João Janeiro, comentador de ABOLA TV, analisa as palavras do treinador do Sporting após o empate na Reboleira frente ao E. Amadora

Um leão coxo só pode mesmo tropeçar

O mau sinal e os avisos do empate do Sporting a abrir a Liga, na Amadora. Mas se há momento em que desperdiçar vantagem de dois golos não justifica entrar em pânico, é este...

Na época passada, só no fim da primeira volta o Sporting perdeu pontos contra uma equipa que não era candidata ao título, ao empatar com o Gil Vicente em Barcelos, já em janeiro (jornada 17); antes disso, perdera com FC Porto e empatara com SC Braga e Benfica.

Depois, na segunda volta, só em abril voltou a perder pontos contra um pequeno — jornada 31, contra o Aves SAD (logo a seguir empatou contra o Tondela, encontro da ronda 26 que estava em atraso); para trás tinham ficado empates com FC Porto e SC Braga e derrota com o Benfica.

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Ou seja, o leão de Rui Borges falhou o tri, sobretudo, porque não foi capaz de vencer contra qualquer um dos outros quatro primeiros — 4 pontos em 18 possíveis é paupérrimo para quem quer chegar ao fim em primeiro. Mas a eficácia contra as equipas teoricamente mais fracas (78 pontos em 84), melhor até que a do FC Porto (76 em 84), permitiu garantir o segundo lugar.

Nesse sentido, arrancar a Liga 2026/2027 com um empate na Amadora, contra o Estrela, é péssimo sinal no início da caminhada para recuperar o título. Mais ainda depois de ter estado a ganhar por 2-0, permitindo o 2-2 na reta final (e Rui Silva, que tão mal ficara na fotografia do segundo golo tricolor, ainda acabou por salvar o pontito e evitar a derrota).

Desperdiçar uma vantagem de dois golos é sempre imperdoável, mas se há ocasião em que se pode olhar para isso e não entrar em pânico é esta. Afinal, estamos a falar de um Sporting ainda coxo, entre ausências — Maxi Araújo castigado, Debast, Ibrahima Ba, Nuno Santos e João Simões lesionados, Luis Suárez ainda sem 90 minutos nas pernas e a ter de começar no banco, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança na porta de saída e por isso fora das opções —, entradas por acontecer e tantos novos jogadores que ainda estão a perceber o que é jogar no Sporting.

E um leão coxo é normal que tropece, sobretudo quando Rui Borges começa a ir ao banco para tentar dar frescura à equipa, mas acaba a destruir o jogo coletivo que, mesmo assim, ia subsistindo.

Acho, em todo o caso, que este empate e a forma como o Sporting não soube segurar a vantagem de dois golos devem ficar como aviso. Ou como vários avisos: se Luís Guilherme ainda está verde, que dizer de Jesse Derry?; Altimira e Silas Andersen ao mesmo tempo no meio-campo parece ser meio caminho andado para não ter bola; e depois, se Quaresma e Rui Silva não oferecerem golos como na Reboleira, talvez tudo corra bem...

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