Polémica na CAN continua: Marrocos vai recorrer dos castigos ao Senegal
A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) anunciou oficialmente a sua intenção de recorrer das sanções impostas pelo Comité Disciplinar da Confederação Africana de Futebol (CAF) na sequência dos polémicos acontecimentos da final da CAN 2025 contra o Senegal (0-1, após prolongamento).
Num comunicado divulgado na terça-feira, 3 de fevereiro, a FRMF argumentou que as sanções são desproporcionalmente brandas, dada a gravidade dos incidentes que mancharam o jogo decisivo a 18 de janeiro. A federação destacou que a final foi interrompida quando jogadores e equipa técnica senegaleses abandonaram o campo, um ato agravado por tentativas dos seus adeptos de invadir o estádio. Estas ações levaram a um caos generalizado, danos materiais e confrontos que exigiram a intervenção da segurança.
«Considerando que as sanções emitidas pelo Comité Disciplinar não são proporcionais à gravidade e seriedade destes acontecimentos, conforme enfatizado na correspondência oficial enviada pelo Presidente da Federação Real Marroquina de Futebol ao Presidente da Confederação Africana de Futebol, e no seu compromisso de defender todos os direitos garantidos por lei, a Federação Real Marroquina de Futebol decidiu recorrer destas decisões», pode-se ler no comunicado.
A federação também referiu que o seu presidente, Fouzi Lekjaa, já havia comunicado esta posição numa carta formal ao Presidente da CAF, Patrice Motsepe. Esta medida surge após uma decisão controversa na semana passada, onde o Conselho Disciplinar da CAF rejeitou o protesto inicial de Marrocos relativamente às ações do Senegal, apesar dos regulamentos que penalizam explicitamente as equipas por abandonarem um jogo.
A final mergulhou no caos quando adeptos senegaleses arrancaram e atiraram cadeiras do estádio, algumas das quais foram usadas como projéteis contra as forças de segurança. No meio da confusão, o treinador do Senegal, Pape Thiaw instruiu os seus jogadores a abandonar o campo, levando a um prolongado impasse. A equipa só regressou após intervenções do jogador estrela Sadio Mané e de outras figuras proeminentes. A FRMF acredita que estas interrupções quebraram o ímpeto dos Leões do Atlas, custando-lhes, em última análise, a oportunidade de conquistar o seu primeiro título continental em 50 anos.
Castigo da CAF ao Senegal e Marrocos
Thiaw recebeu uma suspensão de cinco jogos oficiais da CAF e uma multa de cerca de 84 mil euros por conduta considerada prejudicial à integridade do desporto. Os jogadores Ndiaye e Sarr foram ambos suspensos por dois jogos pela sua conduta em relação ao árbitro. A federação senegalesa foi multada num total de cerca de 500 mil euros por várias infrações, incluindo má conduta dos adeptos e comportamento antidesportivo.
A somar à controvérsia, Marrocos também enfrentou penalidades significativas: Hakimi e Saibari foram suspensos por dois jogos (um com pena suspensa) e três jogos, respetivamente. Saibari também foi multado em 84 mil euros. A FRMF incorreu em multas adicionais por má conduta de apanha-bolas, obstrução da área do VAR e uso de laser pelos adeptos, elevando as penalidades financeiras totais de Marrocos para 250 mil euros.
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