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Seleção faz pacto de honra por Diogo Jota
TORONTO — No tabuleiro de Toronto, o xadrez do mata-mata não concede margem para o mais pequeno erro de cálculo. A Seleção Nacional pisa o relvado do BMO Field esta quinta-feira (já meia-noite de sexta quando soar o apito inicial) para defrontar a perigosa Croácia, num duelo dos 16 avos de final que mexe com as entranhas táticas da equipa e com a memória afetiva de um grupo blindado.
Roberto Martínez sabe que a vertigem física sofrida diante da Colômbia expôs debilidades que exigem intervenção séria nas alas, mas a grande surpresa pode passar pela manutenção das peças principais.
Apesar do desgaste tremendo e da condição física menos boa revelada em Miami, Nuno Mendes poderá perder o lado esquerdo da defesa para Cancelo, com Diogo Dalot a merecer a titularidade legítima na direita após ter entrado muito bem no último jogo.
Resta saber se na frente haverá espaço para a grande surpresa do torneio: irá Ronaldo descansar para dar o lugar a Gonçalo Ramos, ou o capitão avança para mais uma batalha? E, na ala atacante, teremos de volta Bernardo Silva, apenas utilizado no primeiro jogo de Portugal neste Mundial, com a RD Congo?
Para lá das coordenadas táticas, este embate carrega um peso místico e uma carga dramática que transcende as quatro linhas do retângulo de jogo. Em Portugal, os ponteiros do relógio marcarão rigorosamente as 00h00 de dia 3 de julho quando a bola começar a rolar em solo canadiano.
A data é um gatilho emocional profundo para este balneário: cumpre-se precisamente um ano desde o trágico acidente que vitimou o internacional Diogo Jota e o seu irmão, uma perda avassaladora que deixou marcas indeléveis na alma desta geração de futebolistas.
No seio da comitiva lusa, o desejo de vencer transformou-se numa promessa silenciosa e num pacto de honra coletivo que une todos os jogadores em torno de um objetivo muito maior. Esta noite, cada corrida, cada dividida e cada golo transportará a urgência de uma homenagem sincera. Eles querem e vão jogar por Diogo Jota, transmutando a dor profunda da saudade em combustível para conquistar a glória no relvado americano.
O cenário para este tributo não podia ser mais propício à heroicidade. Toronto é a cidade mais portuguesa de todo o Canadá, albergando uma vibrante, calorosa e orgulhosa comunidade que ronda os 200 mil lusos. O BMO Field vestir-se-á com as cores da pátria, garantindo que o eco das bancadas faça a equipa sentir-se no aconchego do seu próprio quintal europeu.
Contra uma Croácia cerebral comandada pelo eterno Luka Modric, o apoio desta enorme falange de apoio será o 12.º jogador na busca incessante pelos oitavos de final da prova.
Portugal entra em campo com o coração nas mãos, os olhos apontados ao céu e a certeza absoluta de que a força de uma comunidade gigante guiará os passos firmes rumo à eternidade desportiva.