Académico!

Um estádio sem alma, uma equipa que se apaga e um argentino endiabrado que não conseguiu resolver todas as questões que o Benfica ainda tem para tratar. Prestianni foi verdadeiro diabo vermelho à solta, mas um Académico resistente colocou visíveis as fragilidades das águias com duas ou três jogadas bem feitas e dois golos bem apontados.

Para os viseenses, foi uma noite histórica, para o Benfica foi mais uma noite frustrante.

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Pelo resultado e menos pelas ocasiões criadas, pois os encarnados podiam ter chegado ao intervalo com vantagem tranquila, mas continuam a dar vidas aos adversários como em épocas recentes e isso, perante quem carrega Viriato na história, redundou num empate amargo.

O Benfica queria repetir a vitória de quinta-feira e, por isso, praticamente não mexeu no «protocolo» dentro do estádio. Marco Silva repetiu o onze, as canções foram as mesmas, o speaker teve o entusiasmo habitual - algo estranho perante as bancadas vazias - e Pavlidis fez golo. A rotina do grego chegou aos 10 minutos, num golo que mostrou a clareza de Prestianni e, sobretudo, a confiança de um ponta de lança em forma.

O 1-0 foi o culminar de um bom início dos encarnados, que só não foi melhor porque Prestianni atirou por cima o lance aos 13’. As notas iniciais mostravam um Benfica bem na recuperação, com Rafa, Pavlidis e Sudakov a darem apoio frontal, Prestianni a meter velocidade. Quando se chegou ao intervalo, havia muitas ocasiões para os encarnados e uma para o Académico: excelente saída de bola, com Zamora a rematar ao poste.

O Benfica saía por cima porque conseguia aproveitar a profundidade perante uns viseenses que se propuseram sempre a jogar e não se refugiaram na «cava» até que o rival os obrigou a fazê-lo.

De lá de fora chegavam cânticos de apoio e talvez tenha faltado povo para não deixar a equipa desligar. No primeiro tempo, já havia sinais, no segundo eles confirmara-se. O Benfica perdeu a concentração por momentos, o Académico ganhou um canto e ganhou um golo: de bola parada, algo a rever pela equipa de Marco Silva.

Seria necessário voltar à cadência de ocasiões do primeiro tempo. Na realidade, bastou a bola chegar a Prestianni. O argentino arrancou um golaço e até aí era a lei do encontro. O camisola 25 transformava em perigo tudo o que recebia, tudo o que distribuía, até que saiu já com 2-2 no marcador e o Benfica lançado no ataque. Porquê? Porque as desatenções continuam.

Não é de hoje, passou por várias épocas e merece reflexão. O povo, por vezes, serve para deixar a equipa em alerta, não a deixar cair, porque no fundo faz parte da sua alma. Mas se parte dessa alma fica à porta, têm de ser os 11 em campo a meter tudo no relvado.

Marco Silva trocou as alas, lançou Durán e ainda substituiu Bah por Dedic. O Benfica finalmente encostou o Académico lá atrás, mas como tantas noites noutras ligas recentes, ficou sem tempo. Ewerton salvou uma bola em cima da linha, Lukebakio atirou ao ferro.

O Benfica jogou em urgência, sob pressão do relógio e marcador. Tem de lembrar-se que ela existe em todo e qualquer momento e uma bola que é atirada para fora da área, pode ser devolvida. Parece básico, mas enquanto não resolver estes demónios, os duelos que parecem pequenos, mas que afinal são decisivos, o Benfica pode muito bem voltar a frustrar-se, como sucedeu neste primeiro empate da História do Ac. Viseu em casa das águias.

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