Rafa — Foto Miguel Nunes
Rafa — Foto Miguel Nunes

Há espaço no onze do Benfica? Os novos 'problemas' de Mourinho

Janeiro revelou reforços e soluções internas, plantel ganhou asas e engordou, agora o desafio é encaixar Rafa, Lukebakio, Ríos e Barrenechea

José Mourinho começou, enquanto treinador do Fenerbahçe, por elogiar o plantel de Bruno Lage, mais tarde, na qualidade de treinador do Benfica, acabou por deixar claro, mais do que uma vez, que o plantel tinha lacunas e nunca seria a sua escolha se tivesse iniciado a temporada na Luz.

Janeiro chegou, acertos foram feitos, com as chegadas de Rafa e Sidny e a saída de Rafael Obrador, soluções foram encontradas — Schjelderup e Prestianni estariam na lista de jogadores que poderiam sair para gerar receita e acabaram por afirmar-se — e agora os problemas de Mourinho serão outros: como arrumar toda a gente, e que gente!, no onze do Benfica?

Vamos por partes, pois há setores mais simples e setores mais inflacionados: na baliza as coisas nunca terão sido tão claras. Trubin está em grande momento de forma, quiçá o melhor desde que chegou à Luz, e nem sequer tem agora a sombra de Samuel Soares, que tem estado lesionado e longe da ação.

A defesa também não oferece grandes desafios ao treinador do Benfica, pois cada escolha parece bastante pacífica. O lado direito continua a ser de Dedic e conta agora com uma alternativa natural chamada Banjaqui e a resposta do lateral de 17 anos tem sido boa. No eixo, mantém-se Otamendi, sem contestação, assim como a rotação entre Tomás Araújo e António Silva, sendo o primeiro reservado a tarefas de grande dimensão, como defrontar o Real Madrid. O lado esquerdo tem funcionado na perfeição com Samuel Dahl, já elogiado por Mourinho e cada vez mais sereno, e ainda há José Neto, outro campeão mundial de sub-17, que ficou com o lugar de Obrador, transferido para o Torino.

O meio-campo. Aqui, sim, há pano para mangas. José Mourinho encontrou uma dupla, com Aursnes e Barreiro a jogarem, finalmente, nas posições para as quais foram contratados, mas a aposta aconteceu numa altura em que não havia Barrenechea e Ríos. O argentino já voltou, o colombiano, que será mais do que provável eleito da Colômbia para o Mundial, está a caminho, e Mourinho terá de gerir a situação, numa altura em que faltam menos de quatro meses para o final da época e já não há assim tantos jogos para fazer — 14 jornadas de Liga, mais dois jogos do play-off da Champions. Se o Benfica passar o Real Madrid, pelo menos mais dois virão.

Depois, as alas. Onde, porventura, estarão os lugares mais caros do onze. O que pareciam corredores em dificuldades, sem Lukebakio à direita e constantes passagens duvidosas pelo lado esquerdo, parecem agora corredores a escaldar. Prestianni tomou conta da direita, tem jogado e muito bem, estando constantemente entre os melhores do Benfica. Rodrigo Rêgo, jovem da formação, perdeu gás, mas Lukebakio, o dono do lugar antes da lesão, um senhor que custou €20 milhões, deve voltar este mês para reclamar o que era seu.

A vida de Mourinho não estará mais fácil à esquerda. Há Rafa, sim, em teoria contratado para ocupar o lugar, mas há também Schjelderup, capaz de grandes exibições nos momentos mais importantes. O norueguês não saiu para o Club Brugge depois do bis ao Real Madrid, mas Rafa também não terá voltado à Luz para ficar no banco. Sidny é outra alternativa e também não é de desprezar, por fim há Bruma, a aquecer depois da lesão.

O ataque continuará a ser de Pavlidis, com Sudakov nas costas... ou Rafa. Mas também aqui há dois pesos-pesados em causa. Mourinho tem, pois, mais e melhores opções, mas também mais e maiores egos com que lidar.