SC Braga venceu (1-0) o Nottingham Forest na fase de liga da Liga Europa
SC Braga venceu (1-0) o Nottingham Forest na fase de liga da Liga Europa

Muita chuva para lavar as más línguas

Ecos da Pedreira é o espaço de opinião quinzenal de Diogo Costa, médico interno de Psiquiatria e associado do SC Braga

Como não podia deixar de ser, e sem querer ferir quaisquer suscetibilidades com o título escolhido, que carece da explicação que se seguirá, arranco este artigo com uma manifestação de solidariedade dirigida aos afetados pelas recentes condições climatéricas, apelando à ajuda de todos na procura por um rápido restabelecimento da normalidade.

Terminou há dias a fase de liga das duas principais competições europeias, com particular destaque neste espaço para a Liga Europa. Após oito jornadas, o SC Braga atingiu um honroso sexto lugar, de um total de 36 equipas e, com isso, garantiu uma passagem direta aos oitavos de final da competição.

A melhoria comparativamente à época anterior é muito significativa, com uma ascensão de 19 lugares. Após o sorteio, em finais de agosto, poucos se arriscariam a colocar o SC Braga nesta posição, considerando que no lote de adversários constavam nomes sonantes como os de Feyenoord, Nottingham, Celtic e Estrela Vermelha, quatro emblemas que contam com o título de campeão europeu no seu palmarés.

Dos oito adversários sorteados, quatro eram provenientes das eliminatórias da Liga dos Campeões, mas, paulatinamente, o SC Braga foi trilhando um caminho de sucesso e marcando a sua posição a nível europeu. Venceu cinco partidas, terminou seis das oito jornadas com clean sheets e apenas não marcou qualquer golo no último jogo, que garantiu a qualificação direta.

Em termos globais, a prestação do clube foi marcada por imensa sobriedade e competência, com muito mérito para o trabalho do treinador na preparação destes embates. Em simultâneo, os objetivos na competição foram acompanhando a trajetória ascendente da equipa e contrariando as previsões e expectativas de terceiros, de tal forma que, mesmo no dia seguinte à confirmação da classificação final da fase de liga, houve quem não tivesse a capacidade de reconhecer e valorizar o feito alcançado pelo SC Braga, em conjunto com o dos restantes clubes portugueses na Europa.

Recuando até à penúltima jornada, decisiva e jogada debaixo de muita chuva, frente aos ingleses do Nottingham Forest, parece-me oportuno aproveitar uma das frases constantes do vídeo habitualmente exibido no ecrã gigante da Pedreira nos momentos antecedentes à entrada das equipas em campo em Braga, terra de «Chuva… Muita chuva para lavar as más línguas». Mais do que nunca, essa frase ganhou particular significância nos últimos dias.

O registo classificativo e exibicional do clube na Liga Europa é assinalável, não só pelos seus efeitos mais imediatos, mas também pela recuperação simbólica do perfil de um SC Braga europeu que se tinha desvanecido nos últimos anos. Acrescenta-se a isto a valorização do treinador, do plantel e de algumas individualidades, com Lukás Hornícek à cabeça, um dos responsáveis pelo recorde de equipa com maior número de clean sheets na fase de Liga.

Por conta dos bons desempenhos, surge agora uma vontade crescente de ver este percurso prolongado durante o máximo de tempo possível… Ousem voar, façam-nos acreditar.

Cá dentro, o arranque da segunda volta foi positivo e permitiu uma recuperação pontual importante. Com o alívio marcado no calendário, prevê-se que possa haver uma melhoria nos resultados, comparativamente aos da primeira volta. O objetivo deverá sempre ser fazer melhor, pois só dessa forma nos aproximaremos do sucesso. Agora, findo um ciclo de nove jogos em 31 dias, é tempo de deixar a poeira assentar, descansar, recuperar do impacto físico decorrente desta sobrecarga de minutos, integrar os reforços e olhar em frente para aquilo que resta da temporada. E é também altura de unir forças e robustecer a simbiose entre a equipa e os adeptos, porque «Pouco importa o que dizem».