Com um toque subtil e carregado de classe, Pavlidis, isolado por Leandro Barreiro, faz um chapéu a Joel Robles e marca o segundo golo do Benfica
Com um toque subtil e carregado de classe, Pavlidis, isolado por Leandro Barreiro, faz um chapéu a Joel Robles e marca o segundo golo do Benfica

Ano Novo com cara nova e festa de velho conhecido (crónica)

Benfica volta às vitórias mas ainda não às belas exibições. 2026 trouxe a revelação de Sidny — entrou e ofereceu a Pavlidis o golo que sentenciou o jogo só aos 80' — e a confirmação do 'matador' grego

Aos 45+1' os quase 60 mil espectadores que estiveram na Luz celebraram efusivamente o momento sublime de Pavlidis — golo carregado de classe que nasceu de um toque subtil para um belo chapéu a Robles, depois de abertura de Leandro Barreiro com a precisão de cirurgião — que deixou o Benfica em vantagem por 2-0 pertinho do intervalo, mas dois minutos depois o Estoril reduziu logo a desvantagem e esvaziou o balão do entusiasmo que tomara conta dos jogadores encarnados e do público. O Benfica e os seus adeptos continuam a viver fortes e diferentes estados de espírito num jogo — ainda mais se considerarmos toda a época — e no final dos 90 minutos, apesar da vitória, sempre o mais importante, também continuam sem esmagar dúvidas sobre o futuro ou alimentar de forma decisiva a confiança.

O Estoril entrou melhor no jogo, ao segundo minuto Trubin travou um remate perigoso de Begraoui e Pedro Amaral, na recarga, cabeceou ao lado. Até aos 20' ainda criou mais duas oportunidades para marcar, ambas por Marqués, com Trubin a evitar novamente o golo. Os canarinhos, muito bem organizados, não só tratam bem a bola como sabem o que fazer com ou sem ela. Jogaram sem medo, pressionaram a saída de bola do Benfica e aos 12' já Trubin estava a bater um pontapé de baliza longo, denunciando as dificuldades para iniciar o ataque. Se no processo ofensivo Ian Cathro encontrou soluções num 4x2x3x1, com Begraoui ou Rafik Guitane quase sempre disponíveis para receber a bola e dar continuidade aos ataques, no defensivo posicionou a equipa num 4x3x3 compacto, com os jogadores perto uns dos outros, impedindo sobretudo que o Benfica encontrasse os caminhos da baliza pelo centro.

Sentia-se o Estoril muito bem no jogo e um cabeceamento de Pavlidis depois de centro de Dedic despertou o Benfica — entre os 22' e os 27' somou cinco remates até chegar o penálti, por mão de Marqués na área, que Pavlidis converteu. Já com o controlo do jogo, o Benfica chegou mais vezes à baliza, mesmo que sem grande eficácia de todos os recursos que explorou, nomeadamente a profundidade dos laterais ou os desequilíbrios que Sudakov e Prestianni começaram a criar. O segundo golo de Pavlidis, como se disse, não teve o efeito de catalisador de bela exibição porque logo a seguir João Carvalho reduziu, num bonito golo a finalizar bonita jogada de ataque.

Por ser equipa adulta na interpretação do momento ou por estar consciente das limitações, o Benfica entregou a iniciativa de jogo ao Estoril na segunda parte e não quis correr riscos. E os canarinhos, dessa forma, prolongaram o momento positivo com que acabaram o primeiro tempo. Begraoui, já depois de o Estoril ter entrado duas vezes na área dos encarnados como faca afiada, esteve perto de empatar num remate cruzado aos 66'. João Carvalho, dois minutos depois, rematou por cima da barra e a Luz, escaldada por outros empates, sentiu o perigo — ouviram-se assobios na bancada. É certo que o Benfica rematou muito (e muitas vezes mal), mas só três vezes acertou no alvo. Foi suficiente — três remates enquadrados, três golos.

Mourinho mexeu na equipa pela primeira vez aos 77' — Sidny, utilizado como extremo, estreou-se e pouco depois, na sequência de um lance individual, estava a oferecer a Pavlidis o terceiro golo (80'). O jogo acabou nesse momento. O Estoril, cujos jogadores estavam esgotadíssimos, atirou a toalha ao chão. O Ano Novo chegou para os benfiquistas , então, com a revelação de Sidny e a confirmação do matador Pavlidis, que somou o terceiro hat trick esta época. Seguramente dois motivos de satisfação que, porém, não saciam quem espera muito mais.