Emirates Stadium antes de um jogo do Arsenal
Emirates Stadium antes de um jogo do Arsenal - Foto: IMAGO

Ex-roupeiro do Arsenal acusa clube de colocar «o lucro à frente das pessoas»

Mark Bonnick foi demitido há mais de um ano por comentários sobre Israel nas redes sociais

Mark Bonnick, despedido do Arsenal em dezembro de 2024 após publicações nas redes sociais sobre Israel, avançou com um processo por despedimento sem justa causa, alegando que a sua demissão foi «discriminatória» e baseada na sua «crença filosófica antissionista».

O antigo roupeiro, que trabalhava nos gunners desde o início dos anos 2000, foi demitido na véspera de Natal de 2024, na sequência de uma série de mensagens que publicou nas redes sociais, onde se referia a uma «supremacia judaica» e a uma «limpeza étnica» por parte de Israel.

Numa entrevista ao Raw Politik, Bonnick acusou o seu antigo empregador de ter agido por interesses financeiros. «Acho que o Arsenal, basicamente, colocou o lucro à frente das pessoas», afirmou, visivelmente emocionado.

O processo judicial, que, segundo o ex-técnico de equipamentos «irá para mediação em junho», alega que o clube não vive de acordo com os seus próprios valores. «Falar é fácil. As palavras são baratas. É tudo uma questão de integridade. É fácil dizer as coisas, mas é preciso fazê-las. É preciso viver esses valores», criticou.

Bonnick revelou que, inicialmente, foi suspenso por antissemitismo após uma queixa, mas alega que tanto o clube como a Federação Inglesa de Futebol (FA) acabaram por aceitar que não tinha sido antissemita. Segundo ele, a FA considerou os seus comentários «não inflamatórios, não ofensivos, [mas] políticos».

O ex-funcionário, que se emocionou várias vezes durante a entrevista, acusa ainda o clube londrino de ter retirado as suas publicações «fora de contexto» e de o ter desvalorizado durante o processo de recurso. «Foi simplesmente: És um roupeiro ignorante», lamentou.

A equipa jurídica que representa Bonnick, adepto do clube desde sempre, argumenta que este foi alvo de uma «campanha de difamação online coordenada por contas pró-Israel no Twitter» e que o despedimento se baseou no facto de ter manchado a reputação do clube.

Na ação judicial iniciada em maio do ano passado, Bonnick declarou: «Israel é um estado de apartheid. Fui despedido não por má conduta, mas por expressar dor e indignação perante um genocídio. Apesar de estar tão perto da reforma, não me arrependo. O Arsenal deve pedir desculpa, reintegrar-me e tomar uma posição contra o racismo anti-palestiniano».

Recorde-se que, em dezembro de 2024, foi noticiado que o Arsenal tinha recebido queixas sobre as publicações de Bonnick por parte de um dos seus grupos de adeptos. Na altura, o clube emitiu um comunicado: «Estamos a investigar este assunto de acordo com as nossas políticas e procedimentos internos. O Arsenal opõe-se a todas as formas de abuso e discriminação».