Mundial
Mundial
Portugal: aí está a primeira hora da verdade
Trata-se de um título otimista, porque a existência de uma primeira aponta para, pelo menos, uma segunda vez. O que neste caso, está bom de ver, significaria que Portugal vence a Croácia e estará nos oitavos de final noutra hora da verdade.
Não sei se do ponto de vista técnico-tático-físico-psicológico é corretamente científico falar em dois Campeonatos do Mundo, mas a mensagem passa bem e Roberto Martínez não deixou dúvidas sobre o que queria dizer com ela: agora é sempre vai ou racha, mata-mata, bota fora (sem roda), cada um chama-lhe o que quer.
O espaço para o erro diminui drasticamente e uma noite má significa voltar para casa. Não deveria existir um grande drama em torno disto, mas já sabemos como em Portugal somos dos oitos e dos oitentas. A boa notícia, hoje, é que vamos com as expectativas a 8 e portanto uma eventual desilusão será menor. A má notícia é que não é bom encarar grandes desafios sem o moral em alta. E este moral, se incluir o dos adeptos, tem a sua importância. Claro que não precisava de estar a 80, mas lá está — desconhecemos meios-termos nas emoções sobre a Seleção Nacional.
O jogo de Toronto é decisivo para o que resta do Mundial, e não só no sentido óbvio do resultado. Perder será sempre o pior cenário, mesmo que jogando bem. Isso de nada servirá a uma equipa técnica em fim de ciclo, porque já todos percebemos que vem lá novo selecionador. Ganhar sem jogar bem, porém, será insuficiente para recuperar de vez a confiança no trabalho da equipa das Quinas. Se for tem-te-não-caias vai prevalecer a opinião vigente de que não há estratégia, não há fio de jogo, não há ideias, há jogadores que não deviam jogar e outros que deviam.
Se surgir uma boa vitória será diferente. Claro que os mais entusiastas da técnico-tática continuarão — porventura com acerto e justiça — a destratar Martínez, mas a grande onda pública virará de novo e crescerá rapidamente a caminho dos 80.
Nada disto é novo no futebol, mas é francamente mais vincado na Seleção. Porque no futebol de clubes há sempre uma dama a defender perante os vizinhos que defendem outras cores. Aqui não — teoricamente é tudo da mesma cor, o que dá espaço para explanar muito mais teorias e sapiências. Portugal tem capacidade para bater a Croácia. Mas também tem possibilidade de perder. No final do dia será como sempre: ou a bola entra ou não entra. E estamos cá todos amanhã.