Ponta de lança brasileiro voltou a fazer o gosto ao pé e fechou as contas do triunfo dos cónegos - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Ponta de lança brasileiro voltou a fazer o gosto ao pé e fechou as contas do triunfo dos cónegos - Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Como deve ser a entrada no novo ano? De pé direito, pois claro! (crónica)

Travassos e Schettine recolocaram cónegos na rota das vitórias. Jejum avense prolongado e... perigoso

O réveillon já foi há uns dias, mas nunca é tarde para se fazer a festa. Especialmente se estivermos a falar do primeiro jogo de um novo ano civil. O Moreirense quis fazer jus à tradição e entrou em 2026 com o pé direito. Literalmente: foi assim que Diogo Travassos e Guilherme Schettine escreveram a história do triunfo do emblema minhoto.

E vitórias era algo que já não constava do repertório da formação orientada por Vasco Botelho da Costa há dois meses. O último triunfo dos de Moreira de Cónegos datava de 2 de novembro, diante do Arouca (2-0), na 10.ª jornada. Depois disso, os axadrezados perderam com SC Braga (1-2) e Benfica (0-4), tendo ainda empatado diante de Famalicão (2-2), Estoril (3-3) e Estrela da Amadora (0-0).

E nada melhor do que abrir caminho para o regresso ao sucesso do que marcar a abrir. Logo aos 12 minutos, Diogo Travassos disparou um foguete — que talvez tenha sobrado dos festejos da passagem de ano... — que Simão Bertelli não conseguiu suster e estava aberto o ativo para os forasteiros. Em abono da verdade, diga-se, o tiro do jovem lateral/extremo emprestado pelo Sporting ao Moreirense foi forte, mas o guarda-redes dos avenses não ficou nada bem na fotografia...

A vantagem deu mais conforto aos forasteiros e deixou os da casa sem reação. De tal forma que até ao intervalo apenas Guilherme Neiva ousou dar um pontapé na monotonia, mas os intentos do extremo brasileiro foram superiormente negados por Caio Secco, que voou para impedir o empate.

E se João Henriques tentou dar um safanão ao intervalo — lançou o irrequieto Óscar Perea para a ala esquerda do ataque —, nada pior do que entrar na etapa complementar... a (voltar a) sofrer: Stjepanovic rematou de longe, Simão Bertelli defendeu como pôde, mas a bola sobrou para Rodrigo Alonso que, ato contínuo, assistiu Guilherme Schettine para o dobrar da vantagem dos cónegos.

Tudo ainda mais complicado para os nortenhos. Que tiveram atitude, é um facto, mas não chegou.

Babatunde Akinsola (69' e 85') e Óscar Perea (82') quiseram reabrir a discussão pelos três pontos, mas Caio Secco, nos dois últimos lances, agigantou-se e impediu a festa caseira.

Pelo meio, Landerson só não inscreveu o seu nome na lista de marcadores porque desperdiçou de forma incrível uma oferta bem generosa de Diogo Travassos (75').

Os minhotos voltam a sorrir e mantêm-se tranquilamente na parte superior da tabela, os nortenhos seguem sem vitórias e (naturalmente) na cauda da classificação.

O melhor em campo: Diogo Travassos (Moreirense)
Há momentos dos jogos em que parece que desaparece. Mas pelos melhores motivos: porque acelera pelo corredor e está sempre disposto a causar estragos nas defensivas contrárias. Passou essa mesma fatura ao Aves SAD, mas fez mais: ousou a meia distância e foi feliz. O golo motivou-o ainda mais e foi vê-lo... correr. Só não acumulou uma assistência porque Landerson falhou...
A figura: Babatunde Akinsola (Aves SAD)
O extremo nigeriano tem na velocidade uma das suas principais armas e foi esse atributo que tentou utilizar para ferir o último reduto contrário, nomeadamente na etapa complementar, período em que os avenses se acercaram mais vezes da grande área dos cónegos. Tentou a sua sorte de meia distância, mas Caio Secco não estava para aí virado e impediu que o africano fosse feliz.

As notas dos jogadores do Aves SAD:

As notas dos jogadores do Moreirense:

João Henriques (treinador do Aves SAD)

Na primeira parte estivemos algo retraídos. Depois do intervalo a equipa deu uma resposta bastante positiva, não deitando a toalha ao chão mesmo depois de ter levado o segundo golo. Adiámos a primeira vitória, mas temos a convicção de que temos a capacidade para pontuar o suficiente para sairmos desta situação.

Vasco Botelho da Costa (treinador do Moreirense)

Ganhar é sempre importante e também conseguimos deixar a nossa baliza a zero. A paragem foi boa para nós, vínhamos de um ciclo de jogos muito intenso. Não sendo um jogo brilhante, fomos a equipa mais competente. Conseguimos ter a calma e a maturidade para fazermos o nosso jogo. A vitória acaba por ser justa.