Cristiano Ronaldo marcou com Gales mas não valeu... Foto Miguel Nunes
Cristiano Ronaldo marcou com Gales mas não valeu... Foto Miguel Nunes
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O ponto de rebuçado vai chegar com CR7 a ajudar

Quando a utilização ou não de Cristiano Ronaldo deixar de ser o tema central da atualidade da Seleção Nacional estaremos prontos para abraçar definitivamente o futuro

O ponto de rebuçado atinge-se quando a calda de açúcar é fervida entre os 125 e os 135 graus centígrados.

Jorge Jesus chegou à Seleção e começou a aquecer a panela. Sabe onde quer chegar, mas sabe também que entre o frio e o ponto de rebuçado da calda de açúcar há vários pontos de passagem, embora todos eles acima dos 100 graus, pois com certeza, se não não teríamos sequer fervura. Há o ponto de fio, o de pérola, o de estrada, o assoprado e o de espadana.

Jesus chegou, mal treinou e venceu Gales em casa por 1-0, sem brilho ou nota artística. A verdade é que dias depois, com poucos treinos de campo e alguns «treinos de sala», foi à Noruega bater uma das melhores seleções da atualidade.

Não é novidade Portugal ganhar — é preciso não esquecer que o anterior selecionador, o desdenhado Roberto Martínez, colecionou recordes de vitórias. A questão é que ganhou, aparentemente, com outra atitude. Mais impositiva, mais entusiasmada, talvez.

Os 4x4x2 e os 4x3x3 valem sempre pouco quando chegam as dinâmicas. E é um facto que elas parecem ter regressado à Seleção. Posso armar-me em entendido da tática e dizer que a colocação de João Félix na sua posição natural ajuda — e muito! — a que tudo funcione melhor, mas mestre da tática há um e está no banco de Portugal.

Mais delicada parece ser, uma vez mais, a posição de Cristiano Ronaldo. Titular no primeiro jogo, não foi feliz. Suplente no segundo, sem sequer entrar em campo, tornou-o a ele próprio infeliz, independentemente de o substituto ter sido uma das chaves da vitória.

O ponto de rebuçado da Seleção Nacional só será atingido quando a utilização ou não de CR7 não for o tema central das discussões, das análises, dos programas de TV e das conferências de imprensa.

Ele ficou aborrecido e não agradeceu aos adeptos. E novidades? Quantos episódios semelhantes queremos ir buscar à História? Se queremos um ídolo, uma figura incontornável, temos também de saber viver com as suas particularidades. E nós queremos, continuamos a querer, Cristiano Ronaldo. O plano da discussão é que mudou: hoje, trata-se de saber em quantos minutos pode ser útil à sua equipa — creio — mais amada de sempre. Umas vezes 90, outras, 45, outras nenhum. Nenhum? Não, mentira: a presença dele será sempre relevante. Pode é não ser apenas a jogar.

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