Barcelona perde dérbi catalão e também a liderança para o Real Madrid (crónica)
O Barcelona tinha de cumprir em Girona uma dupla obrigação: fazer uma exibição convincente que fizesse esquecer a péssima imagem e a goleada sofrida a semana passada no jogo da Taça disputado no estádio do Atlético de Madrid e conseguir o triunfo para poder recuperar o primeiro lugar ocupado, nos dois últimos dias, pelo Real Madrid. Mas o Barça não fez nem uma coisa nem outra, jogou melhor que no Metropolitano mas averbou uma nova derrota que o condena a ir para a segunda posição na tabela com dois pontos menos que o Real Madrid. Sem querer, os catalães deram uma injeção de moral aos madrilenos para o jogo desta noite na Luz.
Tal era a necessidade de ganhar que Hansi Flick deu a titularidade a Raphinha quando o habitual com o técnico alemão é que, os jogadores que vêm de uma lesão, só entrem em campo no decorrer do segundo tempo.
O Girona, que na temporada passada esteve na Champions, agora luta por não descer de divisão e essa necessidade de lograr algo positivo impulsionou-o a dar a cara, a jogar de igual a igual com o poderoso adversário e fê-lo defendendo bem e lançando-se, em velocidade, para o contra ataque à procura de poder construir alguma jogada que pudesse terminar em golo. O certo é que, com isso, a turma local incomodou bastante a defesa visitante obrigando-a a aplicar-se a fundo para evitar o pior.
Pelo lado do Barcelona também houve lances de certo perigo, num deles já perto do intervalo Raphinha atirou ao poste, mas a ocasião mais clara surgiu já no tempo de compensação antes do descanso: o defesa local Blind derrubou Dani Olmo dentro da área, penálti claro que Lamine Yamal desperdiçou, enviando o esférico a embater no ferro, a primeira grande penalidade não convertida em golo pelo jovem jogador desde que subiu à primeira equipa do Barcelona - com esta, são já 24 as vezes que, nesta liga, o Barcelona envia a bola aos ferros. Com tantas oportunidades dum lado e do outro, o estranho é que a primeira parte tenha terminado com o marcador em branco.
O segundo tempo voltou a ser trepidante como o primeiro com as duas equipas descaradamente ao ataque buscando o golo. O primeiro surgiu, ao quarto de hora, do lado do Barcelona: bom centro de Koundé e grande remate de cabeça de Cubarsi que levou a bola ao fundo das redes sem hipóteses para o guarda redes local.
Mas a alegria dos visitantes pouco durou, o Girona reagiu de forma imediata e só precisou de um par de minutos para chegar à igualdade, numa jogada dos locais pelo lado esquerdo a defesa do Barça esteve pouco expedita, deixando que o envio da bola para a área chegasse a Lemar que, sem oposição, só teve que a empurrar para as malhas.
Mas o Girona queria mais e só não o conseguiu pouco depois graças a Joan García que, no mesmo lance, fez três enormes defesas que salvaram a equipa de sofrer o segundo golo que o magnífico guarda-redes não pôde evitar quando, um pouco mais tarde, Fran Beltrán fez um bem colocado remate ao que ele não conseguiu chegar.
O Barça protestou, alegando falta prévia sobre Koundé, mas o VAR analisou o lance e decidiu validar o tento. O Barcelona tentou desesperadamente, com as forças que ainda lhe restavam, evitar a derrota: Lewandowski chegou a marcar mas estava em fora de jogo, Roca falhou, por pouco, o terceiro golo, o mesmo jogador foi expulso por falta sobre Lamine mas, finalmente, e no meio dum enorme nervosismo e emoção, o Girona venceu por 2-1, três pontos de ouro que são uma boa ajuda para evitar a descida e que para o Barcelona significam uma penosa derrota que o faz perder o comando da classificação. Será coincidência ou não mas desde que Joan Laporta deixou a presidência para preparar a sua candidatura para as próximas eleições, tudo corre mal a este Barcelona.