Lorougnon Gohi tem ajudado à belíssima campanha dos academistas, que estão a caminho da Liga... Foto: Académico de Viseu
Lorougnon Gohi tem ajudado à belíssima campanha dos academistas, que estão a caminho da Liga... Foto: Académico de Viseu

Diamante em fase de lapidação: Marfim a dar... à Costa

Gohi tem perfumado o ataque do emblema da cidade de Viriato e é um dos destaques da candidatura à subida ao principal escalão do futebol nacional. Falé numa bela retoma em Paços de Ferreira. Delgado cresce em Chaves. Parente 'vota à esquerda' em Felgueiras

Lorougnon Gohi. O nome tem estado nas bocas dos adeptos do Académico de Viseu. E razões não faltam. Afinal, e como se diz na gíria, o miúdo tem partido a loiça toda e integra o leque de destaques dos viseenses na época em curso.

Chegado ao emblema da cidade de Viriato na temporada passada — representava o desconhecido Viimsi (Estónia), já depois de ter passado pelo Regional Sports (Emirados Árabes Unidos) —, Gohi iniciou o seu percurso nos sub-23, onde desde cedo começou a dar conta de que vinha para ficar: nove jogos, três golos e duas assistências.

Feitas as apresentações, foi tempo de ser chamado à elite dos academistas, tendo ainda tempo, em 2024/2025, para fazer um passe de morte nas três partidas que realizou.

A estrutura do conjunto beirão percebeu que estava ali... qualquer coisa e o jovem africano não mais saiu da equipa principal. E o tempo tem vindo a dar razão à aposta. Afinal, na presente campanha tem-se assistido ao intensificar do perfume do africano.

Aos 21 anos, o extremo costa-marfinense explodiu definitivamente e os números são já de excelência: 22 encontros disputados, quatro tentos apontados e dois passes açucarados.Mas não são apenas os registos que têm chamado à atenção. Além dos dados acima referidos, Gohi tem espalhado magia. É um jogador desconcertante.

O camisola 47 do Académico junta velocidade e técnica, atributos que o tornam absolutamente imprevisível nos lances de um contra um. Ainda que possa jogar pela esquerda, é no flanco contrário que parece potenciar melhor as suas qualidades. A partir da direita, o canhoto tem asas para explorar a profundidade, seja quando é lançado nas costas das defensivas contrárias, ou quando parte para cima do marcador direto para, com a sua já mencionada habilidade, levar a melhor no duelo individual. Nesses momentos, ou seja, já depois de ter o lance altamente favorável para entrar nas zonas de definição, Gohi tem a (natural) tendência para puxar para o seu melhor pé e tomar uma de duas decisões: assistir ou visar a baliza. E mesmo nesta altura, em que o tempo é (muito) pouco para pensar, o africano costuma escolher a opção mais correta.

A versatilidade do costa-marfinense oferece múltiplas soluções à equipa, uma vez que Gohi pode perfeitamente atuar em zonas mais centrais e funcionar como elemento diferenciador relativamente às organizações defensivas dos oponentes, mas a grande verdade é que está ali ainda muito talento para explorar. O presente é sólido, o futuro pode ser mais impactante.

Basta, para isso, que Gohi mantenha os pés bem assentes no chão e que continue a crescer taticamente. Porque há mesmo Marfim a dar... à Costa em Viseu. O Académico tem ali um autêntico diamante.

Miguel Falé... e disse

Reforço importante para o Paços de Ferreira. Miguel Falé regressou a Portugal no mercado de janeiro — tinha estado no Panserraikos, da Grécia, depois de uma época e meia de relevo no Mafra — e a sua qualidade permitiu aos castores melhorarem as dinâmicas ofensivas.

O jovem avançado, de apenas 22 anos, pode jogar em qualquer uma das posições de apoio ao ponta de lança, sendo que a sua criatividade propicia o reforço de situações de finalização. Falé tem qualidade técnica e visão de jogo, condimentos que podem ajudar os pacenses a garantirem a permanência.

Del(e)gado flaviense

Quando abriu a janela de transferências de janeiro, o Chaves foi a Espanha buscar um jovem avançado, de 23 anos, que no currículo trazia passagens por dois clubes importantes do futebol do país vizinho: Getafe e Valladolid. Ao serviço deste último, na época passada, Jorge Delgado havia conseguido números altamente meritórios: 34 jogos, 15 golos e duas assistências.

Não sendo um ponta de lança puro — pode jogar como falso 9 e também como extremo —, Delgado tem uma mobilidade muitíssimo interessante e aporta bastante ao processo ofensivo. E pode dar mais...

Parente da qualidade

Diz-se na gíria que, por vezes, é importante dar dois passos atrás para depois dar-se um à frente. E jogar na Liga 2, convenhamos, não é minoritário para ninguém. Ainda para mais no Felgueiras, um clube devidamente estruturado e que potencia o desenvolvimento dos seus atletas.

Tiago Parente tomou a decisão certa em mudar-se para os durienses, onde está por empréstimo do Estoril. No primeiro mês da nova experiência, quatro titularidades para o jovem lateral-esquerdo, de apenas 22 anos. O internacional sub-21 luso é reforço de peso para Agostinho Bento. Voará.