Arbeloa volta a falar de Prestianni: «Nada, absolutamente nada, justifica um ato racista»
MADRID — As acusações de racismo de Vinícius Júnior a Gianluca Prestianni, no jogo entre Benfica e Real Madrid, da primeira mão do play-off da Champions, terça-feira, na Luz, dominaram a conferência de Imprensa de Álvaro Arbeloa, que deveria ser sobre o duelo, amanhã com o Osasuna.
«Vinícius está triste, como todos nós, e muito indignado pelo que aconteceu, porque, evidentemente, foi um ato racista, que não queremos que volte a acontecer mais. Um ato que não tem cabimento no nosso desporto nem na nossa sociedade. Temos uma oportunidade enorme para não deixar isto passar e para lutar contra este flagelo que é o racismo», disse na segunda resposta da conferência, na cidade desportiva do Real Madrid.
Arbeloa foi questionado sobre se temia que semelhante episódio se repita. «O que é realmente importante é lutar contra atos como o que vivemos o outro dia, uma situação inaceitável, que não vamos tolerar e que não queremos que volte a acontecer num campo de futebol, e absolutamente nada justifica um ato racista.»
O treinador do Real Madrid foi questionado, depois, se a equipa deveria ter abandonado o campo. «Vou ser muito claro: foi decisão de Vinícius continuar com o jogo. Se ele tivesse decidido que não continuaríamos a jogar, iríamos todos para o balneário, um atrás do outro. Não há nenhum título, nem nenhuma vitória que possa ter com o Real Madrid que me faça sentir mais orgulhoso do que senti em Lisboa. Como reagiram todos os companheiros no momento, como continuaram a jogar e depois as declarações a seguir ao jogo — uma equipa unida, que defende os companheiros e todos unidos», argumentou.
Dececionado com Mourinho?
«Toda a gente viu o que aconteceu no jogo, isso é que é realmente importante. É uma ótima oportunidade para tomar medidas para que isto não volte a acontecer num campo de futebol», fintou Arbeloa, convidado a comentar a reação e declarações de José Mourinho.
Arbeloa insiste que o que se passou na Luz não poderá voltar a acontecer e considera que a UEFA tem oportunidade de dar o exemplo: «Está nas mãos da UEFA, eles foram os primeiros a fazer esta luta há muitos anos , é uma oportunidade ótima para mostrarem que essa luta não é apenas palavras, para tomarem medidas e castigar, garantir que atos como os que se passaram nesse jogo não voltem a acontecer.»
«Não vamos fazer da vítima um provocador»
Arbeloa foi questionado sobre se ficou surpreendido com as declarações de Mourinho, para quem Vinícius perdeu oportunidade de celebrar o grande como Di Stefano, Pelé ou Eusébio. E também foi convidado a reagir às declarações de Vincent Kompany, treinador do Bayern. «Não gosto muito e não estou aqui para comentar as reflexões de Kompany ou José [Mourinho]. Cada um é livre de dar a sua opinião. Estou aqui para dar a minha. Marcou um golaço e celebrou como vimos centenas de jogadores ao longo da história. Não vamos fazer da vítima um provocador. Acho que seria injustificável, e creio que nada do que fez o Vinícius justifica um ato racista.»
«Posso falar do que vivi com Vinícius, o que está a fazer dentro do campo é sensacional, brilhante, a marcar golaços, leva a equipa às costas, quer assumir essa responsabilidade. É um rapaz que não tem medo, capaz de viver situações como as que viveu no outro dia e, mesmo assim, voltar a jogar. Já me insultaram, mas nunca por causa da cor da pele. É preciso ser muito corajoso para continuar a jogar, e vamos estar ao lado dele», rematou.
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