Ainda sobre a final da CAN: senegaleses detidos em Marrocos em greve de fome
Dezoito adeptos do Senegal, detidos após a final da CAN de 2025, iniciaram uma greve de fome em protesto. Acusados de hooliganismo, os adeptos alegam que lhes está a ser «negado o direito à justiça».
Os adeptos foram detidos em meados de janeiro, após incidentes que marcaram a final da CAN entre Marrocos e os senegaleses, em Rabat. Segundo uma mensagem enviada ao seu advogado, Patrick Kabou, e transmitida à AFP, os detidos decidiram avançar com a greve de fome na passada sexta-feira.
«Visto que nos recusam o nosso direito à justiça, decidimos a partir de hoje [sexta-feira] iniciar um jejum contínuo em oração e recolhimento, até ao dia em que a justiça marroquina nos dê a oportunidade de nos expressarmos», afirmaram no comunicado.
A acusação de «hooliganismo» abrange atos de violência contra as forças de segurança, danos em equipamentos desportivos e arremesso de projéteis. Os adeptos queixam-se de não saberem exatamente do que são acusados desde o dia 18 de janeiro e de terem sido interrogados pela polícia «em francês e em árabe», línguas que não compreendem, falando apenas wolof. Pedem que, «pelo menos», a sua «versão dos factos» seja ouvida.
O processo judicial tem sofrido atrasos. Uma primeira audiência, no final de janeiro, foi adiada a pedido da defesa e da parte civil. Numa breve sessão na passada quinta-feira, os pedidos de liberdade condicional foram rejeitados e a continuação do julgamento foi remarcada para 12 de fevereiro, devido a uma greve dos advogados em Marrocos.
Recorde-se que a final da CAN, vencida pelo Senegal por 1-0 no prolongamento, foi caótica. Um penálti assinalado a favor de Marrocos nos descontos, após consulta do videoárbitro e logo a seguir a um golo anulado ao Senegal, levou a que parte dos jogadores senegaleses, incentivados pelo selecionador Pape Thiaw, abandonassem o relvado. Regressaram por insistência da estrela da equipa, Sadio Mané.
A tensão estendeu-se às bancadas, onde adeptos senegaleses tentaram invadir o campo durante cerca de 15 minutos, inclusive enquanto o marroquino Brahim Diaz se preparava para marcar o penálti, que acabou por falhar. Em consequência, a Confederação Africana de Futebol (CAF) aplicou sanções disciplinares a ambas as federações por comportamento antidesportivo.
Apesar do recuo, a porta não está totalmente fechada. Gana e Nigéria, que também apresentaram candidaturas, poderiam emergir como coanfitriões, embora a CAF ainda não tenha confirmado esta possibilidade. Curiosamente, nenhuma outra nação se apresentou para organizar a competição, o que teoricamente poderia permitir a Marrocos reorganizar a sua proposta. No entanto, o país terá de continuar a melhorar as suas infraestruturas e capacidade organizativa para convencer a CAF no futuro.