Descansar não é com ele: o treinador nos JO que orienta 16 atletas de 13 países
Os espetadores mais atentos do programa curto masculino de patinagem artística certamente notaram a presença de um treinador ao lado do georgiano Nika Egadze; que mais tarde trocou de roupa e apareceu também com o canadiano Stephen Gogolev, e ainda com o americano Maxim Naumov, e depois com o francês Adam Siao Him Fa.
Trata-se do francês Benoit Richaud. Ele treina sete atletas, mas está nos jogos com mais nove. No total, são 16 atletas de 13 países diferentes.
Richaud, de 38 anos, é um dos coreógrafos de dança mais prolíficos, e não é incomum que os patinadores artísticos partilhem treinadores e coreógrafos. As regras permitem que os treinadores trabalhem com atletas de vários países, mesmo que compitam entre si.
Isto torna a situação ainda mais desafiante, pois ele tem de mudar rapidamente para o vestuário do país que irá representar com o seu pupilo.
The busiest man at the Olympic Games! 👨💼🧑💼
— TNT Sports (@tntsports) February 11, 2026
French coach Benoit Richaud was seen wearing the jackets of multiple nations with different athletes during the figure skating… because he is working with 16 skaters from 13 different countries! 😅🌎 pic.twitter.com/HE2hPgsGg5
Nos últimos cinco anos, Richaud passou os verões num centro desportivo no noroeste de Itália, onde trabalhou individualmente com esperanças olímpicas, aperfeiçoando a arte precisa da patinagem artística ao mais alto nível.
«Os Jogos Olímpicos são o Santo Graal, são o mais importante, por isso quero apresentar algo diferente. Gostaria de fazer algo maior por este desporto. Tentarei trazer algo mais profundo e grandioso aos espectadores e fãs que não seguem a patinagem artística. Quero ligá-la mais à arte», explicou Richaud.
Criou coreografias inspiradas em Vincent van Gogh e em filmes conhecidos. Também se inspira no minimalismo abstrato. Vê o seu papel não apenas como coreógrafo, mas também como diretor e argumentista. Para ele, é uma forma de contar histórias.
«Com os atletas com quem trabalho mais, às vezes sinto que sinto o bater do coração deles dentro de mim, então sinto uma conexão completa com o que eles tentam expressar. É uma bênção ter esse sentimento», explicou.
«Não nos apercebemos, mas muitas pessoas lutam internamente e talvez não sejam felizes. Penso que assistir à patinagem artística pode dar-lhes algo diferente – por exemplo, a oportunidade de serem livres ou de se reconectarem com emoções e sentimentos reais», completou o muito requisitado Richaud.