Moisés Conceição tem sido a figura do Vianense no arranque de época - Foto: @_moises.conceicao_/Instagram
Moisés Conceição tem sido a figura do Vianense no arranque de época - Foto: @_moises.conceicao_/Instagram
Adicione A BOLA às suas preferências do Google

Há um Conceição com quatro golos e cinco assistências na Liga 3: «Está no sangue»

Extremo de 25 anos assina um início de época brilhante no Vianense, com quatro golos e cinco assistências em apenas sete jogos. Marco Paiva, que o orientou nos sub-23 do Rio Ave, traça o perfil a A BOLA, recorda o peso do apelido e a célebre «azia» de quem não suporta perder... nem a feijões

O apelido Conceição carrega consigo uma herança pesada no futebol português, feita de paixão, exigência e... sede de vencer. Que o diga Moisés, que neste arranque de temporada tem sido o grande dínamo do Vianense na Liga 3.

Os números falam por si e impressionam: em apenas sete encontros disputados, o extremo já soma quatro golos e cinco assistências. O mais recente capítulo de sucesso foi escrito no passado fim de semana, com o atacante a faturar e a servir o colega Reko Silva no triunfo por 3-1 diante do Estrela da Calheta, que carimbou a passagem da formação de Viana do Castelo à 3.ª eliminatória da Taça de Portugal.

Na época passada, o jogador de 25 anos já tinha festejado o título de campeão do terceiro escalão nacional ao serviço do Amarante, clube ao qual chegou a meio da temporada depois de ter iniciado a época no Cinfães. Agora, no Minho, vive um dos momentos mais fulgurantes da carreira.

Moisés Conceição com o troféu da Liga 3 nas mãos - Foto: @_moises.conceicao_/Instagram

Para perceber os contornos desta explosão, A BOLA esteve à conversa com Marco Paiva, atual coordenador técnico do Paços de Ferreira, que orientou Moisés nos sub-23 do Rio Ave, em 2020/21. O treinador não tem dúvidas de que o extremo está a colher os frutos do seu trabalho e de um amadurecimento vital.

«Em termos de características e qualidades para o jogo, o Moisés é um jogador muito rápido, vertical, muito objetivo no último terço ofensivo, com boa capacidade de chegada a zonas de finalização e de criação de situações de golo a partir dos corredores laterais», começa por dissecar Marco Paiva, sublinhando que o atual modelo de jogo da equipa de Filipe Mesquita ajuda a potenciar as suas qualidades.

Embora o futebol moderno privilegie os extremos de pé trocado — algo que Moisés «gosta muito» de fazer para procurar movimentos interiores —, o técnico tem uma visão clara sobre o habitat natural do jogador. «Transmite a sensação de ser um jogador de corredor lateral, dentro de uma ideia que lhe permita uma grande verticalidade. Acredito que o seu melhor em termos de rendimento surge com maior regularidade jogando pelo corredor direito, potenciando ações mais rápidas e objetivas no último terço, através de cruzamentos ou atacando as costas da linha defensiva adversária», analisa, frisando como as suas características casam na perfeição com a ideia de jogo do Vianense.

Moisés Conceição veste a camisola do Vianense desde o verão deste ano - Foto: @_moises.conceicao_/Instagram

Mas a viagem de Moisés até este estado de graça não foi, como sublinha Marco Paiva, «um mar de rosas». Na temporada 2020/21, quando se cruzaram em Vila do Conde, a família Conceição dominava a atualidade mediática do futebol português de forma avassaladora, com Sérgio no comando do FC Porto.

«O Moisés foi nosso atleta numa idade muito jovem, coincidindo com um período de grande mediatismo e exposição familiar. O pai a carregar tudo o que implica ser treinador do FC Porto, o Rodrigo a atravessar um período de grande expressão na equipa B dos dragões e o aparecimento do Francisco a afirmar-se muito cedo na equipa A. Por vezes, para quem está de fora, parece que ter este contexto familiar facilita tudo, mas não é assim», aponta.

Moisés representou o Rio Ave na época 2020/21 - Foto: @_moises.conceicao_/Instagram

Essa fase exigiu ao jovem uma enorme couraça psicológica. «Nem sempre é fácil para um miúdo de 18/19 anos viver com a ansiedade e a pressão de querer corresponder rapidamente. Depois, a competição também tem os seus momentos de crueldade. O contexto familiar, o temperamento e o caráter competitivo eram muitas vezes explorados pelos adversários para o tentar desestabilizá-lo do ponto de vista emocional. Hoje, olhando para trás, percebemos que foi um período que lhe permitiu ganhar bagagem para solidificar o seu percurso.»

Falar de um Conceição é, inevitavelmente, falar de um fervor competitivo ímpar. Marco Paiva confirma-o: «Sem dúvida que está no sangue da família. Percebemos pela forma de estar do Sérgio que isso está inerente a um conjunto de valores que preza e que transmite aos filhos. O Moisés é um atleta extremamente competitivo, com uma personalidade muito vincada».

«Como treinador, digo que em termos de entrega, dedicação e profissionalismo, ele é um jogador de referência. O complicado é lidar com um ou outro momento de azia, até num simples exercício de treino, quando não ganha ou quando sente que as coisas não foram no limite», conta o coordenador técnico dos castores.

Com quatro golos e cinco assistências já na conta pessoal, a questão que se impõe é inevitável: qual o limite para Moisés Conceição?

«Isto do futuro no futebol tem muito que se lhe diga, quase sempre é o conjugar do momento com a oportunidade. Se a época estivesse a terminar agora, acredito que haveria vários clubes de realidade superior a olhar para ele. Os campeonatos profissionais são, claramente, o patamar onde se deve procurar afirmar», defende Marco Paiva, apontando a idade como um trunfo: «O Moisés está com 25/26 anos. A maturidade que vai ganhando ano após ano servirá para se solidificar. Essa experiência construída permitir-lhe-á não oscilar, porque o melhor Moisés é claramente um jogador que tem espaço nos campeonatos profissionais em Portugal. Se conseguir prolongar este momento, acredito que as portas de contextos superiores ficarão completamente abertas.»

Para já, é em Viana do Castelo que Moisés vai espalhando magia.

A iniciar sessão com Google...