Rodri, a coruja que anunciou mau augúrio para Silaidopoulos (crónica)
Seguro e eficaz, o Moreirense foi ao Estádio dos Arcos agudizar a crise do Rio Ave, que averbou a quinta derrota consecutiva e deixa Sotiris Silaidopoulos numa posição muito fragilizada.
A maré de azar continua a encher este Rio Ave. Com uma entrada determinada, os vilacondenses aproximaram-se da área contrária, porém, na primeira vez que o Moreirense criou perigo, marcou. E que golaço de Rodri Alonso! O médio espanhol aproveitou uma peitaça de Kiko Bondoso, enquadrou-se com a baliza e com muito jeito colocou a bola no ângulo superior esquerdo da baliza defendida por Ennio, que nem com asas lá chegava. Meteu-a onde a coruja dorme!
Azar do treinador grego, para o qual a bola foi mesmo uma coruja, uma ave que para muitas civilizações simboliza mau augúrio, azar, morte e bruxaria. Se for crente em presságios, Silaidopoulos terá motivos para aumentar a sua preocupação, sobre os rumores da sua saída do comando técnico do Rio Ave.
Silaidopoulos mudou de tática para tentar fugir ao agoiro deste ciclo complicado de quatro derrotas consecutivas na Liga. Colocou a sua equipa em 4x2x3x1, em vez de um sistema com três centrais que marcou o Rio Ave até este duelo e os seus jogadores corresponderam, com iniciativa e permanecendo mais tempo perto da baliza de André Ferreira, contudo confirmaram as dificuldades na finalização. E, nos Arcos, já não moram André Luiz e Clayton, que antes deste encontro valiam 17 dos 22 golos que o Rio Ave marcou. Não faltou vontade, mas o momento é mesmo complicado.
Calmo e sereno, o Moreirense aceitou esse domínio dos vilacondenses e foi letal sempre que atacava a baliza de Ennio, com uma eficácia terrível, marcando nas duas primeiras oportunidades. Colocou-se em vantagem no tal remate em jeito de Rodri já descrito anteriormente e aguentou depois a reação do Rio Ave que empatou por Blesa, aproveitando uma tentativa de saída rápida de André Ferreira, com a recuperação de bola a colocá-la nos pés do espanhol, que pelo caminho contou com o azar de Stjepanovic em desviá-la, para entrar junto à base do poste esquerdo. O Rio Ave voltou a marcar, depois de estar 406 minutos em seco.
E, com grande eficácia, o Moreirense deu novo golpe após o descanso, agora com o sérvio (Stjepanovic) a ter a sorte (e a arte!) num tiro forte em zona frontal, para colocar novamente os cónegos na frente.
Como a coruja anuncia na crença popular, foi a morte do Rio Ave, que não teve força para incomodar o Moreirense, que até esteve mais perto de elevar o avanço, quando nos descontos Maranhão isolou-se e atirou aos ferros.
As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Ennio (5), Vrousai (5), Brabec (5), Gustavo Mancha (5), Omar Richards (5), Nikitscher (6), Ntoi (6), Diogo Bezerra (6), Blesa (6), Spikik (5), Tamble Monteiro (5), Papakanelos (5), Olinho (5), Ryan (-) e João Graça (-)
As notas dos jogadores do Moreirense (4x3x3): André Ferreira (6), Dinis Pinto (5), Gilberto Batista (5), Maracás (6), Francisco Domingues (6), Rodri Alonso (7), Stjepanovic (6), Alanzinho (5), Diogo Travassos (5), Yan Maranhão (5), Kiko Bondoso (6), Nile John (4), Gower (4), Landerson (-), Kevin (-) e Cedric Teguia
Vasco Botelho da Costa, treinador do Moreirense
«Entramos a controlar todos os momentos do jogo, o Rio Ave mudou a tática, mas conseguimos ajustar bem, fomos crescendo, não a criar muito, e com o jogo controlado fizemos o golo e depois tivemos muita sobranceria, pensámos que o jogo já tinha acabado e a perder agressividade. O intervalo chegou, felizmente só com um golo na nossa baliza. Na 2.ª parte não foi possível jogar tão bem como queríamos, mas tivemos o mais importante, uma atitude competitiva e mentalidade vencedora muito forte e controlámos todos os momentos do jogo.»
Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave
«Fizemos um bom jogo, o resultado foi injusto. O Moreirense marcou na primeira oportunidade que teve, tivemos uma excelente reação e mostrámos muita personalidade. Estivemos bem na primeira parte, na segunda não entrámos bem e voltámos a sofrer, mas a equipa teve comprometimento e energia para mudar o resultado. Dói aos adeptos cinco derrotas consecutivas, mas a minha equipa tem capacidade e qualidade para dar a volta por cima. A última semana foi estranha, desejo continuar no Rio Ave, mas percebo o que é o futebol e as críticas.»