Que tristes são as tradições do futebol português
Em Ibiza, elementos do Podemos, com apoio do PSOE, sugerem a proibição do futebol nos recreios das escolas. Relevemos por agora a parvoíce da ideia e pensemos um pouco mais além: ao afirmarem que o futebol «é tóxico», é provável que estes partidos não estejam a pensar no jogo propriamente dito, mas no que anda normalmente à volta dele. E aí começam a ganhar razão. No que respeita a Espanha também — não esqueçamos uma série de polémicas antigas ou, mais recentemente, a pressão que os meios de comunicação de determinado clube fazem semanalmente sobre as arbitragens.
Mas realmente, olhando para os exemplos de casa e para os do país vizinho, é inteligente aconselhar alguma prudência na abordagem do futebol junto das crianças.
Da tribuna presidencial do Dragão, antes do FC Porto-Sporting, chegou a casa dos portugueses um excelente sinal, quando Frederico Varandas entrou, cumprimentou toda a gente, incluindo André Villas-Boas, e se sentou a dois lugares do dono da casa, ao lado do presidente da Câmara Municipal do Porto. Mas sabíamos, na altura, o que se passava alguns metros abaixo, na vertical, e o que viria a passar-se durante o jogo e na parte final do mesmo.
Alguns metros abaixo, os leões sentiram o incómodo de ver o balneário pejado de fotografias com capas de jornais a exaltar feitos portistas, incluindo por cima dos urinóis. Não sendo a forma mais cortês de receber visitas, convenhamos também que não se trata de um facto grave nem condicionador, até porque o visitante tem acesso ao balneário com tempo suficiente para decorá-lo como quiser. Já a sala habitualmente destinada ao staff leonino fechada ou a alegada temperatura excessiva do ar condicionado parecem configurar situações muito negativas.
Mas pior, mesmo, foi a atitude de pessoas ligadas ao FC Porto que tiraram da baliza a toalha com que o guarda-redes Rui Silva seca as luvas (ironicamente, a última vez que vimos isto foi em território... mouro, na final da CAN) e, ao nível do inclassificável, as bolas de reposição rápida escondidas quando parecia que a equipa da casa ia vencer.
Enquanto se celebra, na Europa, o fim da ideia elitista e egoísta da Superliga Europeia, o futebol português continua a manter as suas piores tradições, com os comunicados da ordem a marcarem a agenda dos dias seguintes. Quando é que avança a centralização de direitos TV, mesmo?...