Calhou bem a Benfica e Sporting: rivais pressionam Dragão
Sporting e Benfica venceram ontem os respetivos jogos mas, mais do que a aproximação pontual ao líder do campeonato (que joga hoje), ficou um sério aviso por via dos resultados avolumados (3-0 em ambos os casos) e pelo domínio total das partidas.
Numa Liga historicamente muito desigual entre os três primeiros e todos os outros, nem sempre os grandes têm conseguido impor-se do primeiro ao último minuto de jogo, como aconteceu ontem na Luz e em Moreira de Cónegos. O grau de exigência não era, à partida, o mesmo, uma vez que o Benfica recebia o último da tabela e o Sporting viajou até uma das sensações do Minho, mas à medida que o campeonato avança é certo e sabido (e repetido à exaustão, desculpem) que todos os pontos ficam mais difíceis de conquistar. Se havia dúvidas sobre as exibições e os resultados inconstantes dos encarnados, ou sobre os muitos golos decisivos dos leões apenas nos últimos minutos, a 23.ª jornada veio pelo menos acalmá-las, para não dizer dissipá-las.
Calhou bem ao Benfica, que daqui a uns dias vai a Madrid menos escondido atrás da camisola, e calhou bem ao Sporting, cujos adeptos gritaram «tricampeões» com plena convicção de que estão destinados a isso, ainda com tanta jornada por jogar.
A Norte, tem a palavra o FC Porto, que recebe esta noite um frágil Rio Ave no Estádio do Dragão, mas que também terá de superar as próprias dificuldades, seja através de lesões ou da qualidade de jogo. Na conferência de imprensa de antevisão, Francesco Farioli revelou que esteve a rever com a equipa 33 momentos dos quatro últimos jogos em que o que podia ter sido uma grande oportunidade não deu golo. Por muito que o italiano desdramatize, são mesmo muitos momentos que demonstram a atual fragilidade ofensiva dos dragões, ainda por cima agora sem Samu.
E nesta Liga, que repito ser muito desigual entre os três grandes e os outros, dá muito jeito marcar golos para vencer tanto as partidas mais difíceis como estas que teoricamente não o são. Pode ser injusto, mas por vezes acontece: quem vai à frente parece que tem nesta altura mais a provar. O FC Porto de Farioli chegou até aqui por ser o melhor, mas também especialmente por sofrer muito pouco. Só que essa prioridade abanou com o Casa Pia e o Sporting e o jogo seguinte, com o Nacional, só veio mostrar que os azuis e brancos não desejam (ou conseguem) muito mais do que um 1-0. E claro que se pode ser campeão com muitos 1-0, mas a convicção dos que ganham por três e a jogar muito bem é outra...