Federica Brignone
Federica Brignone

Federica Brignone tornou o pesadelo de 315 dias num Super (G) sonho

O traçado da Olympia delle Tofane, que se estende por 2.150 metros e apresenta um desnível de aproximadamente 600 metros, coberto de nevoeiro, revelou-se dramático para as favoritas. Mas não para a italiana que há 10 meses pensou que não mais voltaria a esquiar

Federica Brignone protagonizou um regresso memorável ao conquistar a medalha de ouro na prova de Super-G dos Jogos Olímpicos de Milão-Cortina, apenas 10 meses depois de uma lesão que quase colocou um ponto final na sua carreira.

A esquiadora italiana, de 35 anos, realizou uma descida perfeita em 1.23,41 m, que se revelou inalcançável para as adversárias. A pista é conhecida pela sua exigência, com a secção mais íngreme, a Schuss, a atingir uma inclinação máxima de 65%, onde as atletas podem alcançar velocidades entre os 110 e os 120 km/h, a estar coberta por um denso nevoeiro.

A prova, a que assistiu o presidente italiano Sergio Mattarella, foi marcada por um percurso traiçoeiro, que levou à desistência de cinco das primeiras nove atletas em pista, incluindo algumas das favoritas. A francesa Romane Miradoli ficou com a medalha de prata, a 41 centésimos da vencedora, enquanto a austríaca Cornelia Huetter completou o pódio, a 52 centésimos.

Breezy Johnson, norte-americana campeã olímpica de downhill (descida), na prova em que Lindsay Vonn teve o dramático acidente, foi desta vez uma das esquiadoras que não conseguiu completar o percurso. A compatriota de Brignone, Sofia Goggia, uma das candidatas à vitória, saiu de pista a meio do percurso quando seguia com tempos intermédios promissores.

Com esta vitória, Federica Brignone completa a sua coleção de medalhas olímpicas, juntando o ouro à prata no slalom gigante e ao bronze no combinado de Pequim, além de outro bronze no gigante em PyeongChang. A sua carreira notável inclui ainda dois ouros e três pratas em Campeonatos do Mundo, duas Taças do Mundo gerais e 37 vitórias em etapas da Taça do Mundo. com 35 anos e 213 dias de idade, é também a mais velha de sempre a conquistar o ouro olímpico, superando a austríaca Michaela Dorfmeister, vencedora em Torino 2006 com 32 anos.

Após a conquista, a atleta mostrou-se incrédula com o feito. «Pensei em esquiar, em dar o meu máximo, mas não pensava que podia vencer. Disse a mim mesma: 'ou vai ou racha'», confessou Brignone. «Campeã olímpica? Nunca na vida o esperaria, é algo especial. Consegui-o porque não sentia essa falta, estava tranquila, via-me como uma outsider», acrescentou.

O presidente do Comité Olímpico Italiano (CONI), Luciano Bonfiglio, elogiou a resiliência da atleta: «Demonstrou como se deve reagir, chegando aqui com grande profissionalismo. É uma das poucas vezes em que me comovi. Somos fortes, somos italianos e estamos a vencer».

Também a mãe de Federica, a antiga esquiadora Nina Quario, expressou a sua emoção. «É fantástica, não sei o que dizer. Acreditava que ela voltaria, mas vencer o ouro no Super-G é incrível. Agora já não lhe falta o ouro olímpico», afirmou à RAI.

Federica Brignone sofreu uma lesão grave em abril do ano passado na perna esquerda e só voltou à competição há menos de um mês, após 292 dias de ausência. Agora, 315 dias após o acidente, é campeã olímpica.