Bernardo Silva e a conquista da Champions: «A minha avó foi dormir ao meio-dia»
Bernardo Silva detalhou o processo que culminou na decisão de abandonar o Manchester City no programa Soltinhos pelo Mundo, do Canal 11. O criativo luso revelou há quando tempo é que definiu que iria abandonar o clube: «A decisão levou algum tempo, não foi só minha, mas também da minha família. Foi uma decisão que tomei há cerca de dois anos quando assinei o meu último contrato pelo City, em 2023.»
«Fiquei com três anos no meu contrato e durante essa época [2022/23] decidimos que ia cumpri-lo e no final íamos seguir um caminho diferente», explicou. Bernardo Silva frisou que a decisão «acabou por ser natural», após nove anos no lado azul de Manchester, pois tem em mãos «a última oportunidade de ter um desafio diferente».
«Nunca pensei que ia ficar nove anos, é muito tempo no mesmo clube. A partir do momento em que a decisão estava tomada, já não ia voltar atrás», reiterou. Bernardo Silva, ainda assim, admitiu que a direção do Manchester City e os próprios colegas de equipa procuraram convencê-lo a permanecer no clube: «Alguns brincavam e diziam que todos os anos ia embora mas que nunca ia. Nunca acreditaram bem. O próprio clube acho que pensou que me conseguia convencer ficar mais um bocadinho.»
O criativo de 31 anos nunca anunciou «formalmente» a saída do clube, mas explicou que os colegas de equipa «foram percebendo» que decisão tinha tomada, com destaque para Rúben Dias e Matheus Nunes. Os dois colegas de Seleção «sabiam» que a decisão «não ia mudar».
Bernardo SIlva recorda com carinho «especial» a conquista da UEFA Champions League em 2022/23. Os festejos, ainda assim «foram duros». «A final foi às 22h, hora de Istambul. Chegámos ao hotel às 2h, não dormimos porque foi festa a noite toda. A minha avó com 80 e tal anos foi dormir ao meio-dia. Viajámos sem dormir para Manchester e nessas horas combinámos ir para Ibiza. Ficámos lá dez horas e voltámos para a parada. Foram quase dois dias e meio sem dormir», recordou.
Os nove anos em Manchester ficaram também marcados por momentos mais exigentes emocionalmente: «Perder a final da Champions custou, mas a meia-final contra o Real Madrid em que sofremos dois golos no final [2024] foi dura. Depois de tanta frustração na Champions, foi bom festejar.»
A conquista da Champions completou o palmarés de Bernardo Silva a nível de clubes, mas o médio tem um objetivo para alcançar: «Sempre achei que ia ter sucesso. Mas tinha o sonho de ganhar uma Premier League, não pensei que ia ganhar seis. Agora só me falta ganhar com Portugal que é o que eu mais quero.»
O criativo elogiou um colega de Seleção que também espalha magia em Inglaterra há largas épocas: «O Bruno não joga nada [risos]. O que está a fazer é impressionante. Nos anos em que esteve aqui teve pouca ajuda».
O criativo chegou a Manchester com 22 anos proveniente do Mónaco. Nove temporadas volvidas, o futebol inglês transformou-se à boleia de Pep Guardiola, que «mudou a filosofia». Bernardo Silva admitiu mesmo que «jogar na Premier foi muito menos duro do que jogar na Ligue 1 pelo Mónaco».
Estátua no Etihad? «Adorava, mas não faz sentido»
Bernardo Silva conquistou 19 títulos e disputou mais de 450 jogos pelo Manchester City, mas recusa a ideia de ter uma estátua a eternizá-lo nas imediações do Etihad: «Adorava, mas não faz sentido. Toda esta geração, o De Buyne, o Gundogan, o Walker, o Rúben Dias e o Rodri que ainda aqui estão, fez parte do sucesso alcançado nos últimos anos. Se tiveres de fazer para um tens de fazer para cinco ou seis. Toda uma geração contribuiu para que ganhássemos seis Premier League em seis anos.»
«Os únicos que têm são o Kompany, o David Silva e o Aguero que provocaram a mudança do panorama do clube. Quando chegámos já era um clube com bastante sucesso. Esta geração foi tão bonita que é injusto meter alguém acima do outro», frisou, antes de considerar Kevin De Bruyne o melhor jogador da história do Manchester City.
O criativo considerou que está preparado para a despedida do clube, diante do Aston Villa, no domingo: «Não me imagino a chorar.» «Saber que é a última vez que vou jogar com alguns jogadores arrepia-me. Nunca estive num clube assim», admitiu, ainda assim.
Bernardo Silva detalhou também a relação com Pep Guardiola, fã assumido do português: «Não sei o que lhe fiz. Sempre senti que tive um impacto forte e ele sempre gostou de mim. Desde que cheguei senti que tive o apoio do meu treinador e do meu clube.» O criativo luso admitiu, com humor à mistura, que já foi apelidado de... filho do treinador «É verdade, não posso mentir. Ao início chamavam-me Bernardiola.»
O que une Bernardo Silva e Guardiola? O internacional luso responde: «Quando ele fala estou a ouvir. Há muitos jogadores que fingem que estão a ouvir. Gosto de aprender. Ele ouve muito os jogadores. Na final da Champions pediu opinião. No ano passado veio-me perguntar 'quem é que achas que estás melhor aquele ou aquele'. Até me mete numa posição difícil. Não me dê a escolher entre dois amigos.'»
De acordo com Bernardo Silva, o técnico espanhol já sabe «há muito tempo» que o criativo vai sair. O internacional luso podia mesmo não ter sido capitão do Manchester City: «Disse 'mister não sei se faz muito sentido porque não vou ficar, não sei se prefere o Rodri, o Rúbe, o Haaland'. Eledecidiu tomar a mesma decisão.»