Benfica: um negócio recorde e 200 problemas para resolver
O Benfica anunciou a celebração de um contrato de patrocínio com a NOS, para as épocas 2026/27 e 2027/28, num acordo global que ascende a 114,2 milhões de euros, o equivalente a 57,1 milhões por temporada. É o maior valor alguma vez alcançado no mercado português pela cessão dos direitos de transmissão televisiva e multimédia dos jogos em casa, incluindo também os direitos de transmissão da Benfica TV. No fundo, e sem entrar em grandes detalhes, é um bom acordo para o Benfica, que fica para si com a publicidade no Estádio. É bom, mas não é extraordinário: se tomarmos em conta a inflação, os valores são semelhantes aos do contrato assinado em 2015 — 400 milhões de euros em 10 anos.
Trata-se, porém, de um acordo que confirma que o Benfica continua a ser a maior e mais valiosa marca do futebol português. Mostra ainda, sem dúvida, que a lei feita para centralizar a venda dos direitos televisivos não vai ter vida fácil, até porque o clube da luz já veio pedir a sua revogação. Por enquanto, Sporting e FC Porto nada dizem, mas parece não haver dúvidas de que os três grandes não querem partilhar receitas com os mais pequenos.
Em teoria, tal faria sentido, a competitividade da Liga Portugal poderia aumentar muito. Mas, na prática, como alguém escreveu, a teoria é outra.
A questão, como já aqui escrevemos, não está na negociação centralizada dos direitos, mas na fórmula de distribuição entre as equipas. Era aí que deveria ter existido um acordo e não se conseguiu. No passado foi pedida uma intervenção legislativa ao Governo do Dr. António Costa, que a concretizou. O problema é que se aprovou uma lei cujo cumprimento ninguém parece conseguir impor. Resultado: o problema mantém-se exatamente o mesmo.
Nem tudo, porém, são boas notícias para o clube liderado por Rui Costa, e não falo do Tondela! Segundo as notícias, duzentos adeptos insistiram em entrar no centro de treino do Seixal. Insistiram tanto que poderão ter cometido crimes, como ameaças: «quem ameaçar outra pessoa com a prática de crime (…) contra a integridade física (…) ou bens patrimoniais é punido com pena de prisão até um ano (…)« — art.º. 153.º do Código Penal. Ou até o crime de coação, «constrangendo uma pessoa a uma ação ou omissão» (art.º. 154.º). Sem o presidente do clube presente, diplomaticamente (e bem), Mário Branco, José Mourinho e os capitães de equipa falaram com os adeptos exaltados e acalmaram as hostes. E todos têm tentado desvalorizar o incidente. Vem-nos à memória a violenta invasão da Academia do Sporting, em 2018, esta sim muito mais grave.
Porém, o Benfica, com centenas de milhares de sócios, não pode ser governado por quem grita mais alto. Os benfiquistas votaram em número recorde nesta direção. Agora têm de viver com ela e dar-lhe tempo.
O Direito ao Golo vai para o guarda redes Trubin, que marcou o golo que apurou o Benfica para os oitavos de final da Champions, fantástico! E para o Benfica de Mourinho, que fez um jogo que perdurará na memória dos Benfiquistas.
Fernando Mamede, recordista mundial dos 10.000 metros, faleceu. Foi um grande corredor. Homenageamos um atleta que, juntamente com Carlos Lopes e Rosa Mota, deu, nos anos setenta e oitenta, grandes momentos de orgulho e alegria aos portugueses.