Os perseguidores de Alexis Guerin bem tentaram alcançar o francês, mas em vão (nuno Veiga/LUSA)
Os perseguidores de Alexis Guerin bem tentaram alcançar o francês, mas em vão (nuno Veiga/LUSA)

Volta a Portugal: o que disseram as 'vítimas' de Alexis Guerin na Torre

O francês da Anicolor atacou a 15 quilómetros da meta e venceu isolado a quarta etapa da Volta a Portugal. O companheiro de equipa Artem Nych foi segundo, Pedro Silva terceiro e Rui Oliveira perdeu a camisola amarela, mas saiu da Torre orgulhoso

Alexis Guérin foi o grande vencedor da quarta etapa da Volta a Portugal, com chegada à Torre, numa jornada em que o francês da Anicolor-Campicarn confirmou a força da equipa e assumiu a liderança da classificação geral. O ataque lançado a cerca de 15 quilómetros da meta revelou-se decisivo e permitiu-lhe chegar isolado ao ponto mais alto da Serra da Estrela, conquistando também a camisola amarela que estava na posse de Rui Oliveira.

A superioridade da Anicolor-Campicarn ficou igualmente demonstrada pelo segundo lugar de Artem Nych, que terminou a etapa a curta distância do companheiro de equipa e subiu à segunda posição da geral. O ucraniano destacou a estratégia da equipa e a eficácia da operação na montanha.

«Foi um dia bastante bom para nós. O Alexis arrancou primeiro. No último quilómetro, arranquei para ganhar algum tempo aos concorrentes. O Alexis já tem muita diferença. Tecnicamente, estivemos muito bem. Estivemos sempre na frente.»

Nych reconhece que recuperar a camisola amarela no contrarrelógio será uma missão muito complicada, dada a vantagem conquistada por Guérin, preferindo destacar a posição confortável da equipa antes das duas etapas de montanha que ainda se seguem.

«Não acredito [que possa conquistar a camisola amarela no contrarrelógio]. A diferença é muito grande [para o Alexis]. Estamos muito bem com esta diferença.»

O segundo classificado da etapa olha, por isso, para o contrarrelógio com alguma cautela. «O crono é técnico, o que não gosto, mas também pede força. Há algumas secções em que dá para 'puxar', o que é bom. Tem algumas descidas perigosas», explicou, antevendo ainda um cenário exigente depois do dia de descanso, com as etapas do Gerês e da Senhora da Graça no horizonte.

Artem Nych ficou bloqueado pelo ataque do companheiro de equipa Alexis Guerin (Nuno Veiga/LUSA)

Pedro Silva, da Feira dos Sofás-Boavista, foi o melhor português na etapa, terminando na terceira posição e subindo ao quarto lugar da classificação geral. O resultado ficou, contudo, aquém da ambição com que partiu para a jornada serrana.

«Parti com o objetivo de vencer esta etapa. Tinha marcado como objetivo pessoal vencer na Torre. Saio como melhor português na etapa. Fico feliz. Dei o meu melhor.»

O ciclista da Boavista reconheceu a superioridade de Guérin, mas recusou considerar a Volta decidida. «O vencedor ganhou por uma larga margem. Temos de lhe dar os parabéns e de continuar a lutar, que ainda agora começou.»

Pedro Silva acredita que a liderança da Anicolor-Campicarn poderá colocar a equipa sob pressão nas próximas jornadas. O contrarrelógio poderá alterar a classificação, mas serão sobretudo as grandes etapas de montanha a poderem provocar mudanças significativas.

«Com o crono já amanhã [segunda-feira], é normal que os atletas ataquem mais depois. Temos etapas muito perigosas como a etapa do Gerês [sétima etapa] e a da Senhora da Graça [nona], onde pode haver grandes reviravoltas.»

Para o português, o desgaste de controlar a corrida poderá ser uma oportunidade para os adversários: «Ao ter de controlar a corrida, a Anicolor-Campicarn pode ter um desgaste extra. As equipas têm de aproveitar para dar a reviravolta e para tentar ganhar a Volta a Portugal.»

Apesar de já estar fora do pódio, Pedro Silva mantém a ambição intacta. «Neste momento, um top-5 ou um pódio são objetivos alcançáveis, mas vou continuar a lutar com o objetivo de ganhar a Volta a Portugal», afirmou.

Rui Oliveira deixou a liderança da geral na Torre, mas terminou o dia com um prémio que simbolizou a forma como procurou defender a camisola amarela: foi eleito o mais combativo da etapa.

O ciclista da UAE Emirates entrou na fuga e passou por todas as metas volantes, numa tentativa de prolongar o mais possível a sua liderança e, ao mesmo tempo, dignificar a camisola que vestia. «É um bom prémio no final. O meu objetivo era dignificar a camisola amarela. Não o podia ter feito de melhor maneira do que ir para a fuga e pontuar em todas as metas volantes.»

Rui Oliveira (UAE Emirates) esteve em fuga envergando a camisola amarela (Nuno Veiga/LUSA)

Oliveira admitiu que a subida final à Torre colocava-o perante adversários com características diferentes. «A camisola amarela deu-me força extra, mas não podia fazer os impossíveis e chegar à Torre na frente. Há ciclistas mais fortes, trepadores. Não sou trepador, mas dignifiquei as cores da equipa e esta camisola tão bonita.»

O antigo líder confessou ainda ter vivido uma jornada especialmente emotiva. «Foi um orgulho estar na frente. Estava muito emocionado na subida. Estava sempre a ouvir o meu nome. Foi um dia que me encheu o coração.»

Apesar de continuar bem colocado na classificação por pontos, Oliveira coloca a prioridade noutra frente: ajudar Adrià Pericas, atual nono classificado da geral e líder da juventude.

«O grande objetivo é tentar a melhor classificação possível com o Adrià [Pericas]. O importante é o Adrià estar bem e motivado para a geral. [A classificação dos pontos] é uma situação secundária. Se puder fazê-lo, melhor, mas a prioridade é o Adrià.»

Adrià Pericas terminou a etapa na 14.ª posição, mas manteve a camisola branca da juventude e ocupa o nono lugar da classificação geral. O espanhol reconheceu a força demonstrada pela Anicolor-Campicarn, embora considere que a UAE Emirates pode melhorar a sua abordagem à corrida.

«A Anicolor-Campicarn está muito forte, mas não estivemos mal. Não gerimos as forças da melhor forma, mas vamos tentar melhorar dia após dia.»

Pericas explicou que a perseguição ao grupo da frente lhe custou caro na fase decisiva da subida. «[Os ciclistas da Anicolor-Campicarn] foram muito fortes, com um ritmo muito elevado. Excedi-me um pouco na perseguição. Depois, fraquejei no final.»

Ainda assim, a equipa mantém intacta a ambição de lutar pela classificação geral. «Estamos aqui para conseguir a camisola amarela. A camisola branca é um grande prémio, mas temos um objetivo principal.»

Com Guérin agora vestido de amarelo e uma diferença significativa para os perseguidores, a Anicolor-Campicarn parte para o contrarrelógio em posição privilegiada. Mas os adversários, apesar do desaire na Torre, deixam claro que a Volta a Portugal está longe de estar decidida. O Gerês e a Senhora da Graça poderão voltar a baralhar as contas.

A iniciar sessão com Google...