De «acabado» a peça-chave: o renascimento de Casemiro no Man. United
De alvo de (duras) críticas a figura central, Casemiro, de 33 anos, conseguiu dar a volta por cima no Manchester United, quando muitos já o consideravam «acabado» para o futebol ao mais alto nível, sobretudo o antigo internacional inglês e comentador Jamie Carragher. O ex-FC Porto, que chegou a Old Trafford em agosto de 2022, proveniente do Real Madrid, por 70 milhões de libras, prepara-se para deixar o clube num grande momento de forma no final da época, quando o contrato expirar.
O ponto mais baixo da carreira do brasileiro nos red devils aconteceu há mais de um ano, a 30 de dezembro de 2024, numa derrota em casa por 2-0 contra o Newcastle. Naquela noite, o descontentamento dos adeptos foi evidente, com o Joshua Zirkzee a ser substituído sob apupos sarcásticos aos 33 minutos. O sentimento geral era que, se Casemiro tivesse sido o substituído, a reação teria sido ainda pior.
Após essa partida, o internacional canarinho esteve um mês sem jogar, ficando no banco nos cinco encontros seguintes, quando Erik Ten Hag ainda orientava a equipa. Contudo, a sua situação mudou drasticamente. De um jogador que parecia lento e exposto no meio-campo, Casemiro transformou-se num dos elementos mais influentes da equipa, sendo agora considerado quase indispensável.
Mudança de Amorim para Carrick deu frutos
A chegada de Michael Carrick em janeiro, para substituir Ruben Amorim, foi fundamental para esta reviravolta. O inglês alterou o sistema tático da equipa, passando do modelo de três defesas do português para um 4-4-2 mais compacto e conservador. Esta mudança protegeu Casemiro, reduzindo as distâncias que tinha de percorrer e permitindo-lhe focar-se nos seus pontos fortes.
Sob o comando de Carrick, a média de distância percorrida por Casemiro baixou de 10,7 km para 10,3 km por jogo. Mais significativo ainda, o número de duelos disputados por 90 minutos diminuiu de 12,6 para 9,5, enquanto a sua taxa de sucesso nesses duelos aumentou de 51% para 58%. A nova estrutura defensiva, com mais apoio dos colegas, permite-lhe escolher melhor os momentos de intervenção, como se viu na vitória por 2-0 sobre o Manchester City a 17 de janeiro.
Adicionalmente, o menor número de jogos na presente temporada — um total de apenas 40, devido à ausência de competições europeias e à eliminação precoce das taças internas — ajudou a preservar a condição física do veterano médio na sua última época em Manchester.
Melhorias na defesa... e no ataque
O renascimento de Casemiro não se limita ao trabalho defensivo. No ataque, o brasileiro tem sido surpreendentemente prolífico, somando cinco golos e duas assistências na Premier League, ficando a apenas um golo da sua campanha mais concretizadora de sempre num campeonato.
Com mais golos de bola corrida do que nomes como Viktor Gyokeres, Mohamed Salah e Bukayo Saka, as contribuições do brasileiro têm sido vitais na luta do Manchester United por um lugar no top-4, que dá acesso à UEFA Champions League. Quatro dos cinco golos do experiente centrocampista surgiram na sequência de lances de bola parada, uma área em que o United se tornou a equipa mais eficiente da prova esta época.
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