Com temperatura tão alta, João Veloso aproveitou e assou o... 'chouriço' (crónica)
O SC Braga derrapou no início do campeonato. E escreve-se derrapou porque os guerreiros são, em teoria, superiores, e foram-no, também, na prática. Mereciam, como tal, vencer esta partida.
Mas o dérbi foi muito bom. E para ter a qualidade que teve precisou de um contendor à altura. E, nesse capítulo, o Moreirense respondeu presente.
A meio de uma eliminatória europeia — depois do triunfo (1-0) sobre o Dinamo Minsk, na passada quinta-feira, e antes da segunda mão da terceira pré-eliminatória, na próxima quinta-feira, na Bulgária —, Carlos Vicens decidiu fazer seis alterações no onze e uma dessas mexidas deu frutos logo aos 7 minutos: Fran Navarro recebeu um (excelente) passe longo de Vítor Carvalho, trabalhou bem na área, dominando e rodando sobre Kevyn, rematando, depois, de forma colocada para o primeiro golo da noite.
Mas a festa bracarense foi... um fósforo. Na resposta, Nile John arrancou cheio de crença pela zona central do terreno e, ainda de fora da área, atirou de pé esquerdo para o fundo das redes da baliza à guarda de Bernardo Fontes.
O ritmo alucinante não baixou e o perigo andou sempre na zona das grande áreas. Diogo Travassos quis fazer uma maldade à sua antiga equipa, aos 24 minutos, mas André Ferreira... conhece-o bem. Alexandre Parsemain, do outro lado, estava pronto para desviar um cruzamento de Landerson, mas Bernardo Fontes defendeu... como pôde: com os pés. E bem. Foi eficaz. À passagem do minuto 38, Francisco Domingues encheu-se de fé e soltou a bomba do meio da rua, mas do outro lado estava um autêntico 31 entre os postes dos arsenalistas. Os cónegos não baixavam a guarda e, logo a seguir, Alexandre Parsemain correspondeu, de cabeça, ao cruzamento de Leandro Santos, mas Bernardo Fontes estava atento. Tal como estava, de resto, André Ferreira, perante a ousadia de Demir Tiknaz, a segundos do intervalo.
A etapa complementar teve (muito) mais SC Braga e Pau Víctor consubstanciou esse domínio com um belo remate cruzado (67'). Os guerreiros iam controlando e Denis Huseinbasic viu o poste negar-lhe os intentos.
Mas a crença dos comandados de Vasco Botelho da Costa — mais uma receita de organização apresentada pelo jovem técnico — deu frutos nos descontos: João Veloso quis cruzar, Parsemain não conseguiu o desvio, e a bola... entrou: 2-2.
Que tremendo banho de gelo para os milhares de bracarenses que não se cansaram de incentivar a equipa em Moreira de Cónegos. Mas, não esquecer a nota de rodapé não menos importante: que belo dérbi!
Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense):
O SC Braga é uma equipa de um nível muito bom e por mérito deles não conseguimos ativar a pressão como queríamos. O SC Braga foi superior, mas realço a nossa atitude. Fomos intensos e competitivos. Satisfeitos com o ponto.
Carlos Vicens (treinador do SC Braga):
Quando fazes tantas coisas bem num campo difícil e permites tão poucas coisas, só podes sentir-te dececionado e frustrado. Não conseguimos a vitória, mas vamos mudar o chip porque temos uma final na quinta-feira e queremos estar no play-off.
As notas dos jogadores do Moreirense:
André Ferreira (6), Leandro Santos (6), Gilberto Batista (5), Kevyn (5), Francisco Domingues (6), Nile John (7), Guilherme Liberato (6), Rodrigo Alonso (5), Afonso Vieira (5), Alexandre Parsemain (6), Landerson (6), Kiko Bondoso (5), João Veloso (7), Mateja Stjepanovic (5) e Yan Maranhão (5).
As notas dos jogadores do SC Braga:
Bernardo Fontes (6), Lagerbielke (5), Vítor Carvalho (7), Bright Arrey-Mbi (5), Diogo Travassos (5), Gorby (5), Demir Tiknaz (7), Gabriel Silva (5), Mario Dorgeles (5), Fran Navarro (7), Ricardo Horta (6), Adrian Bajrami (5), Víctor Gómez (5), Denis Huseinbasic (6), Pau Víctor (7) e João Moutinho (—).
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