José Gandarez, vice-presidente do Benfica, fala do projeto que será discutido em AG marcada para este sábado

As AGs «quentes» e uma garantia: «O Benfica District não vem para distrair»

Direção encarnada procurou explicar o projeto aos sócios, em conferência de imprensa

Na véspera da Assembleia Geral que vai discutir e votar o projeto Benfica District, a direção encarnada procurou separar o momento desportivo do debate estratégico sobre o futuro do clube, numa conferência de imprensa marcada pela intervenção dos vice-presidentes Nuno Catarino e José Gandarez.

Questionado sobre o ambiente tenso que tem marcado as últimas Assembleias Gerais e sobre o risco de os sócios avaliarem o projeto à luz dos resultados da equipa de futebol - atualmente no terceiro lugar do campeonato, a 10 pontos da liderança - Nuno Catarino reconheceu que o contexto desportivo pesa sempre no debate, mas defendeu que os associados têm demonstrado maturidade na análise.

«O Benfica tem uma grande tradição de Assembleias Gerais quentes. No calor da discussão, o momento da equipa influencia sempre, mas do que temos ouvido nas sessões de esclarecimento, os sócios já distinguem que este é um projeto de futuro que vai para além do momento atual», afirmou, sublinhando que «daqui a 10 anos ninguém se vai lembrar do contexto desportivo quando a decisão foi tomada, mas sim da capacidade que este projeto deu ao Benfica para se catapultar».

Já José Gandarez reforçou a ideia de que o Benfica District não surge como uma distração face aos resultados, mas como um investimento estruturante. «O Benfica District não vem para distrair, vem para construir o futuro. O Benfica não pode parar. Independentemente dos resultados desportivos, o nosso trabalho é dotar o clube das melhores ferramentas para estarmos sempre mais perto de ganhar», declarou.

Um dos temas mais sensíveis abordados foi o da eventual derrapagem financeira da obra e o impacto que isso poderia ter no investimento no plantel. Gandarez garantiu que esse cenário está salvaguardado no modelo financeiro apresentado. «O nosso modelo prevê o pagamento em 15 anos. Isso dá-nos uma margem muito grande. Se houver uma derrapagem, o próprio orçamento tem contingências para aumentar o prazo de pagamento da dívida, sem nunca pôr em causa as receitas operacionais ou o investimento no plantel», explicou, acrescentando que existem soluções alternativas dentro do próprio plano: «O Plano B está dentro do Plano A.»