Braz: «Um campeonato em quatro foi, para mim, manifestamente pouco»
Depois da saída atribulada do Al Ahli, Rui Pedro Braz esteve à conversa com A BOLA, naquela que é a primeira entrevista concedida em cinco anos. Nesta segunda parte da entrevista fala dos quatro anos em que foi diretor desportivo do Benfica.
- Como se desenrolou o seu processo de saída?
- Muito pacífico. Foi uma conversa muito franca entre mim e o Presidente Rui Costa. Eu disse-lhe que queria experimentar um projeto lá fora, havia na altura várias possibilidades, algumas até foram noticiadas...
- Entendeu que o ciclo estava terminado. Por causa das eleições, ou não propriamente?
- Eu gosto de impor patamares a mim próprio, e se não os atingir acho que o meu trabalho ficou aquém. Um campeonato em quatro foi, para mim, manifestamente pouco. Os outros falarão por si, mas acho que ficámos a dever aos benfiquistas pelo menos mais um campeonato, mais uma Taça de Portugal, e eventualmente mais uma Taça da Liga, para se poder considerar um trabalho positivo. Acho que podíamos e devíamos ter feito mais, e eu entendi que era a altura de abraçar um projeto lá fora, e de permitir que outras pessoas viessem para fazer melhor. Espero que assim aconteça e que as pessoas façam muito melhor do que aquilo que eu fiz. Será bom sinal para o Benfica e eu ficarei extraordinariamente feliz como adepto e como sócio.
- Portanto, a relação com o Rui Costa não estava degradada de nenhuma forma?
- Não, nada. Muito pelo contrário. Não tenho nada a apontar ao Presidente Rui Costa. Como pessoa, como profissional, como benfiquista… Gostaria que as pessoas respeitassem um pouco mais aquilo que está a ser feito. Por vezes leio e oiço coisas que me chocam. Há pessoas que não merecem ser alvo de certos e determinados ataques, e há coisas que me revoltam um bocadinho. Mas ele é forte e aguentará tudo e mais alguma coisa.
- Entre a saída de um e a entrada do outro, houve oportunidade de trabalhar um pouco com Mário Branco?
- Pouco. O Mário estava com uma tarefa muito exigente e complicada naquele momento, que era suceder ao Lourenço Coelho. Eu estava com a missão mais específica daquilo que eram as dinâmicas do mercado de verão. Privámos muito pouco, mas tenho o maior respeito pelo Mário.