Gabri Veiga marcou o segundo penálti da tarde no Dragão. Foto Estela Silva/LUSA
Gabri Veiga marcou o segundo penálti da tarde no Dragão. Foto Estela Silva/LUSA

A eficácia, a segurança e o guarda-redes do costume (crónica)

Dois golos de penálti, com remates a papel químico, e uma cópia fiel do FC Porto campeão permitiram entrada vitoriosa na Liga perante adversário atrevido e ambicioso

O FC Porto entrou a vencer na Liga 2026/2027, pronto para defender o escudo conquistado em maio passado com uma identidade similar à que o conduziu ao sucesso na época anterior: eficácia nos momentos decisivos, descida segura do bloco quando em vantagem e, em momentos de maior aperto, um guarda-redes superlativo que faz a diferença.

O jogo levava menos de uma linha de história, sem se perceber quem ia atacar mais de entrada, quando o campeão chegou à vantagem. Froholdt surgiu na extrema direita para um cruzamento certeiro, André Silva cabeceou torto mas foi atingido pelo guarda-redes do Alverca. Luís Godinho foi chamado ao VAR e assinalou o respetivo penálti. André Silva pegou na bola e carimbou o regresso oficial ao Dragão com um golo.

Nunca saberemos se o atrevimento demonstrado em seguida pelos visitantes estava no guião ou se foi motivado por este golo — quer por haver um Porto em zona de maior conforto quer por ter, o próprio Alverca, de correr atrás do resultado. A verdade é que a equipa de Sérgio Ferreira estendeu-se pelo campo fora, com os dois extremos a organizarem, quase à vez, saídas rápidas e muitas vezes criteriosas para o ataque. Até à meia hora os donos da casa tomaram conta das operações, permitindo muito poucas reaproximações ao Porto e originando, até, algumas manifestações de desagrado das bancadas.

Já depois de uma espécie de ressurreição azul e branca, com Ian Luccas a roubar a Zaidu um golo que o lateral bem merecia, por ter sido quase sempre (a par de Froholdt, do outro lado) uma boa válvula para as bolas atacantes que o Porto ia conseguindo ter, Vivaldo obrigou Diogo Costa à primeira de um punhado de boas defesas que ajudaram — e de que maneira — à vitória. Passava o minuto 38 e não se adivinhava o 2-0. Acontece que Pepê apareceu esporadicamente na direita, cruzou rasteiro e Nabil puxou André Silva enquanto Baseya cortava a bola para canto. Luís Godinho não viu, mas o VAR sim. Repetiu-se a cena, o árbitro viu tudo no ecrã e o FC Porto chegou ao 2-0. Desta vez foi Gabri Veiga a bater, exatamente para o mesmo canto inferior direito da baliza de Matheus Mendes, que novamente adivinhou o lado mas não chegou a tempo.

E assim se viu o dragão como peixe na água, saindo para intervalo com vantagem colorida, não sem antes Diogo Costa voltar a brilhar a dois tempos entre os postes: primeiro a sacudir para canto remate de Davy Gui, na sequência a evitar o golo de Luccas.

O Alverca voltou da cabina a manter os olhos apontados de frente para os olhos do campeão, mas agora — e cada vez mais claramente — também por permissão do FC Porto, que já tinha ido para o descanso com desvantagem na percentagem de posse de bola.

O bloco portista baixou o que teve de baixar, repetindo inúmeros filmes vistos na temporada passada. A defender de forma segura, depois com Pablo Rosario no lugar de Alan Varela a dar mais posse e critério no meio-campo, Borja a conseguir furar mais vezes que William Gomes e... Diogo Costa a exclamar presente quando o Alverca chegava mais perto da sua área.

Sérgio Ferreira, o ex-portista que agora treina os ribatejanos, foi tentando também melhorar o jogo a partir do banco e até final foi competente e atrevido. Rodrigo Mora arrancou aplausos entusiásticos da bancada mas só antes de entrar, porque depois pouco se viu.

O Alverca merecia algo mais, mas a verdade é que cometeu dois penáltis desnecessários e o campeão não brinca em serviço na hora de ser eficaz.

Galeria de imagens 31 Fotos

A iniciar sessão com Google...