Camisola 88 tem brilhado nos lusitanistas e prova que está pronto para outros voos
Camisola 88 tem brilhado nos lusitanistas e prova que está pronto para outros voos

Lobo que (também) cresceu no Benfica e no SC Braga ruge bem alto como um... leão

Miguel Teixeira cresceu para o futebol em Arouca, passou pela formação de Benfica e SC Braga, mas é em Lourosa que tem distribuído (muitas) cartas. Gui Meira dá andamento ao Feirense. Francisco oferece Ramos em Paços de Ferreira. João é Rei(s) em solo algarvio

Miguel Gomes Teixeira nasceu a 29 de julho de 2003, em Arouca, e foi, precisamente, nos lobos da Serra da Freita que começou a dar os primeiros pontapés na bola.

Quem o conhece desde essa altura garante que rapidamente o seu talento saltou à vista. Havia ali qualquer coisa que, bem trabalhada, poderia catapultar o menino para outros patamares e, quem sabe, para a concretização do sonho de ser profissional de futebol.

O percurso formativo foi percorrido em várias latitudes — depois dos arouquenses, passou por Feirense, Casa do Benfica de Estarreja, Benfica, Tondela e SC Braga (ao serviço dos arsenalistas venceu Liga e Taça Revelação) —, até que 2023/24 marcou o início da caminhada sénior.

Foi no mítico Salgueiros que Miguel Teixeira começou a mostrar-se ao mais alto nível. Ao serviço do emblema histórico de Vidal Pinheiro, o médio apontou um golo em 17 jogos, mas, e acima de tudo, deu provas, em pleno Campeonato de Portugal, que tinha competências para jogar noutro patamar.

Atento à evolução do jovem criativo estava o Lusitânia de Lourosa, que não perdeu a oportunidade de o recrutar para ser mais uma opção do emblema aveirense na disputa da Liga 3, em 2024/25. E Miguel Teixeira correspondeu. Contabilizou 21 encontros e ajudou os lusitanistas a conquistarem o título nacional do terceiro escalão e a selarem, por consequência, a (épica) subida à Liga 2.

Nas pernas e na cabeça do criativo continuava a estar muito futebol. Ainda que numa realidade competitiva mais abaixo, a verdade é que Miguel Teixeira tratou sempre a bola por tu. Clareza de pensamento e qualidade de passe: estas serão, porventura, as duas principais características do médio-ofensivo natural de Arouca.

E a chegada às provas profissionais não teve qualquer tipo de impacto no futebol de Miguel Teixeira. O jovem não sentiu o aumento da exigência e manteve intactas as suas qualidades, aprimorando, até, outras, tais como, por exemplo, a disponibilidade física para participar de forma mais ativa nos processos defensivos. Afinal, um médio moderno tem também de ter a capacidade de ter tração atrás.

Atualmente com 22 anos, Miguel Teixeira é um dos indiscutíveis dos leões de Lourosa. Leva 30 jogos (27 na Liga 2 e três na Taça de Portugal) esta época — é o jogador com mais partidas realizadas pelo clube na presente temporada — e Pedro Miguel dele não abdica na hora de escolher o onze. E quem vê percebe porquê.

O processo de amadurecimento ainda está em curso e Miguel Teixeira precisa apenas de aumentar os números no último terço, nomeadamente golos e assistências. É fundamental para um 8/10.

O Lusitânia de Lourosa tem ouro... protegido: contrato até 2028 e cláusula de rescisão de €2,5 M.

GUI(ADOS) POR MEIRA

Os fogaceiros são Gui(ados) por Meira. O jovem médio brasileiro, de apenas 21 anos, tem sido um dos grandes destaques do conjunto orientado por Ricardo Costa e já leva quatro golos em 26 jogos.

Chegado esta temporada ao Feirense, por empréstimo do Cruzeiro, o criativo depressa ganhou um lugar de destaque e apresentou as suas credenciais: qualidade de passe acima da média, forte na definição no último terço e astuto no ataque às zonas de finalização. Com estes predicados e ainda com larga margem de progressão, Gui Meira já começa a pedir outros patamares...

BELOS RAMOS DE FLORES

Em boa hora o Paços de Ferreira decidiu fazer regressar Francisco Ramos ao futebol português. Porque o perfume do médio, de 30 anos, tem emanado pelos relvados da Liga 2.

O antigo internacional jovem e olímpico por Portugal tem muito futebol na cabeça e, como se diz na gíria, nos seus pés a bola não chora. Além de ser um autêntico barómetro nas dinâmicas do conjunto pacense, o experiente centrocampista, sabendo tudo do jogo, como sabe, tem a destreza necessária para colocar gelo sempre que é necessário. Define todos os tempos da partida e dá cérebro ao coletivo.

JOÃO: REI(S) DE PORTIMÃO

Ora aí está mais uma prova de que a idade é apenas um número. Daí esta rubrica ser mesmo... sem limites: o Cartão de Cidadão de João Reis diz que o esquerdino nasceu em 1992, mas os 33 anos valem o que valem.

Porque o esquerdino continua a dar cartas e os números que apresenta esta temporada (26 jogos, três golos e quatro assistências) comprovam que o Portimonense tomou a decisão certa em fazê-lo voltar ao Algarve — é natural de Loulé, formou-se no Louletano e jogou ainda no Farense. A ala esquerda é com ele. Defende bem e ataca melhor. É um autêntico... relógio suíço.