O verdadeiro rei do mercado
O mercado de transferências não começa verdadeiramente em julho. Nem sequer em junho, já depois de o futebol ter parado. O mercado começa muito antes, começa nas bancadas de observação, in loco ou não, começa nos olheiros de clubes e nas ideias dos diretores-desportivos.
Depois, passa pelo rendimento desportivo corrente - num grande português, ter entrada direta na Champions ou não - e nas decisões finais. Portugal tem um regime presidencialista no futebol, pelo que estas cabem sempre ao líder máximo do clube (tema discutível de que tenha de ser assim, mas isso é conversa para outras alturas).
O FC Porto está na Liga dos Campeões 2026/27, mas o Sporting ainda vive numa dúvida. Se entra direto ou não, com as condicionantes de calendário que isso pode trazer, tal como sucedeu com o Benfica em anos anteriores. O Mundial não ajuda, pois haverá jogadores que chegam em momento diferente do desejado e se o leão tiver de jogar a qualificação para a liga milionária, agosto pode ser algo caótico, com plantéis instáveis, fruto de um mercado aberto.
Ou seja, em época assim, quem espera por agosto para atacar o mercado chega inevitavelmente atrasado.
A renovação de Rui Borges encaixa numa lógica de estabilidade. O Sporting fechou o tema do treinador para evitar ruído, dá continuidade à ideia de jogo e isso permite que o planeamento da época não tenha interrupções. Agosto mexerá com o mercado em Alvalade também, até porque ele tem dois sentidos, mas parece claro que Frederico Varandas quer chegar ao verão com o máximo de decisões tomadas e dossiês resolvidos. Não é o negócio por Rodrigo Zalazar um dos melhores exemplos disto?
O presidente do SC Braga não é um negociador fácil, mas os leões fecharam rápido a transferência, porque quando há convicção nas decisões, o preço pode não ser obstáculo: o Sporting tinha o dinheiro, queria o jogador e foi logo ao encontro das pretensões do líder minhoto, porque há negócios que não podem esperar por amanhã.
Os verdes e brancos sabem que não vão ter Morita e que Hjulmand pode ser médio apetecido, portanto ganha relevância o reforço do meio-campo porque os plantéis têm de se construir antes de a urgência surgir. Ainda assim, é preciso ressalvar: o mercado só se ganha depois de 31 de agosto. Porque este vive de perceções, uma equipa vive de rendimento. O verdadeiro rei do mercado é aquele que tiver a segunda.