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«2016 é história!»: acabou o percurso na seleção por causa de Portugal e avisa
25 de junho de 2016 é uma data que Darijo Srna tem gravada como uma memória triste. Afinal, foi nesse dia que fez o último jogo pela seleção da Croácia, da qual era capitão, estatuto reforçado pelos 134 jogos que somava nesse dia com a camisola xadrez. O maior culpado de ser aquela a data da despedida é Ricardo Quaresma e aquele golo de cabeça marcado aos 117 minutos do jogo dos oitavos de final do Euro 2016, que valeu o apuramento de Portugal para a fase seguinte de uma competição que viria a vencer.
Agora, no dia em que as duas seleções voltam a defrontar-se numa grande competição, novamente num jogo a eliminar, o antigo lateral garante, em conversa com A BOLA, não guardar qualquer ressentimento da equipa lusa.
«Claro que foi uma noite muito dolorosa para mim e para a Croácia. Acreditávamos que tínhamos uma equipa que podia ir muito longe nesse torneio. Mas Portugal venceu e sagrou-se campeão europeu. Isso merece respeito. Foi o meu último jogo pela Croácia, por isso será sempre marcante para mim, mas olho para trás com orgulho e não qualquer tipo de raiva.»
Nesse sentido, apesar de obviamente desejar o triunfo croata, não o faz com qualquer sentimento de vingança, ele que nota que a equipa lusa ainda não demonstrou o potencial que todos lhe reconhecem.
«Portugal tem uma enorme qualidade individual e pode resolver um jogo a qualquer momento. Talvez nem sempre tenham demonstrado todo o seu potencial, mas toda a gente sabe o quão perigosos são», diz, apontando a tradição croata em grandes competições para fazer esquecer a eliminação de 2016.
«A Croácia também é uma equipa de torneios. Sabemos sofrer, competir e manter-nos vivos em jogos difíceis. Não lhe chamaria vingança. 2016 é história. Este é um jogo novo, um novo Mundial e uma nova oportunidade».
É impossível dissociar Srna da Ucrânia. O ex-internacional croata passou ali quase toda a carreira. São já 20 anos de ligação, que fazem com que o dirigente defina o Shakhtar como «casa e família». E nem quando o país atravessa um momento tão delicado como é uma guerra Srna pensou em resguardar-se na Croácia natal. «A Ucrânia deu-me uma carreira, adeptos, troféus e uma vida. Quando nos dão tanto, não podemos desaparecer num momento de sofrimento. Ajudar a Ucrânia não é um dever para mim, é o que sinto no coração», diz. Essa é uma das razões pela quais Srna se tornou peça ativa na Fundação Rinat Akhmetov, que tem o nome do presidente do Shakhtar. «É uma das organizações humanitárias mais importantes da Ucrânia. Já doou mais de 350 milhões de euros para ajudar civis. E eu tento dar visibilidade a esse trabalho com a minha voz e rede de contactos, para que o mundo não se esqueça da Ucrânia», nota.
Srna, de resto, recusa apostar num vencedor antecipadamente, apesar de sublinhar a qualidade dos jogadores portugueses.
«No papel, muita gente pode ver Portugal como favorito pela quantidade de jogadores de topo que possui. Mas num jogo como este, não vejo uma grande diferença. A Croácia respeita Portugal, mas a Croácia não teme ninguém. Para mim, está muito equilibrado — quase 50/50. Os detalhes, a mentalidade e os grandes momentos vão decidir a partida», acredita o antigo jogador.
Um dos pontos de maior interesse da partida prende-se com a provável despedida de uma lenda de Mundiais: Luka Modric (40 anos), ou Cristiano Ronaldo (41). O agora diretor-desportivo do Shakhtar coloca os dois jogadores num patamar acima dos humanos e revela que o capitão croata não tem sido questionado como o português. «Na Croácia, Modric é mais do que um futebolista. É um símbolo do nosso país e um dos maiores jogadores da nossa história. Claro que as pessoas podem analisar os jogos, mas o respeito pelo Luka nunca vai mudar. Vejo o Cristiano de forma semelhante em Portugal. Pode-se discutir tática, minutos ou momento de forma — isso é normal no futebol. Mas jogadores como o Cristiano e o Luka conquistaram um nível de respeito diferente. São lendas», remata.
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