Despedido por admirar o rival? A obsessão de Thomas Frank pelo... Arsenal
A passagem de oito meses de Thomas Frank pelo comando técnico do Tottenham ficou marcada por uma série de erros de principiante e uma admiração excessiva pelo rival Arsenal, fatores que, a par dos maus resultados, culminaram no seu despedimento, de acordo com The Telegraph.
A relação problemática do treinador dinamarquês com a «palavra que começa por A» começou logo na sua primeira conferência de imprensa. Ao admitir o seu primeiro erro, Frank afirmou: «Não vi nenhuma equipa que não perca jogos. Há o Arsenal, que não podemos mencionar, na Premier League. Portanto, cometi aí o meu primeiro erro de principiante».
Esta referência não se limitou aos encontros com a comunicação social. Segundo fontes próximas do balneário, Frank mencionava regularmente os pontos fortes do rival do Norte de Londres nas palestras com a equipa, o que gerou frustração entre alguns jogadores. «Ele estava constantemente a falar do Arsenal aos jogadores e eles fartaram-se rapidamente. Mesmo antes e depois do jogo no Emirates, ele dizia-lhes o quão bom o Arsenal era. O sentimento entre alguns era: "cala-te mas é com o Arsenal"», revelou uma fonte ao Telegraph Sport.
A situação agravou-se quando surgiram fotografias de Frank a segurar um copo de café do Arsenal no Vitality Stadium, antes da derrota por 3-2 contra o Bournemouth. As imagens, que o retratavam como um adepto obsessivo dos rivais, circularam não só entre os adeptos dos Spurs, mas também entre funcionários e jogadores do clube.
O sucesso do Arsenal, líder da Premier League e da UEFA Champions League, contrastava com as dificuldades do Tottenham, tornando a vida de Frank ainda mais difícil. A isto somaram-se outros erros, como a perda da contratação de Eberechi Eze para o Arsenal e a controversa renomeação de Fabio Paratici como codiretor desportivo, que acabaria por sair em fevereiro.
Desde o início, o plantel sentiu que o treinador se focava demasiado nos adversários. «A maior parte do trabalho era sobre o que fazer sem bola e como anular o adversário, em vez de trabalhar em como podiam ferir os oponentes», explicou uma fonte. Esta abordagem pragmática, que sucedeu ao estilo de Ange Postecoglou, refletiu-se nos resultados. Apesar de um início promissor, com três vitórias nos primeiros quatro jogos, os alarmes soaram com o empate em casa frente ao Wolverhampton e a derrota com o Aston Villa.
A tensão atingiu o auge na derrota em casa contra o Chelsea, em novembro, com os adeptos a assobiarem a equipa. A relação entre jogadores e adeptos deteriorou-se rapidamente, culminando em cânticos a pedir o despedimento de Frank durante a derrota com o West Ham. A veemência dos protestos forçou a administração a reavaliar a situação, concedendo-lhe uma sobrevida até ao jogo da prova milionária com o Borussia Dortmund, mas o seu destino já estava traçado.
Na semana passada, o próprio Frank admitiu as dificuldades no balneário: «Tenho a certeza de que também há alguns jogadores que não acham que eu seja o melhor tipo ou o que quer que seja».
A 11.ª derrota na Premier League, sofrida frente ao Newcastle, selou o destino de Frank no comando técnico do Tottenham. Apesar de o treinador dinamarquês, de 52 anos, se ter mostrado «convencido» de que mantinha o apoio da direção após o jogo, essa convicção revelou-se um erro e o despedimento foi inevitável.
Durante a partida contra o Newcastle, os adeptos já entoavam cânticos a pedir a sua saída («vais ser despedido de manhã») e clamavam pelo regresso de Mauricio Pochettino, tornando a sua posição insustentável.