Dalot aborda impacto da saída de Amorim: «Ou trazia mais energia ou saía pela culatra»
Quase um mês depois da saída de Ruben Amorim do comando técnico do Manchester United, Diogo Dalot abordou essa mudança inesperada de treinador no clube e afirmou que poderia ter tido dois resultados: um positivo e outro negativo, mas que felizmente a chegada de Michael Carrick veio dar um impulso à equipa. Prova disso são as três vitórias consecutivas na Premier League e contra adversários muito complicados.
«Tem sido bom. Já passei por algumas situações semelhantes e é sempre difícil, porque as mudanças trazem incerteza ao clube, e podem ter dois resultados: trazer mais energia ou sair pela culatra. Felizmente, conseguimos dar a volta por cima rapidamente, tivemos dois jogos muito difíceis que podiam mudar o rumo da temporada, e saímo-nos muito bem. O maior desafio é ir ainda mais longe e ser ainda melhor, por isso diria que nos saímos muito bem num período difícil», começou por dizer, no podcast dos red devils, Inside Carrington, elogiando o sucessor do técnico português, pelo menos, até ao final da época.
«Ajuda saber o que se vai ter, porque às vezes não se sabe o que esperar. Com o Michael, soube logo que estávamos a receber uma pessoa calma e que transmite sempre boa energia. Essa é uma das coisas que realmente admiro nele: independentemente da situação, ele está sempre equilibrado e isso passa para nós, jogadores. Ao jogar duas partidas difíceis contra equipas que tenho a certeza que ele sabe muito bem como vencer, ele soube imediatamente o que nos dizer, a abordagem que queria ter. Eu já o conhecia, mas para os outros, ter alguém que já conhece o clube e sabe o que se deve sentir nestes momentos foi realmente útil», explicou, admitindo que não é agradável esta constante troca de treinadores. Já foi orientado também por Fletcher, Ten Hag, Solskjaer, Rangnick, Van Nistelrooy e José Mourinho.
«Eu adoraria ter tido apenas um treinador durante todo o meu tempo aqui, isso é sempre mais fácil. Mas, ao mesmo tempo, também é obrigatório que nos saibamos adaptar, e uma das coisas que tento sempre passar é que não podemos mudar comportamentos ou a maneira como trabalhamos dependendo do treinador. Acho que, a longo prazo, essa montanha-russa não te dá a consistência que deves ter. Desde que cheguei aqui, tentei sempre ser o mesmo jogador, e depois depende do treinador. Ele pode gostar mais ou menos de ti, mas a tua maneira de ser, de te treinares e de te preparares, isso tem de ser sempre igual», afirmou, comparando a Premier League com o campeonato português.
«Quando se chega à Premier League tão jovem, há sempre um choque com a realidade. Por exemplo, pode-se ser muito bom no ataque, mas aqui não se sobe no campo tantas vezes como na liga portuguesa. É preciso ser muito bom na defesa. Na verdade, aprendi a gostar e a ter prazer em defender, e para ser um lateral realmente bom, é preciso saber defender. Tem sido uma jornada muito boa para aprender e me adaptar ao país. Diria que agora estou completamente adaptado e sei o que esperar da Premier League. Acho que é um jogo muito divertido e intenso de se jogar e que se adequa a mim, porque gosto da energia desta liga. Joguei em Itália e digo sempre que lá é mais um jogo de treinadores, aqui é um jogo de jogadores e, se aos 60 minutos estiveres a ganhar 2-0, o jogo continua aberto. Em Itália, 1-0 e está quase acabado, vai ser muito difícil quebrar o adversário», atirou, ele que passou um ano de empréstimo no Milan.
Por fim, Dalot revelou o melhor momento da sua carreira no clube. «O que mais me orgulha é toda a minha trajetória neste clube. Estar na posição em que estou agora, podendo ser titular no United depois de ter passado por todas as situações possíveis no clube – lesões prolongadas, não ser uma opção para o treinador, jogar um jogo aqui e ali, ser titular em todos os jogos – é algo que me tornou muito forte e equilibrado, e isso também me deixa orgulhoso. Depois, se pensarmos em jogos e momentos, não consigo expressar o quanto fiquei feliz e emocionado quando ganhámos a FA Cup. Tínhamos ganho a Carabao Cup, mas percebi que, mesmo para os adeptos, a FA Cup era diferente. O maior e melhor problema que se tem depois de assinar pelo Manchester United é sempre a expectativa. Não se assina pelo United sem pensar que se vai ganhar troféus. Não ganhei assim tantos nos meus sete anos aqui, mas joguei cinco finais. Poderia ter cinco troféus. Isso alimenta a energia de saber que podemos competir, saber que provavelmente mudando uma ou duas coisas, sendo mais consistentes aqui e ali, este clube vai ganhar novamente. Isso é 100% certo, não tenho dúvidas», finalizou.