Abel Ferreira no Mundial de Clubes ao serviço do Palmeiras, nos EUA
Abel Ferreira - Foto: IMAGO

Abel Ferreira e o 'caso Prestianni': «Estamos na pior fase dos valores humanos»

Treinador não quis comentar caso em específico e lamentou crise na sociedade

Abel Ferreira foi mais um treinador a comentar o alegado incidente racista envolvendo Vinícius Jr. durante o jogo entre o Benfica e o Real Madrid para os play-off da UEFA Champions League, na passada terça-feira.

Recorde-se que o avançado do Real Madrid acusou o argentino Prestianni de lhe ter dirigido um insulto racista - 'macaco' durante a confusão que se seguiu ao golo do camisola 7 dos merengues, por volta dos 50 minutos, no estádio da Luz. O incidente levou à interrupção da partida por 10 minutos, em conformidade com o protocolo antirracismo da UEFA.

Questionado sobre o ocorrido, o treinador português fez um desabafo sobre a crise de valores na sociedade.

«Eu não gosto de fazer julgamentos, porque não sou juiz nem tenho essa competência. Eu defendo valores, defendo respeito, defendo a dignidade humana, defendo a justiça, defendo a educação, defendo a solidariedade», começou por afirmar Abel Ferreira.

O técnico do Palmeiras sublinhou que o problema transcende o desporto. «Infelizmente vivemos numa crise de valores da sociedade. E a sociedade sou eu, és tu, somos nós. Não é um problema do futebol, é um problema da sociedade. Sabem o ‘todos somos um’[lema que usa dentro do Palmeiras]? Essa é a minha filosofia de vida, que trago aqui para dentro. Todos temos de nos respeitar, todos temos de ser solidários uns com os outros», acrescentou.

Abel Ferreira lamentou a falta de ação geral perante estes acontecimentos, criticando a tendência para o debate sem consequências práticas.

«Acredito que ninguém está contente com o que aconteceu, nem o lado A nem o lado B. Infelizmente falamos muito, debatemos muito, colocamos opiniões como verdades absolutas, e fazemos muito pouco. No ano passado passaram-se coisas gravíssimas aqui e o que aconteceu? Que ações tomámos? É a minha opinião, para mim estamos na pior fase dos valores humanos», continuou.

Por fim, o treinador português reiterou a sua posição de não julgar o caso específico, que estará sob investigação, mas insistiu na necessidade de uma mudança de atitude coletiva.

«Não julgo casos, sou um defensor de valores, e nós como sociedade caminhamos a passos largos, se não forem tomadas medidas, para algo que é inacreditável. Não tenho muita informação sobre esse caso específico. Acho que vai ser julgado, não sei o que se passou. Não julgo, porque não tenho fundamentos. Nós, como sociedade, estamos aquém do que podemos fazer. Mais do que falar, temos de fazer», concluiu.