Jordy Pefok celebra o golo apontado ao Arouca. - Foto: PAULO NOVAIS/LUSA
Jordy Pefok celebra o golo apontado ao Arouca. - Foto: PAULO NOVAIS/LUSA

Bolas paradas moveram a cambalhota beirã (crónica)

Arouca marcou primeiro, mas o Tondela foi eficaz nas bolas paradas. Um golo de livre e dois na sequência de cantos. Beirões ganham novo fôlego

O Tondela regressou aos triunfos, depois de três derrotas consecutivas e com a conquista dos primeiros três pontos em casa na Liga. O Arouca marcou primeiro, mas as bolas paradas foram decisivas para os beirões, que apontaram um golo num livre direto e dois na sequência de cantos.

Primeira parte intensa no João Cardoso! Com atitude aberta e sistemas idênticos [4x2x3x1], as duas equipas lançaram-se em busca dos três pontos, construindo um jogo com oportunidades e emoção junto das balizas.

O Arouca colocou-se em vantagem anulando o melhor começo do Tondela, por Alfonso Trezza, que aproveitou o espaço nas costas da defesa local, para finalizar com um remate rasteiro uma grande abertura de Van EE.A resposta do Tondela foi rápida e eficaz, por Maviram, que empatou num livre direto. Mantl, mal posicionado, podia ter feito melhor, assim como na reviravolta dos beirões, quando deixou a bola cruzar a linha da sua baliza num canto de Hodge na direita, com Jordy Pefok a finalizar, solto, no lado oposto. Um golo validado pelo VAR, que não confirmou as suspeitas de um assistente de João Gonçalves, que o tinha anulado indicando que a bola tinha ultrapassado a linha de fundo.

Entre os dois golos do Tondela, o Arouca foi mais perigoso e esteve sempre mais próximo de marcar. Os lobos da Serra da Freita gozaram de muito espaço entre a defesa e o setor intermediário dos beirões e conseguiam criar situações de superioridade no último terço. Alfonso Trezza (15’), com o tal espaço, apareceu entre os centrais do Tondela para cabecear ao lado e aos 31’ atirou em zona frontal para defesa de Bernardo Fontes. Fontán também teve o golo nos pés em dois momentos, primeiro num remate cruzado (23’) e depois nos descontos (45+3’), com Bernardo Fontes a evitar o empate.

Na segunda metade houve menos qualidade nas ações ofensivas das duas equipas, com o Tondela a dar passo decisivo em direção ao triunfo aos 61 minutos por Yefrei Rodríguez, que na sequência de canto deu um passo atrás para a zona de grande penalidade e finalizou de cabeça, sem hipótese para Mantl. Foi um autêntico penálti de cabeça do avançado colombiano!

O avanço deu conforto ao Tondela para gerir o resultado, apesar do assomo final do Arouca, que atacou mais, mas não conseguiu situações de elevado perigo para a baliza defendida por Bernardo Fontes, e não evitando uma derrota construída pela arma que Vasco Seabra identificou no adversário, no lançamento do jogo: as bolas paradas. «Apresenta muitos argumentos em lances de bola parada», avisara o treinador.

O melhor em campo: Bebeto (Tondela)
O capitão foi o rei dos desarmes e dos cortes, sobretudo na segunda metade, quando o Tondela se uniu para defender a vantagem e agarrar os três pontos. O lateral efetuou quatro recuperações, fez dois desarmes e ganhou outros dois duelos defensivos, numa exibição exemplar, evidenciando bom sentido posicional e capacidade para adivinhar as intenções dos adversários.

As notas dos jogadores do Tondela (4x2x3x1): Bernardo Fontes (6), Bebeto (6), Christian Marques (5), Brayan Medina (6), Maviram (6), Cícero (5), Hodge (6), Tiago Manso (5), Pedro Maranhão (5), Ivan Cavaleiro (5), Jordy Pefok (6), Yefrei Rodríguez (6), Hugo Félix (4), Rodrigo Conceição (-), João Afonso (-) e Juan Rodríguez (-)

A figura do Arouca: Alfonso Trezza
O avançado uruguaio foi a referência ofensiva e o mais inconformado dos lobos da Serra da Freita. Marcou o golo que colocou o Arouca em vantagem e teve na cabeça a possibilidade de dar novo avanço, quando o resultado estava em 1-1. Viu ainda Bernardo Fontes negar-lhe festejos num tiro rasteiro de fora da área, após diagonal da direita para o centro.

As notas dos jogadores do Arouca (4x2x3x1): Mantl (5), Tiago Esgaio (5), Matías Rocha (5), Popovic (5), José Fontán (6), Van EE (6), Pedro Santos (6), Trezza (6), Hyunju (5), Djouahra (5), Barbero (5), Fukui (5), Bas Kuipers (5), Puche (-), Nandín (-) e Mansilla (-)

O que disseram os treinadores

Cristiano Bacci, treinador do Tondela

«Depois de três derrotas seguidas não foi fácil gerir e também foi difícil porque fomos atrás do resultado. Mas como sempre disse nos momentos difíceis, nós temos um grupo muito unido, jogue quem jogue, e isso foi determinante para vencermos. É normal e humano baixar a cabeça nas alturas difíceis, como estamos agora, mesmo ganhando este jogo. Ainda estamos numa situação difícil, por isso é acreditar no processo. A situação ainda não é fácil gerir, temos de ter consciência que temos ainda muito trabalho pela frente.»

Vasco Seabra, treinador do Arouca

«Mais do que falarmos de coisinhas que poderíamos ter feito, a verdade é que demonstramos que na bola parada temos forçosamente de melhorar. Não há como fugir a isso, estávamos alertados e treinamos muito para que isso não acontecesse e a verdade é que nos dois últimos jogos sofremos golos única e exclusivamente de bola parada. Os adversários não nos criam perigo em organização. Entrámos muito bem no jogo, com muita capacidade, fizemos o golo e continuámos sempre a dominar, mesmo quando sofremos os golos. Falhamos oportunidades, a equipa criou, teve domínio, volume, eventualmente na 2.ª parte deveríamos ter tido mais capacidade para fechar as jogadas. Mas temos forçosamente de olhar para nós, porque com a qualidade e confiança que temos, temos forçosamente d éter mais pontos e sofrer menos golos.»