Aursnes explica regresso à seleção e recorda: «No Benfica era tudo novo... »
Fredrik Aursnes, médio do Benfica, está de volta à seleção da Noruega, pouco mais de quatro meses antes do Mundial. O jogador de 30 anos, que se tinha retirado da equipa nacional há quase dois anos, sentiu agora a necessidade de explicar a sua decisão, admitindo algum desconforto com a situação.
«Sinto que é apropriado explicar-me ao povo norueguês, pois compreendo que haverá reações», afirmou Aursnes, poucas horas depois de ter comunicado a sua decisão a José Mourinho. O regresso acontece numa altura crucial, com a Noruega apurada para o Mundial 2026, após uma qualificação para a qual Aursnes não contribuiu. Este facto pesa na consciência do jogador, que se mostrou visivelmente desconfortável com a ideia de se juntar à equipa nesta fase.
«De certa forma, não [mereço ir ao Mundial], porque não contribuí em nada para isto. Todos os que participaram fizeram um trabalho fantástico e eu não fiz parte disso. Por isso, fico com um sentimento um pouco mau. Sinto que é um bocado má rês não participar na qualificação e depois chegar a uma mesa posta para ir ao Mundial. Por isso, foi muito difícil para mim», revelou.
A decisão de se afastar da seleção, em 2024, foi motivada por um desgaste físico e mental, alegou o jogador. «Era o meu primeiro ano no Benfica e muitas coisas eram novas para mim. Nunca tinha jogado tanto antes e demorei algum tempo a habituar-me àquele ritmo de vida diário», recordou o médio.
Agora, a situação é diferente. «Estou mais habituado a esta rotina, recuperei a energia e comecei a sentir saudades dos estágios e dos jogos pela Noruega», explicou. Aursnes admite que a oportunidade de jogar um Mundial, algo que «talvez só aconteça uma vez na vida», foi um fator decisivo, acreditando que se arrependeria «para o resto da vida» se não aproveitasse a oportunidade.
No entanto, o jogador do Benfica faz questão de sublinhar que a sua decisão não foi um plano premeditado. «Nunca houve um plano da minha parte para que isto acontecesse desta forma», garantiu.
O apoio do selecionador Stale Solbakken foi fundamental. «Tive boas conversas com o Stale, que demonstrou grande respeito e compreensão pela minha escolha. Senti-me muito desejado, e isso foi importante para mim», revelou. «Na verdade, não creio que [haja problemas], porque conheço o grupo e são pessoas muito sólidas. São todos jogadores de equipa. Talvez eu não o tenha sido neste caso, mas, no fundo, acredito que todos querem o melhor para a equipa. Acho que, normalmente, sou uma pessoa que quer contribuir e merecer as coisas, por isso não considero isto ideal. Mas também acredito que tenho uma boa relação com a grande maioria na seleção», acrescentou.
O entusiasmo em torno da equipa nacional foi um dos fatores que motivou o seu regresso. «É algo único e que esperávamos há muito tempo. Acompanhar de fora tem sido extremamente divertido. Senti isso durante muito tempo e agora sinto uma energia extra, o que tornaria extremamente divertido participar. Foi isso que fez a minha decisão pender para este lado», explicou.
Consciente de que a sua decisão pode gerar reações, Aursnes sente também que o seu regresso traz alegria à sua terra natal, Hareid. «Uma coisa que senti enquanto estive longe da seleção é que sou de uma pequena localidade onde todos achavam fantástico eu estar na seleção. Se eu fosse um jovem de lá, também acharia fantástico que alguém de Hareid jogasse pela seleção. Por isso, fico muito contente por eles poderem viver isso agora», concluiu o médio.