Bruno Pinheiro dá indicações à equipa na primeira parte — Foto: Miguel Nunes
Bruno Pinheiro dá indicações à equipa na primeira parte — Foto: Miguel Nunes

Bruno Pinheiro: «Com público acabaríamos a primeira parte com três ou quatro golos sofridos»

Treinador do Académico de Viseu sem papas na língua: «Não há que ser hipócrita. Foi vantajoso»

Bruno Pinheiro acredita que o Académico de Viseu regressaria a casa com «um resultado pesado» caso houvesse público nas bancadas. O treinador explicou, em declarações à BTV, como as bancadas vazias fizeram a diferença.

— Que análise faz ao jogo? Quando recuou Mestanza foi para contrariar as entradas de Sudakov e Prestianni?
— Antes de mais, foi um jogo extremamente difícil, sobretudo em termos físicos. Há uma diferença muito grande entre as duas equipas ao nível competitivo e sentimos isso muito. Quero dar os parabéns aos jogadores pela capacidade de sofrimento. Soubemos sofrer e tentámos jogar. É bom ter o Académico de Viseu 37 anos depois na I Liga e conseguir este pontinho na primeira jornada no Estádio da Luz. Quanto ao jogo, vínhamos com a estratégia montada, a grande dificuldade é defender porque o Benfica altera a estrutura: começa num 4x3x3, em que o lateral-direito se projeta e o extremo-direito vem para dentro o que impossibilita o nosso lateral-esquerdo de defender. Criámos uma linha de cinco para defender a largura de forma mais agressiva e impedir situações fáceis de um contra um e cruzamento. Ainda falhámos, no segundo golo há um lance de um contra um, Prestianni faz um grande golo. Mas a estratégia passou por anular a largura do Benfica.

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— No momento ofensivo procurou atrair o Benfica para atacar nas costas, sobretudo pelo lado direito.
— Tentámos sempre jogar com bola, atrair e sair da pressão. Não tivemos sempre competência, nalguns momentos tentámos fazer a transição, mas ainda estamos muito verdes. Se fosse necessário, teríamos a referência do João Guilherme para bater longo, pensávamos que teríamos vantagem no duelo com o Dahl. Tentámos criar essa situação na bola longa, o João Guilherme ganhou alguns duelos na bola longa e fazer alguns estragos. A ideia era explorar essa situação de um contra um quando houvesse aperto.

— Disse antes do jogo que a ausência de adeptos poderia ser vantajoso para o Académico de Viseu. Foi?
— Foi. Porque os adeptos do Benfica teriam criado um ambiente em que os jogadores se empolgariam mais. Provavelmente teríamos acabado a primeira parte com três ou quatro sofridos e sairíamos daqui com um resultado pesado. Sem adeptos, permitiu gerir, comunicar, corrigir que seriam mais difíceis com estádio cheio. Não há que ser hipócrita, para nós foi vantajoso.

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